<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308</id><updated>2012-02-16T06:36:40.653-02:00</updated><title type='text'>Qualquer tempo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1164360689145627834</id><published>2012-01-17T22:57:00.001-02:00</published><updated>2012-01-17T22:59:12.287-02:00</updated><title type='text'>qualquer tempo 2012 : anotações</title><content type='html'>Aí veio o rompante de escrever às garfadas, às braçadas, sem métrica, sem conta, sem revisão. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Revisor estraga o texto&lt;/span&gt;, falei. E sentar e juntar ideias aos borbotões, como se fosse a hora de enfim regurgitar tudo o que foi engolido e acumulado na forma de gordura abdominal por anos a fio. E pensar. E pensar, e gritar. E pensar, e gritar e ajuntar de novo emaranhados de desenhos e letras e estabelecem um qualquer pensamento incoerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque hoje fiz faxina em casa. E porque hoje eu vi que precisava de um pouco de silêncio. Silêncio e solidão me fazem reproduzir. As pessoas quando querem que eu faça algo deveriam apenas me trancar em um quarto e fornecer comida e água de três em três horas, olha eu contando minhas manias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria ou nunca ter parado de fumar ou nunca fumado. Experimentando vontade, mesmo tendo parado há já três anos com recaídas anuais quando viajo. Quando viajo fumo. Aqui em BH vivo em uma zona de não fumantes e fim. Estou na parcela da população que lida bem com isso, sem estresse ou dependência. Só às vezes, como agora, experimentando vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado eu deveria voltar a beber antes de recomeçar o regime. 30 de janeiro. Mas tenho uma festa de casamento antes disso. Mas eu devia - devo - me comportar bem. Senão é justa causa. Eu devia, mesmo, tomar um porre e deixar de ser irritante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou irritado. Tudo me irrita. Cheiros irritam. Barulhos alienígenas irritam. Estou com 90 anos em um corpinho de 39. Lucro, talvez? O corpinho de 39, claro, deveria voltar aos 34 originais. Tudo bem que a moça do colégio tirou dez anos de mim fácil, apesar do cabelo branco que herdei dos dois lados da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, não tenho a quem puxar cabelo preto. Grisalho desde novo no sangue. Parei de pintar cabelo em 2006. Já foi preto, vermelho, roxo. Agora é a cor que ele quiser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo irritado e careta. Não mostro a língua no espelho - para mim mesmo - tem 357 dias, e contando. Para os outros tem bem menos, porque mostro língua no trabalho. E falo palavrão, e canto funk para assustar a bibliotecária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se gosto de funk, preciso ir a um baile e confirmar. Gosto de samba, queria ir ao sambódromo de novo. É bom para gritar muito, dizem que parece partida de futebol. Nunca fui a uma partida de futebol. 34 anos e não conheço o Mineirão por dentro. E já riram da minha cara quando eu achava que o povo assistia o jogo sentado. Só na Europa, disseram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso ir à Europa e preciso perder o medo de avião. Vou ali marcar um voo de 12 horas e encomendar duas caixas de diazepan.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1164360689145627834?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1164360689145627834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1164360689145627834&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1164360689145627834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1164360689145627834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2012/01/qualquer-tempo-2012-anotacoes.html' title='qualquer tempo 2012 : anotações'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-4658687125648484567</id><published>2011-10-14T01:12:00.001-03:00</published><updated>2011-10-14T01:12:44.733-03:00</updated><title type='text'>Letra dedicada</title><content type='html'>Por vezes é de bom-tom recordar que apenas o fato de se estar vivo é, em si, uma grande vitória do dia a dia. Caem árvores, atropela-se, pessoas morrem cotidianamente aos borbotões. O ato último da morte é corriqueiro e cruel, mas dela preferimos não saber. Como se vivêssemos envidraçados e distantes da fatalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ela ocorre: em casa, na rua, na sua frente. E seguimos rejeitando a ideia, provavelmente por instinto natural de sobrevivência, e protelamos a consciência do morrer para o dito instante inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vivêssemos, hoje, abraçando a realidade de uma despedida futura, talvez deixássemos lembranças mais permanentes, e ainda menos sofrimento na hora da ausência. Porém o viver artificializado que nos envolve suprime as relações com o ato de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velórios não se fazem mais em casa, não se passa a noite com a pessoa morta, não se chora na hora certa, tudo é assombrosamente limpo, estéril e padronizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a minha hora eu gostaria de choro, casa, café e noite em claro. Ganharei decerto a frieza e a assepsia de um crematório. Contudo não estarei lá para ver, então isso importa pouco. Sigo, de todo modo, cumprindo o desejo de sobreviver aos meus antepassados. Isso, e isso somente, deveria ser dever de toda geração mais jovem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;*Aos atropelados, eletrocutados, explodidos e caídos do dia de hoje, com respeito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-4658687125648484567?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/4658687125648484567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=4658687125648484567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4658687125648484567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4658687125648484567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/10/letra-dedicada.html' title='Letra dedicada'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8567122477325155122</id><published>2011-09-05T20:18:00.002-03:00</published><updated>2011-09-05T20:21:47.023-03:00</updated><title type='text'>Texto entre anotações</title><content type='html'>Ainda ontem ou anteontem li por aí que não escrevo mais. Dei a resposta, rasa até certo ponto, de que as letras fugiram para algum lugar desconhecido. Como se fosse possível a gente, do nada, cruzar a rua e dar de cara com um "erre" fujão. Ou ainda bater papo com o "dábliu" no alto da Torre Eiffel, nós, as letras, e taças de champanhe.&lt;br /&gt;As letras permanecem, o que falta, em verdade, é motivo para colocá-las em ordem, em sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As letras são e estão permanentemente distribuídas dentro de um caça-palavras gigante, maior que aqueles das revistas de passatempo, e cabe a quem tiver um mínimo de disposição encontrar o termo que precisa, e como nos passatempos de cara encontramos uma palavra qualquer, meio óbvia, que colocaram ali justo para não termos sensação de total estupidez.&lt;br /&gt;Mas o bom do caça-palavras é exato o processo de "achamento", de encontrar alguma coisa escrita de trás pra frente, ou em algum lugar totalmente inesperado. Mas o bom do ato de escrever é pegar as palavras encontradas e enfileirar, de modo que zebra, alumínio e estivador possam juntos criar um tipo de sentido. Mesmo que, por vezes, criemos algum tipo de desordem proposital, para brincar um pouco com a sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora como querer dar sentido, produzir sentido, abrir um canal de comunicação sem se ter o que dizer? Certa vez eu li um elogio que já repeti nos meus textos por demais, talvez não tão literalmente como agora: "[ele] tem uma capacidade incrível de atrair confusão/histórias interessantes. [...] Se bem que ele também tem uma enorme capacidade para transformar o cotidiano em causos inteligentes".&lt;br /&gt;Pois bem, senhores, esse pequeno depoimento sobre minha pessoa externa uma característica estilística bastante peculiar, que a mim é cara e sobre a qual construí boa parte do meu trabalho enquanto escrevedor: a capacidade de analisar a cotidianidade, ou "o nada de todo dia", e transformar em algo de fácil digestão. Não que essa seja unicamente o meu modo de escrita, acho que ainda sou capaz de produzir algum texto dissertativo, talvez uma narrativa curta, jamais engrenei um romance, poesia não arrisco mais desde um incidente em 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o incidente: eu sou um menino tímido. Tudo bem que metade das pessoas que eu já peguei tem sérias dúvidas sobre isso, e a outra metade tenha certeza que é mentira, mas no fim das contas sou sim. Principalmente quando diz respeito a me expor ao vivo em público. Já travei em um programa de debates na televisão, acredite. Não falei "gato" e fiz minha melhor amiga passar vergonha. Até hoje culpo o briefing, inexistente.&lt;br /&gt;Em 1990, sétima série, aconteceu um campeonato de poesia e minha professora de português insistiu que eu me inscrevesse. Emprestou a máquina de escrever para eu passar a limpo, veja bem. Nascidos em 1990, naquela época computador era artigo de luxo, como as Ferrari o são. Escrevi o poema, sobre solidão, lindo e triste e simples para alguém de 12 anos. Inscrevi o poema, fui selecionado e tinha de [atenção senhores] declamar em público. Perguntem se eu apareci no dia? Desde então poesia nem nas aulas de redação. Até porque o segundo grau insiste na produção dissertativa como preparatório para o vestibular.&lt;br /&gt;Deixo as equivalências de escolaridade a cargo do leitor. Ainda não internalizei ensino médio nem fundamental e nem o fim do pré-primário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é: o que dizer quando não se tem nada a dizer? Qual a relevância de se insistir em episódios cotidianos repetidos a exaustão, sendo que não tenho vocação nenhuma para o dadaísmo? O que se pode inferir da minha ausência é: falta de assunto. Ou ainda: contaminação do meio. Se pudermos resumir tudo em cento e quarenta toques, exato qual público um texto longo teria? Se uma foto resume tanto, qual sentido faz escrever que tenho três cachorros dormindo no meu pé nesse momento?&lt;br /&gt;Mais: corrupção do cotidiano. As novidades foram corrompidas pela banalidade do tempo em que vivemos. Hoje todos são especialistas em efemérides, capazes de imperativos categóricos sobre assuntos tão diversos quanto a sexualidade da zebra, produção de alumínio ou a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis entre os estivadores do porto de Santos. Daí surge um grande suspiro, e a vontade de contribuir com um grande espaço vazio para a discussão.&lt;br /&gt;Também: a falta do tempo. Ele às vezes transborda, principalmente naquelas horas antes das seis da tarde sexta, mas geralmente o tempo escasseia o suficiente para a gente acordar segunda-feira e assustar na quinta à noite. E, contrariando a premissa do blog, qualquer tempo, o tempo precisa ser aliado dos escritos.&lt;br /&gt;Daí a razão do sumiço: não se tem do que falar, uma vez que hoje todos falam sobre tudo, e sou tímido o suficiente para me manter à parte, observando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma nota: sim, eu sou foda. E sei que sou foda. E tirando essa linha você nunca vai me ver assumindo isso em público. E sim, essa nota é para você em especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ficamos assim: não há do que falar, mas na medida do possível, até como exercício intelectual, vou tentar voltar mais vezes. Talvez explorar o fato de que tenho colegas de sala. De que um é bombeiro, o outro luta vale-tudo, o outro é motorista e evangélico. De que existem pessoas com histórias para serem contadas e que estão surgindo personagens novos no horizonte.&lt;br /&gt;E quando for bom e for conveniente, a qualquer tempo, nos encontramos aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilha: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nkj7aLkhy8w" target="blank"&gt;Palavras não falam&lt;/a&gt;, Mariana Aydar. Música na qual esse texto foi inspirado e que estou ouvindo agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8567122477325155122?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8567122477325155122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8567122477325155122&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8567122477325155122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8567122477325155122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/09/texto-entre-anotacoes.html' title='Texto entre anotações'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-5934213801255448642</id><published>2011-06-08T23:23:00.001-03:00</published><updated>2011-06-08T23:28:21.502-03:00</updated><title type='text'>A natureza astrológica</title><content type='html'>Algumas vezes na vida a gente faz besteira de modo acidental. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Muitas vezes&lt;/span&gt;, se você achar melhor, afinal ninguém com cabeça no lugar faria besteira de caso pensado. Besteira, aqui, entenda não como ligar para ex-namorados às quatro e meia da manhã, mas algo mais simples. Como falar o que não devia ou, como no meu caso foi, consultar o horóscopo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, maio de 2008 para precisar data, comprei um mapa astral daquele site que todo mundo já cadastrou o nome para receber horóscopo personalizado no e-mail. Dois mapas: o mapa astral em si e um, que na época não era tão interessante mas vinha no pacote, o mapa profissional. Como eram dois por um, que mal faria em saber o que os astros diriam para a minha carreira? Mal nenhum, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mapas ficaram por lá em 2008 mesmo, e os horóscopos do site estão redirecionados para caixa de spam. Coisas do gmail. Até alguns dias atrás que, durante uma conversa envolvendo signos, re-lembrei que tinha um mapa astral guardado num site e fui ler a coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo questionar verdade ou validade de uma interpretação automática de um site baseada em números e dados [reais] fornecidos por mim, muito menos tomar o resultado como premissa incontestável ou, pior, impor uma visão totalmente cética e descartar qualquer informação apresentada. Mapa astral é, para mim, uma fonte parcial que você interpreta como quiser com base na sua vivência. Mas que existem elementos muito pertinentes e que gritam por atenção, existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Selecionei alguns trechos do meu mapa para uma discussão aberta de mim para comigo mesmo. Vejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. "Seu mapa apresenta uma configuração chamada 'locomotiva': os planetas se espalham por todo o mapa, ativando casas diferentes. Isso sugere que você tem mais talentos do que a maioria das pessoas; é mais livre para seguir a carreira que lhe vier à mente. É possível que você venha a ter muita indecisão na hora de optar por um caminho. A vantagem do padrão 'locomotiva' é que você termina assumindo um papel pioneiro, criando algo totalmente diferente, que lhe destaca do meio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando pela afirmativa mais óbvia, presente em minha carreira profissional desde o seu princípio, realmente não sou pessoa de ficar quieta no cargo que me dão, e geralmente dou uma de dublê em outras funções. A questão da indecisão profissional é tão presente que, aos 30 anos, fiz um mapa comum a pessoas começando carreira (!!). Não quero martelar demais a parte elogiosa da coisa, para não ficar uma auto-reflexão egocêntrica em excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. "A sua opinião a respeito das coisas tenderá a ser considerada pelos outros, pois as pessoas percebem esta sua capacidade e emitir julgamentos sólidos. Deste modo, atividades em que você preste algum serviço de consultoria podem ser bastante úteis. Seu é o poder de avaliar, medir, julgar, fazer triagem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso deve ser para quando eu ficar mais velho, porque hoje em dia não dou opinião em nada, e nem me pedem. Falando mais sério, não me sinto assim investido de uma capacidade transparecer tanta confiança para os outros. Talvez seja um ponto a trabalhar ou, talvez, a reconhecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. "Você possui uma concentração de astros na quinta casa astrológica e tal posicionamento múltiplo favorece as atividades criativas e artísticas. Você possui um grande manancial criativo que pode ser bem utilizado e lhe conduzirá ao sucesso caso você se empenhe em aproveitar esta veia artística, persistentemente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que não dá para discutir: estando, ou não, no mapa, eu aceito. Até porque coisa boa a gente não recusa ouvir, principalmente de um programa automático pago para isso. Seria um item bobo, não fosse a informação seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. "Vale lembrar que a Casa 5 é a casa dos jogos, das brincadeiras, dos folguedos. Para você, a atividade profissional tem que ser necessariamente alguma coisa na qual você se divirta. Fazer as coisas por obrigação faz um mal terrível à sua saúde psíquica. Lembre-se sempre disso ao escolher suas atividades! A sua necessidade de expressar a criatividade é vital e uma vida em que não lhe seja permitido fazê-lo seria muito triste."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a grande dimensão da besteira, explícita e escarrada em minha frente desde pelo menos três anos atrás. A coincidência de resgatar um suposto ponto fundamental para a minha felicidade profissional em contraponto com a minha atual não felicidade profissional. Estado esse, de não felicidade, que eu estava bem perto de me resignar, apesar de um excesso de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;indignez-vous&lt;/span&gt; que andei lendo e que será abordado depois, bem depois, quando o meu coração estiver mais sossegado. [&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Indignez-vous&lt;/span&gt; é um livro de Stéphane Hessel, e uma resenha em espanhol pode ser lida &lt;a href="http://acampadacoimbra.blogspot.com/2011/05/indignacao-indignez-vous-destephane.html" target="blank"&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que um mapa astral [e poderia ter sido um livro, um filme, um doido na rua], catalisado pelo estado entranhado de direito de se indignar [recomendo, mesmo, dar uma olhada no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Indignez-vous&lt;/span&gt;], fez com que eu retomasse meus questionamentos com relação ao grau de suportabilidade da não felicidade. E veio como notícia de gravidez inesperada. A gravidez pressupõe concepção, mas na hora de conceber a gente nunca lembra isso, e assusta com a notícia como se fôssemos todos castos. E como uma notícia de gravidez, inesperada, não sei como lidar agora. E culpo o mapa astral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. "Você reúne uma singularidade de traços planetários que sugerem aptidão para o conhecimento e a interpretação de símbolos, daí a afinidade com as 'logias', o estudo dos mitos, a psicologia, a astrologia. A visão ampla é marcante, o que lhe permite certo 'distanciamento' do mundo ao redor, qualidade tão necessária a quem pretende interpretar símbolos. Ainda que você não venha a trabalhar com isso, que tal estudar astrologia, nem que seja como um hobby? Ela poderá lhe ser útil em qualquer área que você porventura venha a atuar! É possível também que você se dirija somente à psicologia ou à psicanálise, mas você sentirá que 'algo lhe falta', daí a busca por algo 'alternativo'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar os highlights, o mapa me manda fazer astrologia. Ou seja, estivesse eu com a cabeça um pouco menos [ou mais] no lugar, chutava o balde amanhã, incorporava a Leiloca e ia viver de mapa astral. Brincadeira à parte, esse é outro traço de personalidade que não incorporei ainda. À exceção do estudo de mitos, que amo, nenhuma psicologia ou psicanálise aplicada fazem parte da minha vida. E no campo esotérico o máximo que fiz foi ler um baralhinho de tarô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, assim como eu mesmo já escrevi algumas vezes, o tempo dirá. Até lá, ou até quando eu resolver minhas questiúnculas com a vida, tudo permanecerá o mesmo. Ou, no máximo, em suspensão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-5934213801255448642?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/5934213801255448642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=5934213801255448642&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/5934213801255448642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/5934213801255448642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/06/natureza-astrologica.html' title='A natureza astrológica'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1525244774897340729</id><published>2011-05-13T14:28:00.002-03:00</published><updated>2011-05-13T14:31:47.598-03:00</updated><title type='text'>Reflexões sobre o pão de queijo</title><content type='html'>Polvilho, óleo, ovo, leite, sal e, logicamente, queijo. Qualquer mineiro, sujeito nascido no Estado de Minas Gerais, tem noção da receita do pão de queijo, mostrada em uma dezena de versões pelo Terra de Minas ou apreendida na cozinha da avó. Nem todos sabem fazer, mas a receita do pão de queijo deve vir transferida por herança genética, ou embutida em alguma vacina obrigatória de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato é que, andando pelas ruas das cidades aqui de Minas, você vai invariavelmente dar de cara com alguma padaria, boteco ou birosca vendendo pão de queijo. Não que gasolina de mineiro seja o pão de queijo, se você perguntar a um mineiro aleatório ele com certeza vai dizer que "nem tanto pão de queijo assim" come, mas o mineiro, sujeito nascido em Minas Gerais, vive em uma dimensão na qual o pão de queijo está disponível em qualquer hora e virou jingle (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;olhe pro céu / veja se amanheceu / vai por na mesa / um pão de queijo quentinho / é bom demais da conta...&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mineiro é assim, cercado de pão de queijo por todos os lados. E mente que não consome. Resolvi fazer a contagem do meu consumo de pão de queijo nos últimos dias. Domingo, café da manhã, minha mãe assou um pacote. Ontem à noite, fome emergencial pós trabalho, um pão de queijo de boteco. Outros dois hoje porque não tomei café da manhã e passei em uma lanchonete aqui perto, que faz o melhor pão de queijo da região. E isso é porque, realmente, não como tanto pão de queijo assim, ou seja, sou um alemão que bebe pouca cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí ser pertinente a ponderação da minha professora de Filosofia, razão, em essência, desse texto aparentemente sem pé nem cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você vai viajar. Adora a ideia, ver um lugar diferente, passear, sair dessa cidade, espairecer a cabeça. No primeiro dia é aquela alegria. Segundo dia, beleza. Dá o terceiro dia começa aquela ansiedade, daí você vai e fala: mas como essa cidade não tem um pão de queijo? Não adianta, ser humano sente falta do hábito."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como negar? E como negar que a comida da sua mãe só não é melhor que a da sua avó, como negar que você gosta sim de usar aquela roupa velha e de dormir no seu colchão que até já afundou no contorno do seu corpo? E por que negar que festa de família é um saco mas você vai assim mesmo, e gosta quando está lá, até sair a primeira briga. E daí você fala que não volta mais, até a próxima festa, e sai de novo e de novo reclamando que o tio Fulano vive enchendo o saco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos, os mineiros e os outros, indivíduos extremamente arraigados a nossa segurança, ao conforto do todo dia, à possibilidade de comprar pão de queijo em qualquer bar de esquina. Em outra mão, tentamos ser transgressores: vamos fazer pós-graduação na Europa, e lá não tem pão de queijo. Mas pedimos pelo amor de deus para a visita trazer um pacote de polvilho. Rompemos com tudo para trabalhar fazendo pesquisa na Antártida, e sentimos saudade do cheiro do arroz com feijão da casa da mãe. Assim fazemos e permaneceremos, até nascer uma nova raça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui avesso a tradições (nem a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;comfort food&lt;/span&gt;). O cotidiano é minha zona de segurança, suficientemente solidificada, em um patamar que, por hoje, afirmo: "não sei viver em um universo no qual não exista o pão de queijo". Daqui algumas luas posso mudar de afirmativa, jogar tudo para o alto e me (re)redefinir. Porém, se me conheço, vou carregar uma sacola com queijo Minas e polvilho para qualquer lugar aonde eu for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1525244774897340729?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1525244774897340729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1525244774897340729&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1525244774897340729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1525244774897340729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/05/reflexoes-sobre-o-pao-de-queijo.html' title='Reflexões sobre o pão de queijo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-4875583288014743488</id><published>2011-05-04T19:27:00.003-03:00</published><updated>2011-05-04T19:35:57.425-03:00</updated><title type='text'>De novo o pato, a morte... e a tulipa</title><content type='html'>Há algum tempo escrevi aqui sobre uma peça de teatro, chamada &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt; Era setembro do ano passado. De lá para cá algumas coisas mudaram: eu li o livro, e a Morte fez um breve passeio por perto. De todo modo, a peça vai entrar em cartaz de novo, por um dia. E vale a pena revisitar, reler, e levar as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Viemos ao mundo para amar a vida.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamos ser difícil ensinar Filosofia a crianças... Talvez não o seja. Talvez seja fácil por demais. Porque as crianças têm uma imensa capacidade de assimilação, de absorção daquilo que a elas é interessante. Difícil, então, não deve ser ensinar. Filosofia, Astronomia, Matemática, Literatura, não importa, a criança é capaz de aprender. Desde que, claro, você desperte a sua atenção e a mantenha interessada. Só que isso, prezado, é tarefa de profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pato, a morte, e a tulipa em questão não são – mas o são – os personagens dos &lt;a href="http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/SubHomeSecao/198/Wolf-Erlbruch.aspx" target="blank"&gt;livros de Erlbruch&lt;/a&gt;. E não o são porque oficialmente não os li. Até tentei, não tinha na loja. Mas são, vieram dos livros e subiram no palco, delicadamente apropriados pela Érica [Lima]. Pato e Morte estão dentro da história que a Érica quer contar. Que é uma história sobre contar histórias. Ou, ainda, sobre como encantar as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, enquanto ator, sou um clown frustrado. Apesar de nunca ter trabalhado ou desenvolvido meu clown, [acho que] sei que o meu personagem vai parar na linhagem dos tristes. Imagino meu clown como aquele &lt;a href="http://www.brimak.com.br/edda/images/pinturas/quadro52.jpg" target="blank"&gt;palhaço horrível&lt;/a&gt; das gravuras da década de 1970. Assistir a um trabalho de clowns, para mim, é exercício que demanda paciência, desprendimento e desapego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt; [a peça de teatro] começa justo com dois clowns. Dois atores totalmente seguros de seu trabalho, e eu pensando em quanto de pirueta e acrobacia, e morrendo de inveja do condicionamento físico dos dois, e trabalho de cena ia ter de ver. Até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que tudo deixa de ter importância e, assim, na história de dois clowns contando uma história sobre contar histórias – que, juro, pensei que ia ter de passar óleo de peroba no rosto, fazer cara de paisagem e dizer que "é interessante" –, de repente a gente vê que o circo todo é montado para – perdão o trocadilho infame – cairmos como patinhos na rede armada pela autora [a Érica Lima], diretores [Marcelo Xavier e a própria Érica], elenco [Marcus Vinícius e Rubens Ramalho]. Somos plena e ludicamente encantados, adultos e crianças da plateia, para mergulhar em águas um pouco mais profundas. Como marinheiros que ouvem o canto das sereias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez nós, público, devidamente rendidos, os atores nos têm na palma da mão. E abusam, dando vida a um Pato – que de pato, fisicamente, só tem o nome – e à inevitável, aquela que está sempre ao nosso lado (e por isso nunca se atrasa), a Morte. E nos fazem presenciar esse encontro, um tanto quanto inusitado, e a refletir sobre o sentido da vida. Cada qual de seu modo, adulto, criança, pato, somos levados a pensar na grande questão de para quê (ou por que) vivemos. E a resgatar a lembrança da finitude da vida. Tudo com uma grande (e abusada) delicadeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Érica [Lima] deveria escrever mais. Deveria atuar mais também, mas isso fica entre eu e ela. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt; está pronta para começar. Se eu fosse você aproveitava a jornada... até mesmo sem levar criança alguma. Afinal, o espetáculo definitivamente não é só para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt;, uma produção do grupo &lt;a href="http://www.realfantasia.com.br/" target="blank"&gt;Real Fantasia&lt;/a&gt;, está em cartaz no &lt;a href="http://www.chevrolethallbh.com.br/programacao/diversao-em-cena-arcelormittal-apresenta-mas-que-historia-e-essa/" target="blank"&gt;Teatro Dom Silvério&lt;/a&gt;, mas só no dia 7 de maio... A entrada (inteira) custa R$10, e não dá pra perder!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tulipa? Bem, a tulipa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-4875583288014743488?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/4875583288014743488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=4875583288014743488&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4875583288014743488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4875583288014743488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/05/de-novo-o-pato-morte-e-tulipa.html' title='De novo o pato, a morte... e a tulipa'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-840122558284804229</id><published>2011-04-12T22:21:00.000-03:00</published><updated>2011-04-12T22:24:09.508-03:00</updated><title type='text'>Conjecturas</title><content type='html'>Toda criatura humana, seja na escola, na faculdade, numa notícia de jornal ou em algum livro qualquer, pelo menos uma vez na vida vai se deparar com o termo Filosofia. Nem que seja em letra de música, mas vai. A palavra pode passar batida para muita gente, mas acontece para algumas pessoas o estudo das ciências humanas. Aí não tem jeito, a sombra da Filosofia vai estar por lá, reinando perene com Aristóteles, Kant, Descartes e seus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado [e, creio, esse ano ainda] foi preciso retomar algum estudo filosófico, coisa que não fazia há dez anos pelo menos. Mas Filosofia a gente não esquece. Ela só fica guardada em algum compartimento empoeirado, no meio dos 90% do cérebro que não usamos, pronta para ganhar um espanador, um pano úmido, um lustra móveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, junto da Filosofia, ponto de partida de minhas conjecturas, chegam duas palavrinhas associadas, como quem não quer nada, que marcam a vida da gente igual lastro de rio: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;felicidade&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dignidade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu professor de Filosofia, se você o teve, deve ter contado que a grande missão do pensamento filosófico é a busca da felicidade. Sob diversos aspectos e teorias, quer através de atitudes altruístas, egoístas, utilitaristas, estoicas ou que as valham, os modos de se alcançar a felicidade serão nosso tema de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou me dar a árdua tarefa de definir felicidade. Ela não existe, já disse algum nosso colega dos tempos de colégio, talvez nós mesmo. Ou só existem na vida momentos felizes, disse outro colega. Deixemos a definição para os grandes e vivamos o caminho da busca. A busca, essa eterna, que bobear não acaba nem depois de morrermos. Busca que pode, e deve, ser pontuada por momentos de satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio na dor, opinião pessoal, e penso que ninguém sente dor por opção. Nem mesmo o masoquista. Não compreendo masoquistas, sádicos e prazeres semelhantes. Aceito os sofrimentos impostos pelo "perpétuo vai e vem de elevações e quedas" (Sêneca) da vida. Mas não creio na dor, no martírio, na opção voluntária pelo sofrimento. Seja o mesmo físico, psicológico ou transcendental. Se existe um deus, no qual acredito e me espelho, esse deus não poderia querer a institucionalização do "choro e ranger de dentes" para toda a humanidade, na qual me incluo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso posto, cabe a mim enquanto escrevente dessas conjecturas, elencar um pequeno paradoxo: "se algo traz dor, e pode ser evitado, por que aceitar?". Existe uma diferença grande entre "aceitar as coisas como elas são", princípio filosófico, e "suportar as coisas por medo do desconhecido". Acontece que, em muitas vezes, a última situação é justificada com base na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos um exemplo pessoal. Se estou falando de perder medos nada mais correto que trazer à baila histórias de vida. Porém, para não perder o ritmo dissertativo, troquemos o pronome pela abreviatura: "M".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M começou a trabalhar em um lugar. M teve medo, na época, de mudar o emprego, mas era boa perspectiva e foi. M gostava do lugar em que agora trabalha. Só que, com o passar do tempo, as coisas mudaram em duas vias. Em paralelo ao aumento da demanda do trabalho de M, que acabou por aprender uma coisa ou duas, vieram pequenas sanções a M e todos os seus colegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar em que M [ainda] trabalha, tudo começou a complicar. Detalhes. Sempre eles. Um exemplo: se M precisava ir ao médico, aquele tempo não era computado como ausência. Hoje [porque, afinal, é a lei], M precisa deixar compensado o período. Nada ilegal, repito. Na semana que vem, M vai tirar seu dente de siso, o último. O deslocamento entre o lugar de trabalho e o dentista deve ser previamente compensado, na forma da lei. Mas M não recebe seu controle de ponto há mais de mês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar em que M [ainda] trabalha, tudo acontece conforme as regras e todos se orgulham disso. O lugar em que M [ainda] trabalha é legalista por definição. Questionamentos se resolvem, repito, na forma da lei. Com isso, no lugar em que M [ainda] trabalha, as pessoas se transformaram. Perderam a parte boa do lado humano para não perder emprego. Todas, ou quase. O próprio M está diferente. Olhando de fora, diriam que M está pacífico. Por dentro, M se sente extremamente passivo. Não participa, acata. E junta muitos papéis. M está cada vez mais cinza, cada vez menos M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, no lugar em que M [ainda] trabalha, resolveram atacar a única parte que M acha boa [boa mesmo, não uma parte boa pelas metades]: a sua cabeça. Querem que M seja só corpo, querem que M deixe de pensar e se especialize como o apertador de parafusos do Chaplin. "Encaixotando M." Mas M, que sempre aceita, que sempre aceita, que sempre aceita, sabe exato o seu ponto de tolerância. M não nasceu para trabalhar na indústria. E está pensando o que fazer. E está pensando tanto, mas tanto, que resolveu contar sua história de forma, digamos, um tanto quanto pública e passível de arrependimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à questão da felicidade, o que você faria no lugar de M? Não é que ele esteja infeliz, chorando pelos cantos em agonia. Feliz, porém, M não está. Nesse momento, M vive na temperatura "morno", aquela coisa indefinida que ninguém assume mas tempera o banho de boa parte da população. M está morno, nem frio nem quente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A resposta ao que fazer vai, necessariamente, passar pela sua paciência em ler um texto gigante como esse e se contextualizar; vai passar também pela sua experiência de vida. Caso você seja casado, com filhos, seu pensamento seria "fica lá até achar outra coisa melhor". Obviamente isso levaria ao continuísmo sedentário, e a espera de outra coisa vem a ser mais ou menos eterna. Se você tem por volta dos 20 anos, diria ao M para "chutar o balde" e foda-se. Mas, aí, como M pagaria as suas [muitas] contas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M, ou eu, não sabe muito bem o que fazer. Porque até pode não parecer, mas M tem, acima da submissão passiva, o grave defeito de ser teimoso. M é arraigado a seus valores e compra briga quando ofendem seus poucos princípios. Aí entra o ponto da dignidade que citei lá no começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou pedir um pouco de licença e citar dois trechos curtos da Constituição do Brasil. Juro que não dói: "Art. 1º A República Federativa do Brasil tem como fundamentos: (...) III - a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dignidade&lt;/span&gt; da pessoa humana; (...)". Pois é. Os deputados que escreveram a Constituição andaram lendo algum livro de Filosofia. E mais: "Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) IV - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;é livre a manifestação do pensamento&lt;/span&gt;, sendo vedado o anonimato; (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do ano passado, lembro bem, tive de fazer para o Enem uma redação sobre trabalho e dignidade da pessoa humana. Totalmente diferente desse texto de agora, mas o sentimento de não-felicidade era semelhante. Comentei com alguns que me vi hipócrita em colocar no papel que os indivíduos deveriam buscar a felicidade no trabalho enquanto eu mesmo não me sentia feliz na condição atual. Mas sublimei. Por medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, e resumindo, a questão é outra. É colocar no papel meu medo de passar fome [extremando a situação] &lt;span style="font-style:italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; valores que definem a minha personalidade, a minha hombridade e o meu caráter. É pensar que a vida, mais uma vez, pediu para eu marcar um xis na opção que achar melhor, e sustentá-la. No fundo eu, ou M, sei bem o que fazer. Falta ela, a coragem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-840122558284804229?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/840122558284804229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=840122558284804229&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/840122558284804229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/840122558284804229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/04/conjecturas.html' title='Conjecturas'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-3883483005990696179</id><published>2011-03-08T15:46:00.002-03:00</published><updated>2011-03-08T15:49:38.793-03:00</updated><title type='text'>A morte do pombo</title><content type='html'>Então como que do nada, os pássaros recomeçaram a dar sinais em minha vida. Há muitos, muitos anos, me ensinaram a ler o voo dos pássaros. Faz tanto tempo que não lembro mais bem como era... algo relacionado à quantidade de pássaros que avistamos no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo importa pouco. Sempre deixei os pássaros [e não as aves de um modo geral] para um plano secundário. Gosto explicitamente dos cães, e sou a favor de pássaros fora das gaiolas. O que logicamente não impede que eu já tenha tido um casal de periquitos e um coleirinho, e havia um melro na casa dos meus avós paternos. E um papagaio na casa da mãe da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, quase nesse instante, tem um bem-te-vi na janela comendo banana. Pelo que entendi, a minha mãe coloca um pedaço de banana todos os dias na janela, e o passarinho vem comer. Recordo que não gosto dos bem-te-vis; esse, contudo, me pareceu bastante simpático. O suficiente para chamar a minha atenção para o fato de que os pássaros, em todas as formas, estão de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente associados à fragilidade e à impermanência, em minha vivência, os pássaros costumam me lembrar que as coisas são finitas, que vão e vêm sem precisão. As coisas não são precisas, e os pássaros remetem a isso. Tudo pode deixar de ser de uma hora pra outra, ou pode vir um vento forte e levar o passarinho para outra direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferente do filme do Hitchcock, no qual os pássaros surgem sem qualquer motivo, normalmente noto a presença dos animais de asas quando estou em algum tipo de entrave pessoal. Minha crise, dessa vez, não é exatamente pública. Ela existe, mas veio intrincada de um modo que ainda não achei a solução simples para resolver o fato. Ela existe e me deixou mais duro e bem menos sociável. Tendo em vista que dar as caras não está na lista de meus esportes favoritos da vez, a situação anda bastante complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos à cena. Descendo da casa da minha avó, perto da praça da cidade, um bando de pombos no meio da rua, alvoroçados. Todos agrupados provavelmente em volta de alguma comida. Todos no meio da rua, sem se importar com o resto do mundo. Veio um carro, atropelou e matou um dos pombos. E eu vi. E eu ouvi o barulho da asa se quebrando, eu vi a morte do pombo. Estranhamente o carro atropelou o único pombo branco do bando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chorei pela morte do pombo, mesmo tendo sido cruel, mas não gosto de mortes de animais. Não mato galinhas [o que não quer dizer que eu não seja carnívoro – ou hipócrita, como queiram], não gosto de touradas. Nem de pescar eu gosto. Mas não chorei pelo pombo. Porque seria, de certa forma, chorar por mim mesmo, e ainda não é a hora disto. O pombo. Ali, estatelado. O pombo foi de certa forma mais um sinal, avisando que está na hora de seguir adiante. Que ficar parado, no meio da rua, mesmo que seja em torno de um monte de comida, é pedir para ser atropelado, ainda que inconscientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então façamos valer o sacrifício do pombo e tentemos, ainda que seja apenas tentativa, deixar toda uma falsa segurança de lado e buscar algo além. Afinal, para que servem as asas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-3883483005990696179?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/3883483005990696179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=3883483005990696179&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3883483005990696179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3883483005990696179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/03/morte-do-pombo.html' title='A morte do pombo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8653511452932819414</id><published>2011-02-25T17:52:00.001-03:00</published><updated>2011-02-25T17:54:07.842-03:00</updated><title type='text'>Inveja do tempo</title><content type='html'>Saindo atrasado e impaciente de casa, tento pegar táxi no lugar de sempre e a rua está, como em todas as sextas-feiras, inviável. Mudo o endereço e vou pegar o carro de praça em meio a um fluxo de gente digno de compras de Natal. E ônibus, muitos. Culpa de quem não sai de casa na hora marcada é trânsito ruim. Que o digam as manhãs de segundas e sextas. Dentro do táxi — e já sabendo que vou invariavelmente chegar fora do horário no trabalho como em todos os outros dias da semana — o motorista comenta sobre a falta de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, diz, está há vinte anos na praça e antes tinha tempo para fazer suas corridas mais um monte de coisas. Hoje gasta o dia por conta do trabalho. Quase respondi eu também ao chofer, mas preferi render o assunto escutando o homem. Que (sorte) não estava com a Rádio Itatiaia ligada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que nosso tempo livre escasseou. A impressão que tive é que, como antes meus horários eram poucos para estudar e fazer nada, isso seria reflexo do ato de ficar adulto. Mas como um senhor na casa dos seus 50/55 anos, ainda não em vias de aposentar porém ao mesmo tempo com uma carreira de taxista bastante extensa, chega à mesma conclusão de alguém (no caso eu), com uma faixa etária diferente? Aí veio o medo: será que aos 55 anos estarei trabalhando muito mais que eu hoje aos 30 e poucos, o suficiente para reclamar que aos 30 a vida era mais folgada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação piora um pouco quando me pego pensando que em novembro completo 15 anos de carreira no mercado editorial. Comecei em 1996 e olhando por esse viés os meus tempos ditos "livres" (e eram livres, eu ia ao cinema à tarde) foram também pontuados por trabalho. Ou seja, eu trabalhava, estudava, matava aula para ir ao boteco, marcava presença em festas e tinha o hábito de não sair sextas nem sábados, porque eram dias para amadores. Na verdade continuo achando isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando passamos minha vida para 2011 a rotina é casa, trabalho, cinema algumas vezes, casa. Deveria ter academia no meio do caminho, terá... (fazendo força para acreditar). Fim. Minha vida não tem festas maravilhosas ou baladas que viram a noite ou episódios memoráveis que renderiam roteiro. Daí a inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeando por perfis de conhecidos (reduzi meus amigos para cerca de uma mão), todo mundo tem festa todo dia. Todo mundo é lindo, todo mundo tem mais dinheiro que eu, todo mundo pode tudo. Festa na terça? Estamos lá enchendo a cara — e não me perguntem a fórmula mágica para trabalhar na quarta-feira. Feriado? Emendamos. Férias? Três vezes por ano, pelo menos, com direito a uma viagem internacional e chuva de fotos. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Et caetera&lt;/span&gt;. Fica a sensação de que o mundo inteiro é mais legal que você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com uma amiga (tenho cinco dedos na mão) ela comenta que na verdade a gente tem uma sensação ampliada do que é de fato real. Que não, as pessoas não são tão interessantes quanto aparentam ser. Que não são tão bonitas quanto parecem, aliás. Mas mesmo assim fica para mim a impressão de ter deixado o meu bonde correr, e jogando para um devir pequenos prazeres que deveriam estar sendo aproveitados agora. Fica uma grande inveja de quem consegue administrar o tempo, ser lindo, descolado, bem relacionado e pagar todas as suas contas. Nesse quesito estou verde, muito verde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8653511452932819414?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8653511452932819414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8653511452932819414&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8653511452932819414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8653511452932819414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/02/inveja-do-tempo.html' title='Inveja do tempo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2794420849485854962</id><published>2011-02-16T22:11:00.003-02:00</published><updated>2011-02-16T22:14:40.496-02:00</updated><title type='text'>(Re)começar. De novo...</title><content type='html'>Então foi assim: todo mundo acreditava, todo mundo meio que dava como certo, todo mundo menos eu. De algum modo o roteiro estava perfeito e redondo demais para simplesmente acontecer assim, quase como em um piscar de olhos. Estudei? Sim. Talvez não tanto quanto os 200 selecionados, mas estudei. Só que um 15 (em 100) na Geografia mandaram o recado de "agora não".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, literalmente, a primeira vez que não passei no vestibular (até quando não queria passava). Sendo coerente com meu texto anterior, as provas estavam tranquilas. O suficiente para eu ter certeza que fui bem – até conferi as correções dos professores de cursinho e meu texto batia com as respostas. Mas quem corrigiu a prova devia estar de mau humor, ou, provavelmente, como me disseram, faltaram os termos chave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, tentando superar o trauma e encerrar esse assunto de vez até agosto, foi válido. Para me despojar de qualquer aura de soberba que provavelmente incorporei e, talvez muito principalmente, para dar valor à coisa quando ela acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é tempo de equilibrar tudo e tentar correr fluido. Voltei a malhar, quero ver se retorno a um peso razoável e deixo a forma de barril para trás de vez; voltei a escrever, aqui pelo menos; tenho novos projetos que incluem, também, novo Enem e novo vestibular. Medo de fazer de novo não tenho; preguiça muita ainda. Mas é preciso e – quem sabe – daqui seis, sete anos eu não diga "olha, ainda bem que não passei de primeira". Aguardemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilha: cd &lt;a href="http://umquetenha.org/uqt/?p=2441" target="blank"&gt;Quanta&lt;/a&gt; (1997), do Gilberto Gil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2794420849485854962?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2794420849485854962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2794420849485854962&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2794420849485854962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2794420849485854962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/02/recomecar-de-novo.html' title='(Re)começar. De novo...'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8903283262298846056</id><published>2011-02-08T19:15:00.004-02:00</published><updated>2011-02-08T19:28:12.821-02:00</updated><title type='text'>Do vestibular</title><content type='html'>Belo Horizonte, todo começo de ano, tem uma campanha de popularização do teatro, com ingressos a preços populares para ninguém ter desculpa de não assistir pelo menos uma peça. Logicamente são rios de comédias, algumas anos a fio em cartaz como se fosse na Broadway, mas dá para peneirar algo interessante. Foi assim, por conta da campanha, que fui assistir à adaptação local do livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Máquina de Pinball&lt;/span&gt;, da &lt;a href="http://clarahaverbuck.virgula.uol.com.br/" target="blank"&gt;Clarah Averbuck&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa não é outra crítica teatral, não sou Barbara Heliodora e não tenho pretensões a. Na verdade a citação à peça é para justificar de onde vi alguém falando que brasileiro tem neurose para chegar na frente. Então, foi lá. Um trio de atores dizendo que enquanto americano, europeu, tem fobia de terrorista, a neurose do brasileiro é esta: chegar primeiro. Sentar na cadeira da frente. Ocupar o banco mais alto do ônibus. Meter o carro em qualquer brecha de asfalto na rua para chegar antes, sabe-se lá o porquê. Só que é verdade e a gente alguma hora tem de parar para pensar qual tipo de educação damos, já que mudar cabeça de velho é mais difícil. Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestibular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei um livro do Luis Fernando Verissimo (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mais comédias para ler na escola&lt;/span&gt;) e ele fala em uma das crônicas do suplício do vestibular; que todo ano é aquele festival de cenas de gente chorando com o portão fechado no último minuto e os que terminam a prova ficam olhando para o infinito com "aquele ar de sobrevivente da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_da_Morte_de_Bataan" target="blank"&gt;Marcha da Morte de Bataan&lt;/a&gt;". Verissimo comenta também o personagem "mãe de vestibulando", geralmente uma figura mais nervosa que o próprio filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que esse ano fiz vestibular. Eu que não tenho filhos e provavelmente não terei, aos 33 anos envolvido com dilema adolescente do mesmo jeito. Tirando que a coisa toda era "para mim". Eu, que não tenho diploma universitário (fui universitário, só não concluí o curso), resolvi dar uma chance ao acaso e — por que não? — mais uma vez me reinventar. O resultado ainda não saiu, parece que soltam a lista no fim do mês, mas tiro algumas conclusões óbvias. De que idade ajuda muito na hora de fazer a prova. E de que a coisa não é tão difícil quanto parece. Posso, claro, ter tirado um zero federal nas provas discursivas; o que não vai me impedir de dizer que elas são, até certo ponto, tranquilas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto qual seria o grande problema que transforma o tal concurso no purgatório de pais de adolescentes? (Porque os filhos, senhores pais, estão nem-aí para prova, fiquem sabendo... Eu estava lá.) Na minha opinião são pelo menos duas as razões do pavor. De que o filho seja burro (e com isso prove que os pais não cumpriram o seu dever social de educar — como se passar em vestibular fosse o exemplo supremo da educação). E, claro, a neurose tupiniquim que me mostraram na peça. Mas como assim &lt;span style="font-style:italic;"&gt;meu filho&lt;/span&gt; não está na lista? Não está, senhora, não está. E agradeça porque ele não está e vai poder passar pelo menos mais um ano amadurecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro o hábito em alguns países (estou com a Inglaterra na cabeça, deve ter outros) de os filhos tirarem um período sabático antes de começarem os estudos ditos profissionalizantes, seja curso superior ou não. Eles vão viajar, passam um tempo em outro país, trabalham, vivem suas vidas. Porque, gente, hipocrisia de lado, aos 17-18 anos (idade que eu entrei na universidade) a garotada quer mais é beber vodka vagabunda, beijar na boca (mais de uma por noite, se puder), fumar sabe Deus o quê, tudo menos estudar. E estão todos exercendo seus plenos direitos de jovens recém-livres e emancipados. Vão quebrar a cara, claro... Quebrar a cara também é direito adquirido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez em minha opinião, deveriam estabelecer idade mínima para se entrar na faculdade. Tem idade para dirigir, idade para beber, idade para ser Presidente da República; que estabeleçam faixa etária para universidade. Não precisa muito, 19 anos e está bom. Nem seria tão polêmico assim. E que nesse intervalo as pessoas possam acumular um pouco mais de bagagem. Para não dormir na aula de filosofia, ou para não ir fazer prova de política completamente de ressaca. Para pensar naquilo que realmente querem. Para poderem aproveitar melhor o dito curso superior, seja ele público ou não. E principalmente para darem um retorno de qualidade à sociedade. Não fiz pesquisa, mas alguém aí arrisca dizer quantos conhecidos fizeram uma faculdade e não exercem a profissão registrada no diploma? Então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8903283262298846056?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8903283262298846056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8903283262298846056&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8903283262298846056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8903283262298846056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/02/do-vestibular.html' title='Do vestibular'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8269946633098624792</id><published>2011-02-06T19:52:00.003-02:00</published><updated>2011-02-06T20:08:49.264-02:00</updated><title type='text'>O correto insuportável</title><content type='html'>Ontem na fila do teatro encontro uma antiga conhecida, professora universitária que nunca me deu aulas, apesar de eu ter estudado no mesmo curso e na mesma faculdade que ela até hoje trabalha. E nos pegamos maravilhosamente conversando sobre como a vida cria mecanismos para ficar cada vez mais, na falta de um melhor termo, chata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era peça infantil e a produção resolveu dar os programas (que tinham uma máscara para recortar e usar depois) somente às crianças. Nem eu nem ela temos filho e logicamente ficamos sem programa. Nisso ela solta que quase disse ser minha mãe e que eu tinha problema mental, para sensibilizar a moça da produção, mas ela achou melhor não fazer, porque dizer que o filho é retardado nos dias de hoje é politicamente incorreto demais e bobear dá processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí me lembrei da reportagem que havia passado no jornal do almoço, uma psicóloga dizendo que não pode mais colocar apelido em criança. A dona provavelmente deve ter passado por um bom trauma nos tempos do colégio, ela transmite todo um background de quem era da turma dos excluídos no colégio. Desajeitada, coitadinha, a gente lá em casa de cara colocou nela um dois ou três apelidos de mulher feia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E comentamos também que está cada vez mais difícil contar piada. Não pode preto, não pode veado, não pode mulher. Também não tem muito mais como contar história, porque negro malvado não pode, mulher vilã não pode, todo mundo tem de ser bonzinho no fim das contas. Tudo precisa estar politicamente correto, ter uma lição positiva, educar para o bem. O que é extremamente chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal a gente sabia que estava para assistir a uma grande mudança de sentido. A peça, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os Saltimbancos&lt;/span&gt;, de cunho político, subversiva, completamente contra o sistema, quase de fundo comunista, ganhou viés ecológico. Os malvados, antes apenas "patrões", agora são traficantes de animais! Como assim... Para quê, com que razão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegui manter a cara boa para o resto do espetáculo. Chico Buarque se visse aquilo deveria era meter um belo processo. Uma educação antissistema, que sobrevive à censura ditatorial e tem lugar na memória de toda uma geração que hoje é composta por pais e educadores, não merecia tanto desacato. A única coisa que quis fazer depois do espetáculo foi fugir. Afinal não podia compactuar com aquela merda. Os Saltimbancos, que venceram a ditadura e ganharam versão dos Trapalhões, rendidos ao politicamente correto. Uma pena. E é chato demais isso. Tomara que não perpetue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No player o cd que acabei de comprar, John Lennon, &lt;a href="http://www.amazon.com/Power-People-Hits-John-Lennon/dp/B003Y8YXEY" target="blank"&gt;Power to the people&lt;/a&gt; (edição remasterizada de 2010 com dvd).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8269946633098624792?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8269946633098624792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8269946633098624792&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8269946633098624792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8269946633098624792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/02/o-correto-insuportavel.html' title='O correto insuportável'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2594367291864417335</id><published>2011-02-06T11:46:00.002-02:00</published><updated>2011-02-06T11:51:14.295-02:00</updated><title type='text'>Pissed</title><content type='html'>Geralmente escrevo uma lista, no começo do ano, de coisas a fazer. Dieta, estudar, malhar, aprender a dirigir. E de coisas a comprar. Mac book air. Mas resolvi fazer, de cara, a lista das coisas que têm-me irritado atualmente. Verdade é que ando fácil de contrariar, mas verdade maior é que ando sem tempo ou fôlego de expurgar minhas irritações na esteira ergométrica. Então, à lista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Primeiro lugar absoluto para gente que reclama de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt;. Seja o ar condicionado ligado, seja o calor, seja o cheiro do detergente, enfim, minha grande irritação hoje em dia está em gente chata. O que ando fazendo para mudar isso: nada, mas resolvi que em meu futuro escritório o ar condicionado ficará a constantes 20 graus e que provavelmente muito poucas mulheres trabalharão comigo. Só as que tiverem um visom em casa, o que não é ecologicamente correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Reunião. Não aguento mais pelo menos uma reunião semanal para discutir besteira. Soube de fontes seguras que na última semana, enquanto eu estava de cama, fizeram reunião sobre o uso de clipes de papel, o que é mais nonsense que a reunião do número 2 do ano passado. Estou a uma vírgula de sair da sala na próxima reunião inútil, sob o prejuízo de me acharem mais doido que o habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Telefonemas de telemarketing. Está na lista porque recebo pelo menos um por dia. Mas já não atendo, graças ao identificador de chamadas. Coitados dos meus amigos de SP se trocarem de telefone e ligarem avisando. 95% das ligações são de lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Gente inútil e/ou sem iniciativa. Chances altas de serem meu próximo estouro, daqueles em que vou baixar meu lado B adormecido e soltar gritos para ouvirem do outro lado da rua. Também, provavelmente, quando eu o fizer, dirão que enlouqueci e acabará em demissão por justa causa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Prazos apertados. Ok que eu vivo com prazos apertados desde o primeiro dia de trabalho. Porém vejo para breve um dia que não vou mais cumprir um prazo e vai dar merda. Muita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, dos cinco quesitos de irritação acima, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;quatro&lt;/span&gt; estão diretamente associados ao meu trabalho. O que significa que perdi vida social, certamente, e que está na hora de reavaliar o meu emprego. O ano dirá. Ou a minha primeira surtada de 2011 dirá. Ou pularei fora do barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilha: Kate Bush, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=owAkE4GLH4w" target="blank"&gt;The Song of Solomon&lt;/a&gt; (1993).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2594367291864417335?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2594367291864417335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2594367291864417335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2594367291864417335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2594367291864417335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/02/pissed.html' title='Pissed'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-7129819630376248700</id><published>2011-02-05T23:14:00.002-02:00</published><updated>2011-02-05T23:24:11.111-02:00</updated><title type='text'>Chacoalhando</title><content type='html'>Na década de 1980, quando algumas pessoas eram crianças, eu inclusive, existia um tipo de medicamento parecido com xarope que se chamava "remédio em suspensão". Tinha uma parte líquida e uma parte mais sólida e a mãe da gente, na hora de servir, chacoalhava para misturar. Lembro de um sabor morango. Pois bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Acho que não é a primeira vez que uso a analogia com o remédio em suspensão para retomar os escritos após um hiato. Mas tenho 99% de certeza de que essa ideia não é exatamente inédita, alguma criatura no mundo já fez a mesma comparação e ninguém vai voltar no tempo procurando algo que escrevi antes só para conferir. Eu não vou.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o remédio, em suspensão, minha vontade de escrever estava parada, precisando de algum tipo de agitação para desencadear qualquer iniciativa. Porém pela lei da inércia algo que está parado tende a permanecer parado, a preguiça impera, a gente arranja tempo para tudo menos escrever, lá se foram meses. Nesses dias, enquanto produção escrita, dois textos para esse blog apagados no primeiro parágrafo, uma redação para o Enem, questões de vestibular e só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo relatar tudo o que aconteceu comigo nesse intervalo de tempo, não faz muita diferença ou, melhor, cabe em pouco espaço: engordei como um porco na ceva, fiz cursinho, estudei mediocremente, fiz vestibular, arranquei dente [e fui a um show de metal]. O resto não importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa de hoje em diante. Quero restabelecer um mínimo de rotina saudável (mental e fisicamente) para mim, e escrever faz parte do processo. Ajuda desde a tirar da cabeça aquelas coisas cotidianas, picuinhas que nos deixam doidos, até a refletir melhor sobre algo realmente importante. Escrever, para mim, mais que um ato de tentar aparecer e conquistar você, leitor, através das minhas voltas em torno de um mesmo ponto, é principalmente um ato introspectivo/reflexivo extremamente saudável. Por isso, e mais para isso, é bom estar de volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei em mudar de endereço, recomeçar, e vi que não. Já estou recomeçando coisa demais e o endereço seria só detalhe. Talvez eu peça pra Rosi uma cara nova, a saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre é bom ter uma novidade, encerro contando um segredo. Vez por outra escrevo com música, para melhorar o meu foco [coisas de quem tem desvio de atenção]. Esse texto foi escrito ao som de &lt;a href="http://www.reginaspektor.com/" target="blank"&gt;Regina Spektor&lt;/a&gt;. Álbum &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Begin to hope&lt;/span&gt; (2006). Sempre que acontecer de eu escrever com playlist aviso aqui no fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-7129819630376248700?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/7129819630376248700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=7129819630376248700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7129819630376248700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7129819630376248700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2011/02/chacoalhando.html' title='Chacoalhando'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1565601583765033950</id><published>2010-11-19T08:00:00.000-02:00</published><updated>2010-11-19T08:00:00.940-02:00</updated><title type='text'>Empirismo</title><content type='html'>Chacrinha, parafraseando Lavoisier, dizia que na televisão nada se cria, tudo se copia. Isso tanto é verdade que qualquer nova ideia é transformada e repetida à exaustão, revista e sampleada pelas emissoras em busca de manter a fidelização do público, aumentar a audiência e, no frigir dos ovos, sobreviver. Nós, consumidores de mídia no início do século 21, demos o azar de nascer na era dos reality shows. Nossos avós ouviram &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O direito de nascer&lt;/span&gt; no rádio a válvula, nós assistimos ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Brother&lt;/span&gt;, nossos netos terão, talvez, alguma coisa no estilo &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=a9uxAhCnkMY" target="blank"&gt;Running Man&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=O0rHH6LQdpI" target="blank"&gt;Truman Show&lt;/a&gt;. Ou, mais provavelmente, consumirão produções específicas criadas por encomenda para seus aparelhos móveis interativos em um nível de personalização tão alto que será preciso rever conceitos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mass-media&lt;/span&gt;, relações de consumo, propaganda etc. Algo que, olhando bem, não é exato especulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo esse não é um paper acadêmico, não pretendo discutir tecnologia de comunicação, informação e reprodutibilidade em um blog pessoal. Não fiz isso na faculdade e não vai ser aqui o meu campo de redenção. O título, empirismo, resume a real proposta. Antes, porém, vamos para o tempo presente pensar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Brother&lt;/span&gt; ou qualquer programa do gênero à escolha. Um senso comum: o ser humano médio tem curiosidade pela vida alheia. Por isso, talvez mais por isso que qualquer outro motivo, existem janelas (e cortinas). A janela, essa que fica na parede, é método primitivo, até certo ponto seguro, ainda utilizado, para se captar informações do mundo externo e, também, transmitir informação. Se chego na janela do meu quarto e o casal do apartamento vizinho está nos dias de amor, magia e sedução, sou culpado por ter visto algo? Seriam eles mais ou menos responsáveis por terem deixado a cortina aberta? Cada um analise a situação a seu jeito, lembrando que o vizinho pode muito bem perceber que está sendo visto e jogar um sapato ou dar um tiro. Conjecturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o senso comum, alguém resolveu industrializar o voyeurismo e transportar a janela da parede para a sala de tevê, atraindo um público razoável, anunciantes dispostos a pagar por propagandas até certo ponto espontâneas, e alguns espectadores, eu entre eles, que compram o direito de exercer a observação do alheio em tempo integral. Já passei do estágio de ter vergonha de assumir algo, respondo pelos meus atos. Continuando. Com os reality shows vieram clichês como "isso é um jogo" ou "só quem está lá dentro sabe de verdade como é". Surgiu também a classe dos "teóricos de reality show". Gente que analisa o comportamento do outro, sem necessariamente ter habilitação em psicologia, e que, por vezes, se coloca no lugar daquele outro, dizendo qual seria sua atitude frente uma situação vivenciada no programa. Esse talvez seja outro lado que atraia parte considerável do público: a possibilidade de fantasiar sobre "como seria comigo se eu estivesse ali", dentro de uma experiência "real", na direção contrária das novelas, que por definição são obras fictícias e acabam trabalhando outro tipo de sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que muita gente concorde com a afirmativa de que teorizar ou fantasiar sobre uma possível atitude frente a determinado acontecimento é totalmente diferente da vivência do fato. Ou seja, por mais que você imagine como será sua reação quando alguma coisa acontecer (uma demissão, por exemplo), só quando aquilo acontece, mesmo assim em função de um sem-fim de variáveis, dá para dizer que "na situação x eu ajo de modo y". Empirismo. Daí o fato de praticamente todos os participantes desse tipo de programa soltarem o famoso "só quem está lá dentro sabe de verdade como é". Afinal, além de conviver com estranhos, existe o clima de programa de tevê, alguma "censura" de não poder falar tal coisa, bronca de diretor, fazer o número dois com uma câmera (ainda que supostamente desligada) em cima etc. Fora a grande frustração de não ser exatamente o esperado. Seja lá qual for o "esperado", o "real" será bastante diferente. Essa afirmativa vale para a vida como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos finalmente ao que interessa: a noção de que existem "teóricos" e "participantes" de reality shows, e que estes constituem categorias distintas. Os primeiros analisam a situação e discorrem sobre ela sem necessariamente terem passado por aquilo (alguns ex-participantes comentam edições posteriores dos programas, o que, na linha de raciocínio que apresento aqui, daria a eles maior credibilidade), os outros passaram por aquilo e sabem como é o processo por um ângulo diferenciado. Empírico. Por analogia, dá para transportar teóricos e participantes para outras situações de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está no plano do conhecimento coletivo que colocar a mão no fogo queima, pôr o dedo na tomada dá choque, comigo-ninguém-pode é planta tóxica, manga com leite não faz mal, chá de boldo cura ressaca. E por mais óbvio que isso possa parecer, precisou de um bendito qualquer morrer comendo comigo-ninguém-pode para comprovar. Pelo menos uma criatura na face da Terra morreu envenenada, afirmo sem fazer pesquisa em lugar algum. Por outro lado, existem coisas que não vão para esse tipo de plano de conhecimento, principalmente por envolverem experiências sensoriais, afetivas ou sinestésicas, que demandam vivência. Sexo, por exemplo. A "primeira vez" é diferente para cada um, não dá para teorizar nem estabelecer regra. Festa de formatura. Casamento. Nascimento de filho. Enem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, no parágrafo de cima está escrito Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, que eu fiz. Em resumo resolvi me reinventar, dar uma chance para a vida acadêmica (ou para o destino) depois de um longo tempo, tentar uma carreira nova, e me inscrevi para o curso de direito na UFMG. Por isso fiz o Enem, o exame é a "primeira etapa" do vestibular. Fui um entre três milhões que sofreram a prova, não tive problema algum. Assim como o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Brother&lt;/span&gt;, no Enem o clichê "só quem fez sabe como é" é perfeitamente aplicável. São dez horas de uma prova não "difícil", mas "desgastante", à qual você dedica parte de seu tempo e algum fosfato. Como em toda avaliação, existe uma tensão em torno, a pessoa acaba por inserir seu emocional no processo e existem logicamente reações diversas. Humanos em estado de tensão, experimentação, avaliação, competição. À exceção do intervalo de tempo e do fato de não haver câmeras, o Enem é uma interessante experiência de "reality".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os "teóricos", a vivência do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Brother&lt;/span&gt; é algo fácil que eles tirariam de letra. Para quem não fez o Enem (categoria na qual eu me incluía), a prova é algo idiota que qualquer um faz com o pé nas costas. Na verdade faz sim: desde que sentado no conforto do seu lar, com calma, tempo, comida e água. Lá, na hora que vale, só quem foi sabe como é, mesmo. Daí minha imensa frustração quando da notícia de que a prova havia sido suspensa (já cancelaram a liminar, mas o processo ainda não acabou, tudo pode acontecer). Eu me senti pessoalmente desrespeitado por terem pegado meu esforço (licença, sou egoísta), amassado como se fosse jornal velho e jogado no lixo. Entendo que, sim, pessoas se prejudicaram. Que elas devem, sim, ter uma nova oportunidade. É justo e a mim não incomoda. Mas é preciso mesmo que, para se fazer justiça, todos tenhamos de passar pelo desgaste uma vez mais? Qual o grau de compreensão da pessoa que decidiu isso? Em algum momento foi considerado que, além de estudantes do ensino médio, havia trabalhadores que faltaram no emprego, pessoas mais velhas que precisam da nota para uma colocação profissional, enfim, uma diversificada gama de cidadãos que investiram tempo útil e dinheiro naquilo? A decisão, arbitrária, veio de um "teórico". Que não sofreu aquela experiência e, talvez, não tenha apreendido bem a importância de sua decisão no campo emocional e profissional de três milhões de pessoas, nem todas elas adolescentes na faixa dos 18 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma situação ideal, no futuro, boa parte dos profissionais na ativa terão passado pelo Enem e serão mais condescendentes com erros. Que, por sorte e por sermos todos sujeitos a falhas, acontecerão. Do ponto de vista de quem "sofreu" a prova posso dizer que não há motivo para cancelamentos. Mas quem sou eu, mero "participante", para discutir com um "teórico", não é verdade? Por enquanto esperamos. Eu e meus colegas de cursinho. Em tempo: agora estudo à noite, razão do grande intervalo entre textos. Até breve!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1565601583765033950?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1565601583765033950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1565601583765033950&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1565601583765033950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1565601583765033950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/11/empirismo.html' title='Empirismo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1829773639717543810</id><published>2010-10-27T10:30:00.002-02:00</published><updated>2010-10-27T10:39:37.979-02:00</updated><title type='text'>Advertência</title><content type='html'>Os textos contidos nessa página refletem a observação e interpretação de momentos específicos. Reservo-me, como qualquer ser humano, o direito de ser incoerente, passional, depressivo e por vezes cruel se assim o couber. Sou, principalmente, um observador da vida, um "colhedor de absurdos", como venho me chamando. E por vezes pego recortes que, dependendo do leitor, podem soar como verdadeiras punhaladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é um ato de rasgar, por vezes. Para ficar escrito o papel precisa ser violado pelo instrumento. Às vezes duro, às vezes prazeroso, por vezes dispensável. Mas ocorrido, acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda advertência: não apago meus textos. Porque, mesmo possível, seria como tentar reescrever o passado. É uma artificialidade que a mim não cabe. Interpretem como quiser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1829773639717543810?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1829773639717543810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1829773639717543810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1829773639717543810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1829773639717543810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/10/advertencia.html' title='Advertência'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8665591222692782092</id><published>2010-10-19T16:26:00.005-02:00</published><updated>2010-10-19T17:48:57.992-02:00</updated><title type='text'>Exercício de memória : personagens</title><content type='html'>Alguns amigos postaram em seus perfis do Facebook esses últimos meses uma brincadeira dos 15 mais. Os 15 livros, 15 filmes, 15 músicas que marcaram a sua vida, fizeram chorar, vão ser sempre lembrados. O desafio, digamos assim, era retornar a mensagem em 15 minutos, compartilhando a lista com o amigo e passando para frente a "corrente" (na falta de um melhor termo). Interessante mas não participei de nenhuma brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar porque sou bobo, chato e feio. Depois porque não tem como eu revirar meu baú mental e pinçar, em um espaço de tempo tão reduzido, 15 aleatoriedades realmente representativas. Mas, sendo mais chato ainda, como gostei da ideia resolvi subvertê-la e preparar uma lista de personagens (reais ou não) que marcaram minha vida. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para o bem e para o mal&lt;/span&gt;. Devem ser 15, mas talvez falte (ou sobre) algum. A ordem de entrada é totalmente randômica, até pensei fazer ordem alfabética, mas vou deixar a memória mandar. Clique no nome da personagem para vê-la no &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Youtube&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=g_Fbynm6M-4" target="blank"&gt;O espelho mágico da Branca de Neve&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Começando de cara com o espelho, um dos coadjuvantes mais interessantes, em minha modesta opinião, do cinema de animação. Nem bom nem mau, o espelho diz a verdade. E filosofa vez por outra. Fora que não tem medo de responder à rainha má que existe alguém mais belo no reino. A rainha, mui respeitosamente, ouve e em momento algum dá uma pedrada no vidro e faz o espelho virar mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=J-o0Dyt2voI" target="blank"&gt;Malévola&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ainda no cinema de animação, Malévola é a vilã e não se discute. Pérfida e cruel como deve ser, irritada, irritante e irritável, musa maligna da minha geração. Bia Falcão aprendeu com Malévola. Sue Sylvester aprendeu com Malévola. Eu... bem, eu também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=v9sAriamSpU" target="blank"&gt;Cassandra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Personagem de Eurípides, personagem da Guerra de Troia, pitonisa, enlouquecida e amaldiçoada. Cassandra foi condenada à privação da confiança. Ela sempre dizia a verdade, e nunca acreditavam nela. Para representar a personagem da peça em que atuei, escolhi a interpretação de Geneviève Bujold no filme &lt;span style="font-style:italic;"&gt;As Troianas&lt;/span&gt;, de 1971. Com Vanessa Redgrave no papel de Andrômaca e Katharine Hepburn arrasando como Hécuba. Taltíbio, personagem que interpretei no teatro, está também no trailer do link.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fGgziqZDFBA" target="blank"&gt;O Advogado&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Sim, eu sou um homem e choro. Um homem não tem olhos? Não tem também mãos, sentidos, inclinações, paixões? Porque é que um homem não devia chorar?" Estudei &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Sonho&lt;/span&gt;, de August Strindberg, aos 15-16 anos. Seria uma peça que eu remontaria hoje, e faria exatamente o mesmo personagem: o Advogado. Arquetípico, não? E pensar que na época, lá no comecinho, queria mesmo ser o Oficial. Foi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Sonho&lt;/span&gt; que me levou a Bergman, e à personagem abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=orn-MsF_nuE" target="blank"&gt;Ismael Retzinsky&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ismael é um garoto mantido num quarto fechado. Extremamente sedutor, assim como o pequeno universo em que vive. Andrógino, é interpretado por uma atriz (Stina Ekblad) em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fanny e Alexander&lt;/span&gt;. Se eu pudesse em meu leito de morte escolher uma cena de filme para assistir seria, sem dúvida alguma, essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8_-UJtZwjRI" target="blank"&gt;Don Vito Corleone&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A descrição mais difícil de ser feita sem cair em clichê. Então resumo assim: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;canceriano&lt;/span&gt;. Pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WBCoNnWdXVI" target="blank"&gt;Bacana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Qual menino da minha idade não queria ser o Bacana? O personagem, como não poderia deixar de ser, estigmatizou o Jonas Torres de um jeito que o moço foi virar marinheiro nos EUA. Mas o Bacana era bacana demais! E a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Armação Ilimitada&lt;/span&gt; tinha, acho, algum roteiro. E tinha Zelda, Ronalda, o Chefe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OfowVslQBQk" target="blank"&gt;Stalker&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Stalker&lt;/span&gt; foi um filme que só assisti uma vez, e acho que provavelmente dormi em parte dele. Produção típica do Tarkovsky, clima onírico com longas tomadas, o principal do personagem Stalker é mesmo o nome. Toda vez que alguém menciona o termo "stalker" (extremamente comum nos dias de hoje) são essas imagens que me vêm à cabeça na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.dvdtalk.com/reviews/images/reviews/190/1280666115_4.jpg" target="blank"&gt;Fania Fenelon&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A amarga sinfonia de Auschwitz&lt;/span&gt; traz Vanessa Redgrave (de novo ela) com a cabeça raspada interpretando uma prisioneira judia que sobrevive a Auschwitz por causa da música e de uma orquestra de presidiárias. A Fania real não gostou muito de ter sido interpretada pela Vanessa. Pelo que lembro do filme, foi um dos que mais chorei em toda minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3aZ6xwt8-_I" target="blank"&gt;Eduardo II e Gaveston&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Referência ao rei da Inglaterra, o filme de Derek Jarman ainda me marca até hoje. Não tenho como escolher apenas um do casal gay real. Mas a cena mais marcante do filme, para mim, é o menino maquiado, de brincos, sobre a jaula do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QduPWn4CPx0" target="blank"&gt;Macunaíma&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Consigo descrever exatamente a noite em que assisti a esse filme na casa da minha mãe e fiquei chocado com o parto do Macunaíma. Não lembro se para a faculdade (dela) ou para a escola (minha), Macunaíma apareceu lá em casa para ajudar na leitura de um livro. Até hoje não gosto quando o Grande Otelo vira Paulo José.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=o8xNKT31L5k" target="blank"&gt;Mary Matoso&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Das melhores personagens da Patrícia Travassos em uma novela que marcou a minha adolescência. Dessas coisas de querer chegar em casa logo só para ver &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vamp&lt;/span&gt;. Na memória a cena em que ela, de posse do comando da rádio da cidade, obriga o lugar inteiro a ouvir Recuerdos de Ypacaraí na sua linda voz de gralha velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=z_hIp9Irao8" target="blank"&gt;Baronesa Eknésia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se a telenovela é a educação sentimental do brasileiro, a Baronesa com certeza é a melhor professora. De brinde a Rainha Valentina, em uma interpretação impecável da Tereza Rachel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ucKBrfyFwKs" target="blank"&gt;Beato Salu&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha medo do Beato Salu, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=EMiw4NDI7AM" target="blank"&gt;Perpétua&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar com uma vilã. Figura inesquecível com a misteriosa caixa branca, na qual ela guardava o membro decepado do falecido marido. A minha mãe me proibiu de assistir a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tieta&lt;/span&gt;, porque chamei a emprega de fedaputa. Por isso tenho um lapso de memória de certos trechos da novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista pode aumentar, só que vou parar aqui. Afinal são 15 apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Update: pouco tempo depois de eu postar vi que o link de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A amarga sinfonia de Auschwitz&lt;/span&gt; foi "banido" do Youtube e não achei outro. Deixei a foto da Vanessa no lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8665591222692782092?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8665591222692782092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8665591222692782092&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8665591222692782092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8665591222692782092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/10/exercicio-de-memoria-personagens.html' title='Exercício de memória : personagens'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-7246579566273253426</id><published>2010-10-16T17:13:00.002-03:00</published><updated>2010-10-16T17:17:21.583-03:00</updated><title type='text'>Sobre o amor: re[in]flexões</title><content type='html'>Uma das grandes mentiras vendidas em loja é o jogo de cama de casal 4 peças: dois lençóis, duas fronhas e só. Jogo de cama (de casal) deveria ter no mínimo um lençol extra, para evitar que um roube o lençol do outro no meio da noite. Não sei como era no tempo de nossas avós, mas tenho cá comigo que essa ideia de duas pessoas sob um mesmo pano deve ter nascido com o conceito de amor romântico, aquele inventado em algum começo de século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos a tradição amorosa anterior à literatura romântica – aquela com amores impossíveis, tragédias arrebatadoras e melodramas de cortar o coração, escritos por Shakespeare, Tomás Gonzaga (o da Marília de Dirceu), Glória Magadan e Janete Clair, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amores se arranjavam, amores eram desvinculados da instituição casamento. O ato de casar era visto como negócio que, e principalmente, por ser negócio, durava toda uma vida. O convívio entre os arranjados viria a tornar a relação, se não sólida, suportável na maioria das vezes. Assim como nos dias de hoje, relacionamentos abusivos existem, e aqui quero enquadrar a questão apenas da maioria, deixando para dramaturgos a função de explorar melhor as donzelas fugidas com cavaleiros e as escravas raptadas tornadas senhoras de engenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casamentos [não amores] davam certo, duravam. Amores, como a expectativa de vida, eram aventuras de curto prazo e algumas lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que alguém resolveu dar nome e sentido ao conceito de amor que temos hoje: esse que passa na novela e termina quase sempre em final feliz. Também dá as cartas no que chamamos comédia romântica, nas literaturas de banca de revista (Bianca, Sabrina, se é que ainda vendem isso), na programação do rádio. Tudo ou quase fala de amor, da expectativa do amor, da realização do amor e dos felizes para sempre sobe o letreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, claro, não é o encantamento inicial. Vive-se um tempo em que casamento continua sendo negócio [não duvide], porém com uma margem de risco superampliada e a inevitável sensação de que vai dar errado a qualquer momento. Por que seria, pergunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se temos maior acesso a informação, maior possibilidade de escolha [&lt;span style="font-style:italic;"&gt;rá, maior possibilidade implica também em mais chances de erro&lt;/span&gt;] e principalmente liberdade de escolha, qual a razão de um relacionamento por definição livre, iniciado pelo conceito externalizado do Amor, ou seja, nos moldes da educação sentimental pregada pelos melodramas, se somos pessoas privilegiadas por conseguir reunir as condições idealizadas por uma gama de autores ditos românticos, qual a razão para tudo de repente ir por água abaixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta que respondo assim: pela ampla falta de respeito próprio. Entenda, não digo que as pessoas não se respeitam mais umas às outras, talvez até se respeitem mais do que deveriam. Porém esqueceram-se de se dar o respeito. Eu mesmo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mea culpa&lt;/span&gt;, assumo, sou um intenso desrespeitador de mim. Não levanto limites, não imponho barreiras e, grave erro, aceito muita coisa sem discutir. Conviver é ceder em partes, com algum tipo de contrapartida. Mas quando se cede demais é como aquela famosa historinha: anteontem mataram o gato e não fiz nada, hoje voltaram e queimaram a minha casa, violentaram minha mulher e eu... Permaneci fazendo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há mais nada o que se fazer. Apenas dar chance ao fim e a um possível recomeço, seja qual for. Recomeçar é sempre bom e necessário. Sem nunca, claro, abandonar o que se aprendeu. Por agora tenho uma grande vontade de fim. E deixo uma dica para quem for montar casa: compre um lençol extra para todo jogo de casal. Por ora, agora, fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-7246579566273253426?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/7246579566273253426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=7246579566273253426&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7246579566273253426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7246579566273253426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/10/sobre-o-amor-reinflexoes.html' title='Sobre o amor: re[in]flexões'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2415048684186248160</id><published>2010-09-25T13:24:00.002-03:00</published><updated>2010-09-25T13:32:16.488-03:00</updated><title type='text'>O pato, a morte e a tulipa</title><content type='html'>"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Viemos ao mundo para amar a vida.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamos ser difícil ensinar Filosofia a crianças... Talvez não o seja. Talvez seja fácil por demais. Porque as crianças têm uma imensa capacidade de assimilação, de absorção daquilo que a elas é interessante. Difícil, então, não deve ser ensinar. Filosofia, Astronomia, Matemática, Literatura, não importa, a criança é capaz de aprender. Desde que, claro, você desperte a sua atenção e a mantenha interessada. Só que isso, prezado, é tarefa de profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pato, a morte, e a tulipa em questão não são – mas o são – os personagens dos &lt;a href="http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/SubHomeSecao/198/Wolf-Erlbruch.aspx" target="blank"&gt;livros de Erlbruch&lt;/a&gt;. E não o são porque oficialmente não os li. Até tentei, não tinha na loja. Mas são, vieram dos livros e subiram no palco, delicadamente apropriados pela Érica [Lima]. Pato e Morte estão dentro da história que a Érica quer contar. Que é uma história sobre contar histórias. Ou, ainda, sobre como encantar as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, enquanto ator, sou um clown frustrado. Apesar de nunca ter trabalhado ou desenvolvido meu clown, [acho que] sei que o meu personagem vai parar na linhagem dos tristes. Imagino meu clown como aquele &lt;a href="http://www.brimak.com.br/edda/images/pinturas/quadro52.jpg" target="blank"&gt;palhaço horrível&lt;/a&gt; das gravuras da década de 1970. Assistir a um trabalho de clowns, para mim, é exercício que demanda paciência, desprendimento e desapego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt; [a peça de teatro] começa justo com dois clowns. Dois atores totalmente seguros de seu trabalho, e eu pensando em quanto de pirueta e acrobacia, e morrendo de inveja do condicionamento físico dos dois, e trabalho de cena ia ter de ver. Até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que tudo deixa de ter importância e, assim, na história de dois clowns contando uma história sobre contar histórias – que, juro, pensei que ia ter de passar óleo de peroba no rosto, fazer cara de paisagem e dizer que "é interessante" –, de repente a gente vê que o circo todo é montado para – perdão o trocadilho infame – cairmos como patinhos na rede armada pela autora [a Érica Lima], diretores [Marcelo Xavier e a própria Érica], elenco [Marcus Vinícius e Rubens Ramalho]. Somos plena e ludicamente encantados, adultos e crianças da plateia, para mergulhar em águas um pouco mais profundas. Como marinheiros que ouvem o canto das sereias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez nós, público, devidamente rendidos, os atores nos têm na palma da mão. E abusam, dando vida a um Pato – que de pato, fisicamente, só tem o nome – e à inevitável, aquela que está sempre ao nosso lado (e por isso nunca se atrasa), a Morte. E nos fazem presenciar esse encontro, um tanto quanto inusitado, e a refletir sobre o sentido da vida. Cada qual de seu modo, adulto, criança, pato, somos levados a pensar na grande questão de para quê (ou por que) vivemos. E a resgatar a lembrança da finitude da vida. Tudo com uma grande (e abusada) delicadeza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Érica [Lima] deveria escrever mais. Deveria atuar mais também, mas isso fica entre eu e ela. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt; está pronta para começar. Se eu fosse você aproveitava a jornada... até mesmo sem levar criança alguma. Afinal, o espetáculo definitivamente não é só para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas que história é essa?&lt;/span&gt;, uma produção do grupo &lt;a href="http://www.realfantasia.com.br/" target="blank"&gt;Real Fantasia&lt;/a&gt;, está em cartaz no &lt;a href="http://www.galpaocinehorto.com.br" target="blank"&gt;Galpão Cine Horto&lt;/a&gt;, dentro do projeto "Semana da Criança no Teatro". A estreia é hoje, dia 25 de setembro, às 17h. Eu sou chique, a Érica passou lá no meu trabalho e me deu um convite para a pré-estreia. Se não der tempo de você ir hoje, tem amanhã também, e nos dias 2 e 3 de outubro, no mesmo horário. A entrada (inteira) custa R$20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a tulipa? Bem, a tulipa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2415048684186248160?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2415048684186248160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2415048684186248160&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2415048684186248160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2415048684186248160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/o-pato-morte-e-tulipa.html' title='O pato, a morte e a tulipa'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2653536844656766797</id><published>2010-09-23T13:35:00.001-03:00</published><updated>2010-09-23T13:36:56.844-03:00</updated><title type='text'>Leitura dinâmica</title><content type='html'>Preciso aprender a&lt;br /&gt;escrever parágrafos&lt;br /&gt;menores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;estou para desenhar esse haicai no meu caderno há 15 dias&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2653536844656766797?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2653536844656766797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2653536844656766797&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2653536844656766797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2653536844656766797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/leitura-dinamica.html' title='Leitura dinâmica'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2252241144846094531</id><published>2010-09-22T15:25:00.003-03:00</published><updated>2010-09-22T15:51:04.987-03:00</updated><title type='text'>Um pouco de história da arte</title><content type='html'>O ano era 1970, abril. Eu, logicamente, só viria a nascer alguns anos depois. Meus pais, vizinhos que brigavam desde a infância, já se conheciam, bobear até namoravam, não sei. Aqui em Belo Horizonte acontecia uma exposição chamada &lt;em&gt;Objeto e participação&lt;/em&gt;, com uma manifestação paralela chamada &lt;em&gt;Do Corpo à Terra&lt;/em&gt;. Eram os anos de ferro, o ecologicamente correto ainda não estava em alta, e os artistas mais engajados aproveitavam o contexto social para se manifestar como podiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Objeto e Participação&lt;/em&gt; consistiu numa exposição coletiva, realizada no saguão do Palácio das Artes com trabalhos experimentais, abertos à participação do público, de Franz Weissman, Tereza Simões, José Ronaldo Lima, Humberto Costa Barros, Guilherme Vaz, Carlos Vergara, Ione Saldanha, Odila Ferraz, Cláudio Paiva, George Helt, Orlando Castaño, Manoel Serpa, Manfredo Souzanneto, Terezinha Soares, Yvone Etrusco, Nelson Leirner e Marcelo Nistche. &lt;em&gt;Do Corpo à Terra&lt;/em&gt; foram propostas conceituais realizadas durante três dias no parque e nas ruas da cidade. Os artistas não apresentaram obras, mas realizaram várias ações: &lt;em&gt;Cildo Meireles queimou galinhas vivas em homenagem ao sacrifício de Tiradentes&lt;/em&gt;; Dilton Araújo cercou o Parque Municipal com uma corda; Lotus Lobo plantou sementes; Luis Alphonsus queimou uma faixa de pano de 30 metros; Eduardo Ângelo rasgou vários jornais velhos; Luciano Gusmão fez um mapeamento do Parque, dividindo as áreas livres das áreas de repressão; [Artur] Barrio jogou trouxas de carne e osso no Ribeirão Arrudas; Lee Jaffe executou a proposta de Oiticica, desenhando uma trilha de açúcar na Serra do Curral e eu fiz apropriações fotográficas de vários locais da cidade. &lt;em&gt;Do Corpo à Terra&lt;/em&gt; foi a última e mais radical manifestação coletiva da vanguarda brasileira" (Depoimento de Frederico Morais a Marília Andrés Ribeiro no livro &lt;a href="http://www.comartevirtual.com.br/sinopse5.htm" target="blank"&gt;Neovanguardas&lt;/a&gt;: Belo Horizonte – Anos 60. Belo Horizonte: C/Arte, 1997).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte em que o Cildo Meireles queimou galinhas vivas foi grifada por mim. Não sei até que ponto queimar galinha era normal e aceitável na década de 1970, mas lembro o choque que tive quando assisti a Marília falando isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Como se ele estivesse descascando uma cebola. Ó gente, ele queimou galinha mas era arte. E ok, era arte mesmo, havia uma proposta por trás daquilo tudo que tinha muito a ver com o estado da sociedade civil da época. Se lembro bem da aula, apesar do choque que deve ter causado, não tivemos manifestações de populares pulando no fogo para salvar as galinhas da fogueira. Galinhas D'Arc. Quarenta anos depois Cildo é um artista plástico bastante conhecido, só deve queimar galinha no forno de casa, e virou verbete na &lt;a href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&amp;cd_verbete=581" target="blank"&gt;Enciclopédia Itaú de Artes Visuais&lt;/a&gt;. Na onda do politicamente correto, a queima de galinha está disfarçada sob o título da obra (&lt;em&gt;Tiradentes - Totem-monumento ao Preso Político&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente uma manifestação artístico-política desse nível não tem lugar na sociedade atual. Com internet e globalização na jogada, um pobre coitado costa-riquenho pretendente a artista, Guillermo Habacuc, &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/10/17/o_cachorro_que_morreu_de_fome_em_nome_da/" target="blank"&gt;lá na Nicarágua&lt;/a&gt;, caiu na besteira de, em pleno 2007, pegar um cachorro de rua e prender dentro de uma galeria de arte sem água nem comida até o cachorro morrer. O erro do Habacuc (atenção: eu tenho duas cachorras e a minha vontade é sim de pegar o tal artista e deixar preso numa corda até morrer de fome e sede, só que a sociedade já o execrou o suficiente) foi de data e, principalmente, de falta de inteligência. O pateta achou que com pleno &lt;a href="http://www.peta.org/" target="blank"&gt;PETA&lt;/a&gt; e movimentos de defesa dos animais na parada a sua arte (e ok, é arte sim, mas uma arte totalmente fora do contexto mundial atual – e me reservo o direito de não saber nada sobre a situação política nicaraguense quando da instalação) seria aclamada. Caiu no esquecimento e provavelmente a próxima obra "do gênero" que ele fizer vai acabar em paulada na cabeça (dele). Há versões e versões para a história do cão. Pesquisando links para esse texto vi, &lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL421044-7084,00-ARTISTA+NAO+REVELA+SE+DEIXOU+CAO+MORRER+DE+FOME+EM+INSTALACAO.html" target="blank"&gt;no G1&lt;/a&gt;, que o cachorro teria fugido e só ficou sem alimentação durante o período da instalação. Enfim, o caso do cachorro é apenas elemento ilustrativo para o parágrafo seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29ª Bienal de São Paulo, 2010. Gil Vicente apresenta a série &lt;a href="http://www.divirta-se.uai.com.br/html/galeria_foto/2010/09/22/galeria_mostrar/id_galeria=2664/galeria_mostrar.shtml" target="blank"&gt;Inimigos&lt;/a&gt;, desenhos nos quais ele se representa matando líderes mundiais, como o Papa, a Rainha da Inglaterra, o presidente Lula, George Bush e por aí vai. Desenho, traço. Nem dá para dizer que é hiper-realismo, as imagens são basicamente grafite sobre papel. Instaladas em um espaço criado para se pensar a arte, para se mostrar arte contemporânea. Não tem galinha queimando, não tem cachorro passando fome. Mas tem, claro, polêmica (também conhecida como o ato de falar mal para que uma coisa besta vire sucesso). Entraram com um recurso no Ministério Público, alegando que a obra faz apologia ao crime e deve ser retirada da Bienal. Será que deve mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo uma pequena retrospectiva (recente) da arte cinematográfica, vou elencar dois títulos: &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0276919/" target="blank"&gt;Dogville&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0361748/" target="blank"&gt;Bastardos Inglórios&lt;/a&gt;. Dois filmes, cada um do seu jeito, que levam o espectador a um processo catártico, em um final coroado com assassinatos brutais embutidos em cenas maravilhosas que me fizeram sair do cinema de alma lavada. Mataram Hitler na ficção. Mataram todos os habitantes de Dogville, bem feito, eles mereciam. Daí me pergunto, deveria o Ministério Público intervir, alegando que os filmes fazem apologia à violência? No cinema nacional, o filme &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0861739/" target="blank"&gt;Tropa de Elite&lt;/a&gt; encerra com um policial dando um tiro na cara de um bandido rendido. Isso não é crime também? E qual a diferença entre imagem em movimento e grafite sobre papel, alguém me explica? Copiando o blog da &lt;a href="http://blogdabarbara.folha.blog.uol.com.br/arch2010-09-19_2010-09-25.html#2010_09-21_17_37_49-146874135-0" target="blank"&gt;Barbara Gancia&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que [Flávio] D’Urso [presidente da OAB/SP que entrou com a ação no MP] ache impróprias imagens mostrando o artista pronto para executar figuras públicas como a rainha Elizabeth, FHC e Lula ou diga que a obra incita a violência não significa absolutamente nada, tem efeito prático zero, não vai dar em nada, não traduz o desejo da sociedade, revela apenas a ignorância e a falta de compreensão de uma pessoa que não estudou o suficiente para se manifestar sobre arte."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, brincando de ministro, daria ao proponente a seguinte resposta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Prezado senhor, agradecemos o seu pedido. No momento, porém, temos mais o que fazer e não demonstramos interesse em avaliar obra de arte. A competência dessa avaliação cabe à curadoria da exposição, que deve ter lá seus motivos para pendurar os quadros. Reclame com eles se não gostou, faça uma petição na internet, passe uma corrente para os amigos, diga para ninguém entrar ou, como já virou moda no Ibirapuera, pegue uma lata de spray e piche os quadros. Só não reclame depois se for preso. Da nossa parte, cremos que o MP não tem competência para instituir censura de qualquer espécie, e é perda de tempo censurar aquilo que está rodando a torto e a direito na internet exclusivamente por sua causa. Caso haja interesse em ocupar seu tempo ocioso com alguma atividade proveitosa, gentileza entrar em contato com a Maria, a atendente do cafezinho. Temos xícaras e pires a lavar. Sem mais."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2252241144846094531?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2252241144846094531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2252241144846094531&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2252241144846094531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2252241144846094531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/um-pouco-de-historia-da-arte.html' title='Um pouco de história da arte'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6932935056718968608</id><published>2010-09-21T14:56:00.002-03:00</published><updated>2010-09-21T15:05:06.756-03:00</updated><title type='text'>60 Minutos (voo solo em três atos)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ato 1: 2008&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No meio das atividades que desempenho todos os dias está o papel de professor de inglês. Não sei se gosto. Gosto de dar aulas, é bom. Porém como não sou muito chegado em gente burra, a minha paciência enquanto professor fica bastante reduzida. Entenda: ninguém tem obrigação de saber inglês, aulas existem para ensinar. Só que existem professores e professores e, se tenho o dom, deve ser mais para administrar grupos de discussão. Ou não, até porque, paradoxo, opto sempre por trabalhar com iniciantes. Também não gosto de corrigir prova, preencher diário de classe, toda aquela burocracia que acompanha o ato de lecionar em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem muita viagem, esse é um texto em três atos, ainda estamos no segundo parágrafo e eu não disse a que vim, enquanto professor vez por outra a gente tem treinamentos, eventos geralmente patrocinados por alguma editora de livros didáticos da área, nos quais a gente vai para ouvir alguém falar em inglês sobre como dar aulas de inglês, receber propaganda, concorrer a um kit de livros, encher a barriga no coffee-break e, claro, mostrar aos outros professores concorrentes o quanto você sabe falar em inglês. Rebelde como sou, geralmente nesses eventos respondo em português a qualquer idioma que falem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008, o último dos eventos a que fui, um autor paulistano especializado no ensino para crianças comparava o processo de aprendizagem a uma corrida. Ilustrou a fala com fotos dele mesmo participando de uma prova de rua, imagens do homem devidamente trajado para a competição, se alongando para a prova, durante a corrida e, claro, chegando no final. Tirando o mico que o cara pagou, em algumas fotos ele fazia caras e bocas de ator de cinema mudo, achei a ideia interessante. Quem participa de provas de corrida (amadores, deixemos os corredores profissionais para lá) sabe que o objetivo é concluir a prova respeitando os próprios limites. Por isso todo mundo ganha medalha. Ensinar um idioma é dar a pista para a pessoa correr dentro de sua capacidade. Importante é o percurso; a chegada é consequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ato 2: 2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Comecei o ano de 2009 com 101 quilos e terminei com 79. Não se animem, ganhei peso depois disso e tenho um longo caminho em busca dos 75 ideais segundo a matemática. No começo do ano não dei aulas, por isso não frequentei palestras. Dei um tempo para cuidar de coisas básicas como emagrecer, diminuir o colesterol, a capa de gordura e evitar um diagnóstico precoce de diabetes. Enfim: manter-me vivo com um mínimo de decência e sem dar trabalho a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de retomada da saúde física envolveu dieta, controle médico e exercícios. Tive de colocar na cabeça que academia passaria a fazer parte da minha rotina pelo resto da vida, que chá verde não é o fim do mundo (beba quente: frio ou morno amarga horrores), que produtos integrais são nossos amigos e que não, não pode comer doce todo dia. Também tive de enfrentar alguns monstros como peitoral voador, elipticon, banco extensor, remo e graviton. Depois da tortura medieval dava para pelo menos ligar a esteira e, como sou um rapaz comportado, o povo da academia me deixava em paz até mesmo para ficar mais tempo que o permitido para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época que aconteceram eventos, não lembro exatamente em que ordem. Um dos estagiários da academia me viu na esteira, disse que eu tinha “uma boa arrancada” e que deveria correr na rua. Eu ri, não muito obrigado. Outro estagiário resolveu criar um grupo de corrida e me chamou, não muito obrigado. A minha médica, Dra. Ângela, disse que eu devia correr na rua, eu ri de novo e disse que ela estava louca. Uma amiga minha começou a correr e vivia me chamando e eu, não, não tenho treinamento para isso. Mas uma vez tentei fazer uma inscrição: esgotada. Interpretei como sinal de não é para mim, principalmente depois de ouvir dentro de casa que não tenho condicionamento físico para isso, que minha família sofre do coração e que eu poderia ter um troço no meio da corrida, cair duro e morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ato 3: 2010&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No segundo semestre de 2009, mais ainda no começo desse ano, voltei a dar aulas toda noite ou quase. Hoje meu horário útil enquanto professor, de segunda a quinta, encerra às 20h. Sábado de manhã até o meio-dia. Com isso dei uma desandada geral na academia, na dieta, voltei a ter o chocolate amargo como amigo e companheiro de colégio. Resultado engordei. Fim, vamos recomeçar. A Dra. Ângela até entendeu algumas de minhas razões mas o fato real é que dei mesmo uma desanimada. Acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como cada um tem seu tempo, resolvi que não tenho bolso para ficar trocando de guarda roupas toda vez que mudo de corpo e que eu tinha de novo de tomar vergonha na cara e deixar a moleza de lado. Retomei, em parte, a academia, indo sempre que dava. (Um aparte: o mais difícil de ir à academia não é fazer os exercícios e sim romper a barreira que separa o seu lugar de origem, casa, trabalho, da academia propriamente dita. Uma vez lá dentro, acredite em mim, você faz tudo normalmente.) Como fiquei parado um tempo, a professora me deu "bomba", voltando para os aparelhos básicos e alternando com atividade aeróbica como se fosse um circuito. Praticamente não posso parar muito além dos 20 segundos de intervalo entre uma série e outra, dói pra caramba, mas é preciso fazer o corpo voltar a lembrar que ele se mexe e não fica só jogando fazendinha nas horas vagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com a mesma amiga que vivia me chamando para correr na rua, ela tanto insistiu para eu participar de uma prova (revezamento) com ela, que enfim cedi. "Põe logo meu nome nessa coisa então e me dá sossego", falei. 5 milhas, ou 8 quilômetros. Em casa foi o caos: você vai morrer, tem de preparar mais um ano, vai cair duro no chão, não vai dar conta. Fiquei mesmo com medo, sou um cagão. Mas fui. Ok, fui porque bateram uma aposta que eu não ia, e quer me fazer fazer alguma coisa é dizer que eu não vou. Teimoso, eu? Imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo passado acordei seis da manhã. Seis e meia na rua, carona pro local da corrida. Que começou as oito, mas como eu era o número dois tive de esperar minha amiga terminar a primeira parte do percurso, pouco mais de uma hora. Nove e dois lá estava eu com uma rua pela frente, me orientando exclusivamente por um tanto de cavalete e fita zebrada. Com música no ouvido, &lt;a href="http://podOmatic.com/r/jE9sj" target="blank"&gt;um podcast que baixei&lt;/a&gt; na última hora (duração: 1h40, achei que dava para acompanhar a corrida toda sem mudar de faixa), e meus tênis. Só. Correndo. Com o vento frio na cara. E achando bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto comprova: &lt;a href="http://www.twitpic.com/2qngrb" target="blank"&gt;corri&lt;/a&gt;. Gostei. E como estou escrevendo dá para deduzir que não morri. Hoje fui na Dra. Ângela &lt;a href="http://www.twitpic.com/2qa82e" target="blank"&gt;com a medalha&lt;/a&gt; (todo mundo que termina a corrida ganha medalha, lembra?) e ela, toda feliz, falou para eu fazer a volta da Pampulha ano que vem, a louca. Por enquanto vou devagar. Dia 23 de outubro tem a &lt;a href="http://o2porminuto.uol.com.br/nightrun/bh/index_bh.html" target="blank"&gt;night run&lt;/a&gt;, inscrevi para os 5km. Três a menos que domingo, achei melhor assim. 10km é muito para os meus atuais 88kg. Enquanto isso vou treinando, não posso fazer feio. Coisa interessante é que meu rendimento na rua foi maior na esteira: 8km em quase 60 minutos. Achei que fosse ser diferente. Sobraram 40 minutos do podcast.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6932935056718968608?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6932935056718968608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6932935056718968608&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6932935056718968608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6932935056718968608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/60-minutos-voo-solo-em-tres-atos.html' title='60 Minutos (voo solo em três atos)'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-3554127814597905095</id><published>2010-09-17T14:56:00.003-03:00</published><updated>2010-09-17T15:06:30.332-03:00</updated><title type='text'>Cría Cuervos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Blogs.&lt;/strong&gt; Lugares bons para se permanecer exposto a quem não quer, e esconder os escritos de quem realmente interessa. Lembro que quando comecei meu antigo blog de regime – já comentei isso antes – passeei por outros similares e vi que tudo parecia livro de autoajuda. Eu hoje pesei, emagreci 100 gramas, e rios de comentários elogiando. Eu hoje estou triste, porque pesei (de novo) e engordei 200 gramas, e rios de comentários dando força. Lembro bem que tive de parar de ler aqueles blogs para não ter bulimia nervosa, de tanto enjoo que me deu. E para não escrever para as mulheres pelo amor de deus não se pesem de 10 em 10 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Optei por descrever fatos: fazer regime é uma porcaria, chocolate é bem mais legal mas como era ou emagrecer ou morrer e eu estava gostando de viver resolvi fazer dieta. Passou? Não, gente como eu vai viver de regime, mas agora importa menos e quero pensar coisas além. Ontem a intenção era tentar ser mais leve. Textualmente falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não vai ocorrer por agora. Portanto, se você quer mensagens positivas e coisas fofa, procure por fotos da &lt;strong&gt;Anne Guedes&lt;/strong&gt;, clicando &lt;a href="http://www.annegeddes.com" target="blank"&gt;nesse link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limites e traumas.&lt;/strong&gt; Por volta dos 17 anos cometi um grave erro. Tenho, desde 1995, uma conta no Banco do Brasil. Na época com um limite de R$500 que, por conta de um cheque pré-datado fora de hora, mais um depósito que não foi feito no dia certo, estourou em um real. Isso, eu ultrapassei o limite do cheque especial em R$1. Foi esse o erro? Não. E se eu contar que uma tia minha, na época, trabalhava no banco, ficou sabendo por sei lá que motivo, e num aniversário, festa de família, me passou um sabão em público porque eu passei do limite do cheque? E se eu contar que o meu erro foi não ter ido ao banco na segunda-feira seguinte denunciar? Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse erro de não ter denunciado a minha tia ao banco custou caro. Dá-se a liberdade, hoje eles chegam e cortam um pedacinho, amanhã arrancam seu braço e reclamam depois de arrancar sua cabeça fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moro em BH desde 1992, e sempre tive de ceder meu quarto para uma visita: essa mesma tia. Ela chegava, eu tinha de sair do quarto. Todos os outros não, dormiam (dormem) na sala... Durante uma crise de família (coisas do ápice da decadência pela qual passamos fim dos anos 1990), essa mesma tia chegou a gritar comigo que "os homens da família não serviam pra nada e só faziam coisa errada". Ponha "dinheiro" no contexto da afirmativa. Nesse dia tive meu primeiro ato de revolta (lembrei imediatamente da cena do banco), e fui embora para a casa da minha mãe, outra cidade, sem avisar. Mas só. Puseram panos quentes e deu-se como se nada tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa começou a ficar "menos simples" quando, uma vez, eu estava sozinho aqui na cidade (para quem não sabe moramos eu e outra tia, dividimos as contas, mas a família tem a chave de casa) e eu soube &lt;em&gt;en passant&lt;/em&gt; que essa mesma tia (sim, é a mesma mesmo – a que, como minha mãe fala, construiu uma casa imensa sem quarto de hóspedes) viria para Belo Horizonte. Alguém me avisou? Não. Deixei o seguinte comentário: que ela chegue comigo fora de casa. Porque a porta estaria trancada a ferro por dentro e, se alguém tentasse entrar, eu ia chamar a polícia. Meia hora depois recebi um cordial telefonema avisando que visitas iriam chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra visitas, a propósito. Adoro. Muito principalmente quando elas avisam que virão e dá tempo de arrumar a casa, colocar alguma comida na geladeira, fazer um bolo, essas coisas que só quem é de Minas vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de limites durou até janeiro de 2009 (estando eu, portanto, aos 31 anos). Cheguei do cinema e estavam, minha tia e a filha dela, dormindo no meu quarto. Assim: fui pra rua, voltei, tinha gente no meu quarto. Não sei se foi a idade, não sei se era a primeira semana do regime, as dores no corpo da academia, o fato de eu estar com cem quilos, ou quinze anos de revolta no meio do caminho. Liguei a televisão, duas da manhã, bem alto. Bem, bem alto. Comecei a gritar, bater porta, como se estivesse doido ou bêbado (não bebi, era sessão meia noite de filme e eu tinha começado a tomar fluoxetina já). Literalmente urrava. Até que ela levantou, tirou a filha e saiu do quarto, e fui dormir (metaforicamente, não preguei o olho de tanto ódio) na minha cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte meio que fui "forçado" a pedir desculpas. Mas desde então meu quarto é meu, só meu, mesmo agora eu dormindo mais fora de casa do que nela. Demorou tempo demais para eu começar a justificar que não sou como "os homens da família" e não tenho mais 14 anos há muito tempo. Hoje a gente se respeita. Como comentei com uma amiga ontem, lá em casa não somos o tipo de pessoa que fica anos sem se falar por nada. A conversa com ela gerou todo esse texto levíssimo de hoje. Que por sua vez me lembrou de uma coisa: eu preciso ensinar a alguém, do meu jeito, que é preciso, sim, respeitar os mais velhos e que não tem jeito de viver sem engolir um sapo ou dois. Mas que não devemos nunca, nunca mesmo, deixar de denunciar, na hora, se alguém quebrar seu sigilo bancário numa festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* O título do post é inspirado &lt;a href="http://cinema-filia.blogspot.com/2007/09/cra-cuervos-cra-cuervos-1977.html" target="blank"&gt;no filme do Carlos Saura&lt;/a&gt; (1977), que por sua vez tem o título baseado na expressão &lt;em&gt;cría cuervos y te sacarán los ojos&lt;/em&gt;. Nada mais adequado. Afinal, "não entendo por que dizem que a infância é a época mais feliz na vida de alguém"...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-3554127814597905095?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/3554127814597905095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=3554127814597905095&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3554127814597905095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3554127814597905095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/cria-cuervos.html' title='Cría Cuervos'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1961483020172694917</id><published>2010-09-16T14:36:00.001-03:00</published><updated>2010-09-16T14:38:21.019-03:00</updated><title type='text'>Para fazer sucesso: restart</title><content type='html'>Coisa que faço pouco, pouquíssimo, é depois de um tempo reler o que escrevi. Geralmente digito, corrijo o texto, corto, reescrevo o quanto quero e publico. Publicou? Corro uma breve leitura para ver se não passou algum erro de digitação e – principalmente – se tem algum problema com as aspas [coisa de quem escreve no Word: quando passamos para o blogger as aspas tipográficas ficam horríveis, aí eu troco tudo por aspas normais]. Ler de novo, meses depois, não. Geralmente tenho vergonha dos meus textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que: 1. Cismei [isso é cisma, ninguém me cobre nada] de juntar algumas coisas que tenho por aí e ver se dá alguma encadernação e, com isso, 2. Fui reler escritos aqui do blog. Cheguei a uma conclusão aparentemente óbvia: estou sério demais. Não que eu tenha de parar um linha de pensamento para contar piada. Não que eu saiba contar piada. Duas coisas que nunca me deixem fazer em festa são contar piada e cantar. A menos que precise terminar o evento mais cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sério demais por uma pá de fatores, desde o trabalho (sério) até o dia a dia (mais sério). Verdade seja dita, minha cara amarrada acabou passando para cá, disfarçada sob uma pretensão de seriedade. Um dos elogios que recebi, esse não esqueço, saiu naturalmente em uma mesa quando disseram, ainda nos tempos do blog de regime, que pareciam estar me ouvindo falar enquanto liam. Lá, mais que cá, os textos eram bastante espontâneos. Até porque não dá para não ser espontâneo quando se fala do trauma que é um peitoral voador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. A conclusão é essa: estou sério demais. E quando fico sério demais fico pseudo demais. Pseudo inteligente, pseudo interessante, pseudo qualquer coisa menos eu mesmo, o que é, rasteiramente falando, ruim. Então decidir dar um pequeno reboot e iniciar tudo de novo, de outra forma. Não vou apagar texto nenhum, fica tudo aí, porém quero deixar de lado preciosismo, perfeccionismo, ismos, e essas coisas que a gente põe no texto e dá uma maquiada para os outros lerem e acharem até que você é capaz de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está escrito daí abaixo não é um monte de mentiras. Só é, vamos dizer assim, algum tipo de reflexão que fez sentido naquele momento mas que, se eu fosse seguir por esse caminho, ia ficar mais rabugento e mau humorado do que já sou. De Groucho Marx já basta a minha pessoa. E de pensamento duro basta aquele de todo dia. Quero tentar algo mais leve, se é que ainda dou conta. Não, necessariamente, descomprometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para [re]começar nada melhor que me [re]apresentar, correto? Então segue minha nova [re]introdução, especialmente para o &lt;em&gt;Qualquer tempo&lt;/em&gt; (que chique):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá! Eu sou o Marcelo. Antes de qualquer coisa você precisa saber que sou um babaca e que deixo tudo pela metade. Tipo a faculdade de comunicação, nunca acabei. Ou um conto que um dia comecei e está lá parado esperando encerrar [e a Rosi nesse momento me escreve querendo saber quando é que vou terminar a diaba da história]. Falo palavrão mais que devo. Tenho medo de panela de pressão, de avião e de rato. Nasci em 1977 e não sei a diferença entre oitava série e sétimo ano. Não tenho filhos, mas devia – um dia explico o porquê. Sou um fútil [e a Rosi vai me dar uma ferroada no gtalk], consumista, faço coleção de livro e DVD [de série, não de filme] mas não leio nem assisto por falta de tempo. Tenho duas cachorras e minha maior preocupação é que uma está com manchas cinzas nos olhos. Tenho contas a pagar. Atualmente sou game addicted – eu e um monte de donas de casa americanas. Super me dou bem com empregada doméstica, motorista e garçom. Não acredito em duendes. Já bebi, já fumei, já parei, já voltei, já parei de novo. Já fui gordo, já fui magro, hoje não sei bem onde estou. No mais eu gosto de falar besteira, mas quase sempre numa mesa de bar eu fico calado. E muito importante: fui ator, vou ao teatro, mas prefiro cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto é só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1961483020172694917?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1961483020172694917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1961483020172694917&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1961483020172694917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1961483020172694917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/para-fazer-sucesso-restart.html' title='Para fazer sucesso: restart'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1883109384801538022</id><published>2010-09-08T23:44:00.004-03:00</published><updated>2010-09-08T23:59:46.985-03:00</updated><title type='text'>Das pequenas mortes</title><content type='html'>Em algum lugar li, talvez tenha ouvido, que só se vive até a hora do parto. A partir do momento em que nascemos passamos a morrer pouco a pouco. Não deixa de ser verdade. A figura da morte costura nossos rastros e, independente do quão enviesado seja o caminho, chega-se a ela inevitavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plagiando o compositor, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;v=hiO24wBC04Q" target="blank"&gt;não tenho medo da morte&lt;/a&gt;. Mas sim medo de morrer. Talvez pela dor, se é que dói, ou pela certeza do definitivo. Se me for dada opção de escolha quero morrer louco, sem nem saber qual o meu nome, falando um monte de palavrão em um corredor de hospital, enrolado numa imensa colcha de piquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título acima diz &lt;span style="font-style:italic;"&gt;das pequenas mortes&lt;/span&gt;. Até agora só falei da morte grande, a final, e não é esse meu propósito. O texto deveria ter começado pela seguinte epígrafe, um escrito para o twitter que não publiquei por achar depressivo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Há 21 anos minha avó morreu do coração. Perguntei se as pessoas não podiam ficar mais antes de ir. Daí descobri que existe o câncer."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fato: tenho vindo de uma sequência de mortes, efeito dominó. Por ser de família grande, pessoas mais velhas, algumas delas adoecidas num mesmo tempo; mas não por susto, esse ano não aconteceu acidente nenhum. Eram mortes previsíveis, nem por isso menos doídas. Perdi meu padrinho, por coincidência meu avô, figura semelhante por demais a mim. Mais que o meu próprio pai. Por isso a dificuldade em deixar passar. Não saí ileso, porém até hoje não chorei. Então não quero falar sobre isso enquanto não chorar de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero, sim, falar das pequenas mortes. Morre-se a todo dia, desde o ato de se lavar. Saem células mortas, já ocupadas pelas mais novas e vivas. Fios de cabelo presos na escova, no pente. Bactérias na escova de dentes, nossas partes. Morre-se ao fumar, também ao caminhar, pela simples ação do vento. Vamos morrendo para nós mesmos todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo morremos para os outros. Aqueles que se vão, passageiros como nós os somos. Aquele que dorme e não sabe se acorda. Aquele que se matou no exato momento em que escrevo, levando consigo todo um seu mundo do qual não mais faço parte. Ao morrer o nosso universo conhecido se acaba, e com ele todo o resto. Da menor importância, um fim de mundo a cada corpo que expira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morremos e matamos a quem nos quer bem. Uma palavra ríspida é ato de morte tão cruel quanto um sorriso. Não se engane, sorrisos são cruéis, fatais, amorais. Principalmente os não espontâneos, os que mascaram o sentimento real e são usados cotidianamente em casa, no escritório, na cozinha e no banheiro. O sexo, gerador de vida, é, por definição, uma chacina. Quantas células morrem para que apenas uma tenha sucesso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos cercados, sitiados, pelas pequenas mortes. Ainda assim vivos. Cientes do que nos aguarda e, meu caso, com pressa nenhuma de chegar lá. Sem paranoias, um certo medo. Talvez o bom no viver seja justo isso: a ciência de que um dia vamos embora, não se sabendo exatamente quando. É improvável, teoricamente sim é possível, que um piano desabe na minha cabeça amanhã ao sair de casa. Mas quem garante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pequenas mortes, nossas, dos outros, da folha que cai da árvore, mandam dizer que estamos vivos sem saber quanto tempo resta. Mandam dizer que o nosso universo é perecível, sim, e por isso deve ser utilizado. Mas sem urgência. Deixemos urgências e emergências para o plantão médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Assim encerro os meus "das". Se você, leitor, obedeceu ao guia que deixei no texto da interpretação, volte e releia todas as metáforas. Se, por outro lado, passeou buscando entrelinhas – e as encontrou – tente reler tudo de forma simples e direta. Porque, no fim, importa não o sentido que imponho aqui, e sim o quanto dele chega em seus olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1883109384801538022?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1883109384801538022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1883109384801538022&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1883109384801538022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1883109384801538022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/das-pequenas-mortes.html' title='Das pequenas mortes'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2329395570660046528</id><published>2010-09-08T17:42:00.002-03:00</published><updated>2010-09-08T17:46:07.274-03:00</updated><title type='text'>Das passagens</title><content type='html'>Era ainda a primeira editora na qual trabalhei quando ouvi falar a primeira vez sobre o livro &lt;em&gt;das passagens&lt;/em&gt; de Walter Benjamin. Livro que, impresso, foi parar nas lojas apenas em 2006, comigo já em transição entre o segundo e o atual terceiro emprego registrado na carteira de trabalho. Sou dos que duram na mesa de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título das passagens (no original "Passagens Parisienses", acabou saindo no Brasil apenas como "&lt;a href="http://www.travessa.com.br/PASSAGENS/artigo/540ba3cc-99fd-41d3-9abe-778390a7f728" target="blank"&gt;Passagens&lt;/a&gt;" mesmo) sempre me intrigou. O que seriam as tais passagens que precisavam de mais de mil páginas e não ficaram prontas, o homem morreu antes? Pois, claro, o livro trata da arquitetura de Paris – o que eu não sabia na época – e não, como supus, de uma análise filosófica de passagens da Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sim&lt;/strong&gt;. Eu tenho o direito de interpretar um título como bem entender e, convenhamos, o termo "passagens" é bastante amplo e comporta significados diversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquemos, por ora, na arquitetura. Da minha janela, na hora que escrevi esse texto em meu caderno, dava para ver uma ponte. Uma passagem. Que liga o centro da cidade ao bairro da Floresta. Por ela os carros, e as pessoas, passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas passam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas passam, repito uma terceira vez. E quem me conhece sabe que vejo isso – essas palavras – como &lt;em&gt;mots de ma vie&lt;/em&gt;. Não trato aqui da morte. Não me sinto maduro o bastante para analisar o efeito recente desse tipo de passagem na minha vida. Trato da morte depois, em um texto que vem sendo ruminado em minha cabeça há mais de um mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas passam porque é natural o ato de passar. Os amigos de hoje não são os mesmos de ontem e (muitos deles) não serão os mesmos de amanhã. Não há qualquer garantia de que eu vá jogar damas no asilo com meu colega de infância. Até pode acontecer, mas aí é destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias "passamos" por rostos desconhecidos quando atravessamos a rua. Com a rotina do trabalho, acabamos passando por mais de dois rostos comuns cotidianamente, costumeiramente. Rostos que, apesar de conhecidos, são passageiros como nós mesmos os somos. Passageiros impermanentes na essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência de que as pessoas passam é premissa importante para a prática do desapego. Não fui convidado para tal festa... Qual o problema? Não vejo mais aquele grande amigo... Quais interesses mudaram? E em definitivo o que realmente importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As passagens também retêm, por vezes. Por vezes as pessoas param. Sem querer. Por querer. Não querendo. E, inexoravelmente (aqui, e somente aqui, falo de morte), passam de vez. Importa, no fim, os traços e os rastros da passagem das pessoas por sua ponte. O valor que estas agregam a você enquanto passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E importa, também, saber a hora de "deixar ir", de "deixar fluir" o ciclo (o trânsito?). Até porque, enquanto passagem, existe sempre a possibilidade de retorno. Nem que, antes, tenha sido preciso dar uma volta no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Para as pessoas na minha ponte. As que estão e as que virão. As que passaram... bem, elas passaram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2329395570660046528?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2329395570660046528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2329395570660046528&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2329395570660046528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2329395570660046528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/das-passagens.html' title='Das passagens'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2023787888895739635</id><published>2010-09-08T11:19:00.001-03:00</published><updated>2010-09-08T11:22:04.741-03:00</updated><title type='text'>Da interpretação</title><content type='html'>Para começar como todo mineiro, um caso. Era 1998, não sei mais precisar o mês, quando no meu trabalho pediram para eu fazer uma capa de livro baseada nos bordados de João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro" da Revolta da Chibata, que bordava nos tempos livres. Simples assim: peguei uma foto de um pano de prato, tratei para que ela ficasse em tons de azul claro (azul que, vim a saber depois, é sempre a primeira cor escolhida por quem não sabe o que vai fazer), encaixei no projeto gráfico preexistente e fim. Capa montada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor viu a tal da capa (que foi parar até na &lt;a href="http://veja.abril.com.br/021298/p_178.html" target="blank"&gt;revista Veja&lt;/a&gt; – em um tempo no qual eu me importava com isso), e – disseram – ficou muito emocionado. Disseram depois, também, que eu, capista, queria transmitir tal e tal coisa com a capa, que a delicadeza do bordado, que a linguagem, blá-blá-blá... Tudo mentira. Eu não queria “dizer” nada com aquilo. Só trabalhei em cima de um material que me deram. Sem intenção alguma de produzir um sentido que transcendesse a imagem ali exposta. A tal capa, para mim, é, foi e será uma foto de pano de prato. Sem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse caso específico me leva a pensar nas aulas de literatura. Aquelas. Drummond escreveu que "&lt;a href="http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema004.htm" target="blank"&gt;tinha uma pedra no meio do caminho&lt;/a&gt;". O povo entendeu tudo e mais um pouco. Que ele tinha brigado com a esposa, que não estava satisfeito com a vida, que queria causar um grande falatório com o tal poema. Pois bem, senhores, para mim Drummond estava andando na rua, tropeçou, não tinha mais o que fazer da vida naquela hora e decidiu escrever um poema para a tal pedra. "Ah mas você está reduzindo muito a sua visão frente o grande poeta que Drummond foi." Talvez. Por sorte, na aula de literatura, nunca me pediram para interpretar Drummond. Mário de Andrade uma vez e, no salto dos meus então 15 anos, fiz uma crítica descendo a lenha em "&lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=0180182491298397554662718&amp;nitem=72786" target="blank"&gt;Amar, verbo intransitivo&lt;/a&gt;" (que odiei, claro). Não tirei zero, lembro, mas tenho certeza de que se fosse Drummond e a sua pedra eu teria ficado de recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... Onde quero exatamente chegar com isso? Ao ponto mais simples de todos: na maior parte das vezes o que escrevo aqui é para ser lido tal como escrito, sem entrelinhas. Não produzo literatura – não aquela das aulas de colégio. Dos textos mais perfeitos para mim é receita de bolo. Dois ovos, farinha, leite, fermento e forno. Sem margem a "o que ele quer dizer isso". Receita de bolo e rótulo de embalagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, prezado leitor, quase sempre (reservo-me o direito das metáforas), o que está anotado aqui deve ser lido de forma corriqueira, como quem lê uma receita. Minhas dores, crenças, desafetos e lamentos quase nunca chegam emoldurados ou com passe-partout. E essa afirmativa é – e será daqui para frente – importantíssima. Entenda esse texto (eu, o autor, veementemente sugiro) como um guia de leitura do que está por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, como sempre, o que deveria ser um "parágrafo inicial" tomou vida própria. E encerro por hora para não ficar grande demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2023787888895739635?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2023787888895739635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2023787888895739635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2023787888895739635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2023787888895739635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/09/da-interpretacao.html' title='Da interpretação'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-7170141806426286233</id><published>2010-08-23T14:12:00.002-03:00</published><updated>2010-08-23T14:16:42.278-03:00</updated><title type='text'>Ser feliz</title><content type='html'>Das coisas que gosto de fazer é passear pelas bancas de revistas e olhar as capas. Raramente compro alguma coisa, mas capa em banca é algo que me atrai desde criança. Lembro da capa da primeira &lt;a href="http://revistacriativa.globo.com/" target="blank"&gt;Criativa&lt;/a&gt;, ainda com páginas destacáveis para se colocar em um fichário: uma mulher comendo uma fatia de melancia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente do meu gosto, leio capa de revista principalmente para acompanhar novela. Não vejo um capítulo de nada mais, sei bem quem faz o quê só lendo manchete. Pulo a parte das revistas de regime – elas nunca mudam, tem sempre alguém ou enrolado na fita métrica ou segurando uma calça modelo Itu –, das revistas exclusivamente para o público feminino – com guia de sexo lacrado que ensina a encerar um chão como ninguém – e as revistas de mulher pelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego, claro, aos periódicos informativos semanais. A sociedade em si é meio que regida por um termômetro emocional bastante interessante, que pode ser medido por essas capas. É tragédia mundial? Toda revista abre com algum flagelado ou cena de destruição. Campanha política mostra as figuras e os ataques de sempre, no carnaval um escândalo qualquer e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante, contudo, não é a medição da temperatura nacional em épocas de comoções em massa, mas sim nos períodos considerados "tempo comum". Essa semana nas capas dos três periódicos ditos principais, com maior circulação pelo Brasil, o tema é um só: ser feliz. Uma revista traz em letras grandes que o brasileiro está mais feliz. Outra que casar faz bem e deixa a pessoa feliz. A terceira sobre os melhores lugares para se trabalhar [feliz?]. Em uma visão rasteira podemos chegar à conclusão de que, essa semana, quem não estiver feliz, não tiver um bom emprego nem um bom casamento, deveria se mudar do país e aguardar uma capa mais adequada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso com tanta felicidade procurei pela &lt;a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/96874_A+GERACAO+DO+BEM+ESTAR+PARTE+1" target="blank"&gt;matéria da Istoé&lt;/a&gt;, aquela que escancara sorrisos, e vi que a razão da manchete é para justificar que o brasileiro está comprando mais. Um gráfico de escala mostra um aumento no consumo de moradia, eletrônicos, automóveis, computadores e até mesmo smartphones. Como tenho um iPhone, uma televisão nova e uso o cartão de débito para pagar as contas (o banco me concede cinco saques mensais, o excedente eu tenho de pagar tarifa), provavelmente estou encaixado no perfil dos felizes. No momento, pelo contrário, não estou esbanjando alegria pela cidade. Acordei foi muito bravo por ter de dar aula às sete da manhã em plena segunda-feira, e já sabendo que meu dia só termina às dez da noite. Em tempo: da minha janela não dá para ver nenhuma marcha de pessoas contentes dançando como se fosse comercial de refrigerante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria começa elencando várias pessoas e a razão da sua felicidade: "o executivo foi promovido; a psicóloga viajou para o exterior pela primeira vez porque pôde parcelar as passagens em suaves prestações; o advogado trocou um espaçoso apartamento no Rio de Janeiro por um imóvel maior ainda; a gari comprou um celular para o filho de 15 anos e vai presentear a filha de 13 com um perfume caro". Existem outros exemplos envolvendo de alguma forma a compra ou aquisição de algum bem. No meio de todos eu destacaria um realmente merecedor: "a estudante de medicina que bancou a faculdade com uma bolsa do ProUni. Ela é o primeiro membro da família a fazer curso superior". De todo modo ninguém está feliz porque um parente se curou do câncer, ninguém está feliz porque ama o parceiro e os filhos, ninguém está feliz porque ganhou um beijo de bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desse recorte a matéria me deixou, na verdade, triste. Por simplesmente registrar uma parecença de mentalidade com aquela norte-americana da década de 1950, ou mesmo com o milagre econômico nacional nos anos 1970. Por, em um tempo de necessidade de educação social, resgatar o pensamento de que "(...) os integrantes da baixa renda precisam mostrar aos amigos e familiares que possuem um bem de causar inveja". A matéria só não diz o preço e a efemeridade desse tipo de felicidade. É aguardar para ver o quanto dura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-7170141806426286233?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/7170141806426286233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=7170141806426286233&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7170141806426286233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7170141806426286233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/08/ser-feliz.html' title='Ser feliz'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6489696946418851339</id><published>2010-08-21T15:01:00.002-03:00</published><updated>2010-08-21T15:12:24.825-03:00</updated><title type='text'>Uma questão de educação</title><content type='html'>Há alguns dias venho pensando sobre o que escrever para não despertar em mim qualquer tipo de sentimento de autocomiseração. As pessoas, algumas e principalmente aquelas cancerianas, tendem por vezes a se expor em um nível de olhem o quanto sofro, o que é, no mínimo, humilhante e inútil. A cada qual cabe sua parcela de problemas e eventos, e o modo como recebemos nossas cruzes e o que com elas fazemos diz respeito somente a cada um. Para quem me lê e me conhece apenas por aqui – são poucos, penso, se é que existem – fica apenas o registro de que dias mais tristes aconteceram, e uma frase de Santa Teresa D'Ávila: "Si en medio de las adversidades persevera el corazón con serenidad, con gozo y con paz, esto es amor". Sem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, enfim, algum tipo de assunto surgiu, decorrido &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SdO-BGJ_xn4" target="blank"&gt;deste vídeo&lt;/a&gt;, entre amigos. Não vi nem vou ver o vídeo todo, mas o resumo mais ou menos contextualiza: "(...) tudo tranquilo no embarque, de repente aparece essa figura aí trêbada, pra lá de Bagdá". Ou, como anotei, o "doido do ônibus" entrou no avião. Pelos comentários parece que o moço foi removido da aeronave mas não quero entrar em detalhes sobre o comportamento do sujeito, porque tem gente demais para fazer isso, e sim de minha reação frente o vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, como disse, não terminei de ver. Não dei conta. Tenho pavor de avião e, para fazer uma associação comparativa, eu em voos sou como se desenvolvesse a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Asperger" target="blank"&gt;Síndrome de Asperger&lt;/a&gt;. Perco a habilidade de expressar emoções. Fico incapaz de atos simples como, aconteceu da última vez, levantar e bater uma foto da minha mãe. Pedi à aeromoça. Toda e qualquer coisa que foge do padrão, do protocolo, torna-se de uma incompreensibilidade absurda, me levando ao limite do pânico. Qualquer conselho para procurar ajuda psiquiátrica não é bem-vindo: eles vão sugerir &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hug_machine" target="blank"&gt;a máquina de abraçar&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atitude do moço foge do padrão, o que me levou diretamente a apertar o confortável botão de xis e a comentar da saudade do tempo quando incomum era a aeromoça sorteando sacola de brinde na ponte aérea. Porém, como lancei isso em uma lista de discussão, ficou mais que claro que cada vez mais os aviões vão atender cada vez mais gente de diversas classes. Em resumo: vai ter cada vez mais pobre voando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que, e esse é um ponto que levanto, o problema do homem no vídeo não é ele ser pobre, mas sim ter sido inconveniente e desrespeitoso com pelo menos outras 50 pessoas com quem ele dividia o espaço. O problema dele não é a pobreza, não é o álcool, não é ser negro (como ele alude), não é nada além de ser uma pessoa "momentaneamente" incapacitada ao convívio social. E a culpa é dele? Não. É tudo questão de educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não venho de família rica, não venho de família pobre, até hoje não sei delimitar a minha classe social. Como não tenho aspirador de pó nem empregada mensalista eu desço de nível, então fico naquele meio-termo indistinto das pessoas que têm rios de imposto a pagar mas não conseguem comprar um carro. Não que eu o queira. Independente disso, orgulho-me de ter sido pelo menos educado bem dentro de casa. O suficiente para saber que existe o meu espaço e existe o espaço do outro, que deve ser respeitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moço do vídeo não teve esse tipo de educação por algum motivo. Descaso do governo, mãe ausente, abandonado nas ruas, não importa. Ele não foi educado para a situação de convívio que o lugar pedia. Porém ele não é o único e a classe à qual ele aparenta pertencer não é a única afetada pelo grande mal da falta de trato com o outro que adoece a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já furou uma fila? Joga papel pela janela, seja em que lugar for? E lixo no chão do ônibus? Já grudou chiclete na cadeira do cinema? Você grita ao celular? Tem um carro com tanta caixa de som que não cabe um envelope no bagageiro? Sai pela rua com o carro ligado mostrando o seu gosto musical pela cidade? Já jogou gasolina e ateou fogo em mendigo? Bateu em doméstica no meio da rua achando que ela era prostituta? Parabéns! Você pode se assentar do lado daquele sujeito porque, tirando a gravidade da situação, dele você não se diferencia em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez não seja também sua culpa. Pode ser culpa do seu pai, frustrado por não estar em casa, que te encheu de presentes e sempre passou a mão na sua cabeça. Pode ser a mãe alcoólatra que só ia dormir depois de te dar uma surra. Pode ser a vida. Pode ser tudo. Pode ser o dia de cão, o trabalho que não fica pronto. No fundo, tudo é causa para jogarmos nossos transtornos na figura do outro e não olharmos para nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque hoje fui posto à prova, e falhei. Entrei em um ônibus e lá estava ele, o "doido do ônibus", disfarçado de mulher. A mulher gritava e mexia com todos e mostrava os remédios que tinha de tomar e falava e era insuportável. E eu fui para o canto e usei o meu provedor instantâneo de autismo, também conhecido como iPod. Até a hora em que ela me tocou. E, em um surto violento, por estar em um ônibus e não dentro de um avião, eu reagi. Olhei para a mulher e disse "Eu por acaso estou conversando com você? Estou prestando atenção em você? Então me deixa em paz". E ela calou. E desceu no ponto seguinte. E a trocadora olhou para mim como se eu fosse mais doido que a doida. No fim das contas também mereço ser retirado do voo, ainda preciso melhorar muito para conseguir um assento decente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerro, de novo, com Santa Teresa D'Ávila: "(...) Procuremos siempre mirar las virtudes y cosas buenas que viéremos en los otros y tapar sus defectos con nuestros grandes pecados... tener a todos por mejores que nosotros". Essa é a grande lição do dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6489696946418851339?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6489696946418851339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6489696946418851339&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6489696946418851339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6489696946418851339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/08/uma-questao-de-educacao.html' title='Uma questão de educação'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8056543551862978891</id><published>2010-07-30T12:50:00.005-03:00</published><updated>2010-07-30T13:09:29.083-03:00</updated><title type='text'>Coletivo comum</title><content type='html'>Férias são efetivamente bom tempo. Mesmo que não façamos nada, o que não é recomendável, a mudança prolongada de rotina ajuda inclusive a renovar a perspectiva do trabalho. A retomar o foco, em outras palavras. Para mim férias e feriados estão associados a viagens. Seja pelo fato de a minha mãe morar a uma distância razoável – com a graça divina –, seja por eu realmente achar necessário pegar a estrada para considerar que estou oficialmente "de folga e longe de tudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ano, como dito antes, acabei parando de novo em São Paulo. Para quem me acompanha, vez por outra apareço pelas bandas de lá, preferencialmente a passeio e em dias frios mas ensolarados. Não gosto de São Paulo com chuva. Também não gosto de avião, porém o meu gostar não interfere na mecânica da coisa. Vem acontecendo de eu ver e falar mais com os amigos paulistas que com os mineiros ali da esquina, e São Paulo sempre me é muito prazeroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em todas as férias, carrego um kit de sobrevivência com livros que não li e dvds que não assisti – tenho horror do Word me sugerir dvd em maiúscula, soa agressivo aos olhos. E, claro, como em todas as férias, não faço metade. Só li um livro. Na verdade estou nas últimas páginas, e vou passar a minha coleção da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mediadora&lt;/span&gt; adiante, deixar para ler no fim do ano. Nem gasto metade da mala de roupas, o que é perfeitamente comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro que li – estou lendo – é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O símbolo perdido&lt;/span&gt;. Daquele cara que escreveu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Código Da Vinci&lt;/span&gt; e ajudou a deixar o Tom Hanks com mais cara de babaca. Entenda: vez por muita preciso da literatura descartável para sobreviver. E, sejamos francos, esse livro é bom. Melhor que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Código&lt;/span&gt;, mas não tão bom quanto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anjos e demônios&lt;/span&gt;, que tem um frescor magnífico ainda não superado pela experiência do autor. Se o Robert Langdon durar mais uns três episódios – ele tem fôlego, idade e mercado para isso –, talvez o Dan Brown se supere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mais me interessou no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Símbolo perdido&lt;/span&gt; foi uma personagem feminina coadjuvante: Trish Dunne. Não quero me aprofundar no livro para não estragar o prazer de quem não leu. Trish me marcou por ter desenvolvido um software para medir a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;temperatura&lt;/span&gt; de uma nação. Copiando do livro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) O que estou querendo dizer é que ele quantifica o estado &lt;span style="font-style:italic;"&gt;emocional&lt;/span&gt; do país. (...) – Trish explicou como, usando um campo de dados constituído pelas comunicações do país, era possível avaliar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;humor&lt;/span&gt; da nação com base na 'densidade de ocorrência' de determinadas palavras-chave e indicadores emocionais no campo de dados. Épocas mais felizes tinham uma linguagem mais feliz, e épocas de estresse uma linguagem mais estressada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei a dimensão de verdade desse software, perfeitamente plausível na minha cabeça, e, francamente, ideia de gênio assim como os clipes e a fita crepe. O livro discute en passant a questão ética da análise de dados pelo governo, mas a personagem em si é pragmática: o uso que fazem do produto desenvolvido não diz respeito a ela. Santos Dumont, dizem, se matou ao ver o avião ser usado como arma. Trish não morreria por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando o fio das férias, gosto muito de ir a São Paulo mesmo quando não previsto – esse ano pretendia visitar qualquer lugar com praia. Férias me servem enquanto reciclagem, e já pus de lado faz muito a vergonha de pedir aos amigos para me indicarem coisas. Como, por exemplo, músicas novas. Ando bastante reacionário musicalmente, talvez preguiçoso, e não encontro vontade de conhecer novidade. Por isso, também, gosto de visitar os amigos, beber vinho, jogar baralho, falar besteira e escutar um monte de música pela primeira vez. Ano passado fiquei conhecendo a &lt;a href="http://www.myspace.com/marianaaydar" target="blank"&gt;Mariana Aydar&lt;/a&gt;. Esse ano fui apresentado a &lt;a href="http://www.myspace.com/karinabuhr" target="blank"&gt;Karina Buhr&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.mayra-andrade.com/" target="blank"&gt;Mayra Andrade&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.myspace.com/cibelleblackbird" target="blank"&gt;Cibelle Cavalli&lt;/a&gt; e, especialmente, a &lt;a href="http://www.myspace.com/tuliparuiz" target="blank"&gt;Tulipa Ruiz&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha lido algumas pessoas comentando da Tulipa antes. Só que o nome de flor não me atraiu. Eu gosto de mulheres com nome de flor, mas fiquei naquelas de "ah não vou ouvir disco de mulher com esse nome não". Erro meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entreguei o iPod e disse para meu amigo: "pode tirar tudo, menos a Dolores". Quando fui ouvir pus o conteúdo no shuffle e assim, só assim, ouvi a Tulipa cantar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Efêmera&lt;/span&gt;, e me encantei pela voz da moça. Disco todo ouvido – aliás, dá para ouvir &lt;a href="http://www.yb.com.br/gravadora_disco.asp?disco_id=163" target="blank"&gt;o disco inteiro aqui&lt;/a&gt; –, ficou a sensação de que a moça cantava para mim. Especificamente na música &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Às vezes&lt;/span&gt;, que pareceu a Tulipa literalmente estar me mandando um bilhete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vou a São Paulo passeio pela Augusta, sempre de óculos escuros, e ignoro o mundo. Blasé sem saber, disse um amigo certa vez. Sem endereço mas com o mesmo telefone, rodo pelas festas e pelos bares do centro da cidade. Tenho ar cansado, banal e normal e, claro, moro em Belo Horizonte. Ouça a música para entender melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentei sobre isso com uma amiga, que respondeu: "é a tribo". Ficaram dúvidas: seria minha geração tão comum ao ponto de várias pessoas se identificarem tão profundamente com diversas expressões como se elas tivessem sido produzidas diretamente para o indivíduo e não para a massa? Seríamos nós, a tribo, um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;metassistema&lt;/span&gt;, um cardume, no qual a linha de pensamento é tão compartilhada que acabamos por nos tornar estrutura única – composta por milhões de unidades distintas, mas vista como um grande bloco? E se sim, fazer parte disso seria algo bom ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fatos: minha geração agrupa a transitoriedade da capacidade de aquisição de informação. Saímos do telefone de ficha para o iPhone, da TV preto e branco para o Youtube – meu grande facilitador de ver novelas. Fomos os primeiros a experimentar a possibilidade de expressão para a globalidade pelo simples fato de estarmos vivos na época em que "fazer um blog" era algo muito novo. Com isso geramos, pelas tentativas e erros, uma grande gama de informação sobre nós mesmos. Os mais inteligentes transformaram as informações e desejos nelas contidos em produto – produtos com identidade, como Reverbcity e congêneres, Ronaldo Fraga e suas roupas ilustradas com personagens Disney, séries da minha infância lançadas em dvd e por aí vai. A geração que era criança na década de 1980, relembro, foi a primeira efetivamente bombardeada pelo furor consumista ainda não regulamentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não precisava um software para desenvolver essa linguagem. A Tulipa, provavelmente, lê muito, circula muito, participa de um grande grupo do qual, mesmo sem querer, faço parte também. Fazemos parte, acho pouco provável que adolescentes apaixonadas pelo mini Fabio Jr. compartilhem gostos comigo. A Tulipa canta bem e eu anseio por um show dela em BH para dar um grande abraço. Mas ouvir &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pDkqQEi9Djs" target="blank"&gt;Às vezes&lt;/a&gt; me deu o grande medo de ser comum demais, ordinário demais, e também de estar fazendo tudo ao contrário, e de ter ficado comum por ter tentado simplesmente ser diferente do resto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8056543551862978891?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8056543551862978891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8056543551862978891&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8056543551862978891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8056543551862978891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/07/coletivo-comum.html' title='Coletivo comum'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2419369329091542359</id><published>2010-07-26T12:38:00.002-03:00</published><updated>2010-07-26T12:44:12.204-03:00</updated><title type='text'>Sete anos</title><content type='html'>Por vezes me questiono a necessidade ou não de expor em um blog parcelas íntimas demais, pessoais demais. Porém, de certa forma, certos tipos de exposição, mesmo parecendo extremamente cruéis e inúteis acabam se tornando também libertadoras. E, no fundo, o que quero hoje é tratar sobre libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo com Federico Garcia Lorca, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Casa de Bernarda Alba&lt;/span&gt;: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;En ocho años que dure el luto no ha de entrar en esta casa el viento de la calle. Haceros cuenta que hemos tapiado con ladrillos puertas y ventanas. Así pasó en casa de mi padre y en casa de mi abuelo. (...) Y no quiero llantos. La muerte hay que mirarla cara a cara. ¡Silencio! ¡A callar he dicho! ¡Las lágrimas cuando estés sola! ¡Nos hundiremos todas en un mar de luto! (...) ¿Me habéis oído? Silencio, silencio he dicho. ¡Silencio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bernarda, eram oito anos o tempo do luto decretado. Em minha cabeça, quando comecei a pensar esse texto, teriam sido sete. Tenho até hoje a memória da encenação da peça em uma casa velha, com a matriarca nos expulsando ao final, decretando o fechamento da residência pelos próximos anos. Sete. Como os anões da Branca de Neve, e com todo o simbolismo que o número traz em si. Apesar de o texto me contradizer com relação à duração do luto, penso sete enquanto número simbólico ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete anos atrás passei parte de meu aniversário em um cemitério de uma cidade perto de São Paulo. Fosse hoje eu teria saído correndo naquele exato momento, fugindo no primeiro sinal. Mas não era, não poderia ter sido hoje. Há sete anos começava, sem eu saber, um tempo de luto. Por ironia o luto vem a se encerrar comigo, de volta a São Paulo, passando o aniversário na Loja da Galinha Morta. Irônico, diria aquele que controla o ciclo da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete anos atrás meu pai era diagnosticado com câncer, vindo a morrer alguns anos depois – não trato desse luto específico por agora. Sete anos atrás eu decidi abandonar um emprego no qual permaneci por exatos sete anos. Seria estupidez de minha parte não assimilar a influência dos ciclos de sete em minha vida. Dizem, inclusive, que o paladar humano muda de sete em sete anos. Razão pela qual eu, talvez, tenha provado uma berinjela e gostado, e comido jiló sem achar ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao luto, senão o texto se estende mais do que devia, fica cansativo e não chega ao final arrebatador no qual eu revelo toda a minha verdade, me liberto e tomo uma decisão definitiva que transforma minha vida. (Por favor, se você espera por isso vá ler Sidney Sheldon e me deixe em paz. Não sou uma obra de ficção – elas têm pontos finais. Estou mais para &lt;span style="font-style:italic;"&gt;work in progress&lt;/span&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que já se foram sete anos nos quais uma parcela, ainda que pequena, de mim mesmo, ficou fechada para as portas e o vento das ruas. Sete anos em que o medo de caminhar pelo centro de São Paulo passeou lado a lado com o desejo de encontrar alguém, acidentalmente, e perguntar: "por quê"? E ter medo de minha reação. E ter medo do desejo. E ter medo das respostas. E ter medo de saber tudo isso pelo simples, natural e humano medo do desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que enfim vi que não é mais isso. Enfim veio o imenso e necessário vazio, pronto para ser preenchido com cores novas. Foi perdido o temor de caminhar e esbarrar sem querer em quem não devia. Perdi a vontade de caminhar e esbarrar em quem gostaria. Perdeu-se o sentido. Não há mais sentido. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;No hay banda&lt;/span&gt;, já mostrou David Lynch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;¡Quiero irme de aqui, Bernarda! ¡Bernarda, yo quiero um varón para casarme y para tener alegria!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro, portanto, encerrado o tempo do luto. E essa é uma carta de despedida que importa pouco. Poderia ir para um baú e ficar por lá a amarelar, calhou de vir para um blog que não sei quem lê. Declaro visto que não há tristeza, não há alegria, não há nada. Talvez uma sombra, como a cicatriz em minha mão, que vez por outra me faz ter história para contar. E uma ou outra prevenção como as que tomo quando entro em lugares onde sou mal atendido. Se houver encontro, quando houver, se é que já não o houve, será um cruzamento entre desconhecidos. Como aqueles que acontecem todos os dias quando cruzamos por transeuntes que nunca mais veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a quem me perguntar por que tudo isso é importante para estar escrito aqui respondo: porque foi sim minha vida. Agora abro as portas todas deste quarto, deixo o mundo e o sol entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora, de novo, de ser livre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2419369329091542359?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2419369329091542359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2419369329091542359&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2419369329091542359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2419369329091542359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/07/sete-anos.html' title='Sete anos'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2277373690117022835</id><published>2010-07-08T17:38:00.002-03:00</published><updated>2010-07-08T17:44:37.501-03:00</updated><title type='text'>Band-Aid</title><content type='html'>Um dos primeiros desencantamentos que tive foi quando a minha mãe me levou a um programa infantil daqui de Minas Gerais. Viajamos de Ponte Nova a Belo Horizonte para passar as férias e, entre outras coisas, fomos assistir à gravação do programa. Partindo do pressuposto que só fui entender alguma coisa de operação de câmera, roteiro, direção e congêneres na faculdade, o que mais me surpreendeu (e frustrou) na época foi perceber que as pessoas eram sérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque criança tem disso, todos riem para ela. Até que não riem mais. Existe um momento em que a criança deixa de ser engraçadinha para virar uma chata, e o adulto se cansa. Mas a apresentadora de tevê, a Tia Dulce, ela sempre sorria. Era ligar a televisão no horário e lá estava ela. Sorrindo, simplesmente, coordenando brincadeiras e servindo de babá. Eu adorava a Tia Dulce como todas as crianças do meu tempo. Continuei gostando depois que fui à gravação do programa. Mas, verdade, me decepcionei muito quando vi a Tia Dulce séria, Rapadura e Pituchinha de cara fechada. Como assim ela não está feliz o tempo todo? Por que ela está brigando com aquele moço? Essa não é a Tia Dulce que eu conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em um programa infantil, ou em uma gravação deste, que comecei a perceber que as pessoas não são o que parecem. A Tia Dulce não é toda fofa, a professora não está sempre correta (e já tive brigas horrorosas com professores por conta disso), o amigo "legal" pode ser um "mala". Adiantando um pouco, foi uma frustração memorável — e quem se lembre de algo ocorrido aos cinco, seis anos de idade que não seja "trauma" levante a mão — que desencadeou o meu processo de entendimento de que todas as pessoas vêm com diferentes nuances. Pai e mãe não contam: o filho nasce acostumado às variações de humor domésticas, para ele os pais "são assim" simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte de minha personalidade é construída na essência por memórias de frustrações: a noite de Natal em que acordei e vi os meus pais colocando os presentes do Papai Noel nos sapatos (não desejem que seus filhos descubram assim que o Papai Noel não existe – chorei dois bons dias); a briga de colégio que não aconteceu porque as serventes da escola seguraram a mim e ao outro no meio da praça (Fabiano, nunca mais vi); a bolada na cara no jogo de futebol infantil que me fez descalçar as chuteiras para todo o sempre; a surra de cinto que tomei porque comprei um pote de gel da marca "New Wave"; o dia em que "esqueceram" do meu aniversário e eu sumi (não aparecendo, consequentemente, na festa surpresa que pensaram em fazer para mim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem em uma conversa um amigo disse que estava triste. E respondi: faz bem. Você tem todo o direito de ficar triste quando quiser. As pessoas precisam de preto e branco, luz e sombra, claro e escuro. É tão insuportável uma pessoa cem por cento transbordando felicidade quanto o extremo depressivo. Para contrabalançar a alegria da infância é que existem traumas. A perda da avó, com sua mãe gritando e querendo pular no caixão. A saída do pai de casa. O irmão que quebra o braço, a irmã que toma um ponto debaixo do queixo. E a gente sem saber lidar com tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que de repente chega, devagar, o equilíbrio. Para a vida, claro, dar uma balançada na corda e forçar uma meia-volta. Assim seguimos, eu e todos, rodopiando pratos. Porque além de pagar mico, viver é, um clichê para encerrar, cair do cavalo de quando em vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2277373690117022835?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2277373690117022835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2277373690117022835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2277373690117022835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2277373690117022835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/07/band-aid.html' title='Band-Aid'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-7513963726017492599</id><published>2010-07-05T16:51:00.003-03:00</published><updated>2010-07-05T16:56:57.105-03:00</updated><title type='text'>Os desconhecidos</title><content type='html'>Penso, e às vezes faço qualquer reflexão sobre pessoas que eu deveria conhecer. Os conhecidos e amigos de amigos dos amigos que todos dizem combinar com você, e que, por (des)coincidências, nunca apareceram na sua frente. E seja por alguma parecença de linha de pensamento, semelhança física ou ainda por cisma de alguém, nasce uma interessante lista de ilustres desconhecidos que deixam a sua vida, aparentemente, "por completar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oficialmente parei de me preocupar com esses ditos quando pedi um certo alguém (que não me lê) de presente, e veio. Todos os gurus da autoajuda dizem para termos cuidado com o que pedimos. É verdade, tenha medo, muito medo, daquilo que pede. Pode acontecer e ser um problema maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, como bom curioso, sei que existem por aí pelo menos três ou quatro sujeitos que são "a minha cara", outros que têm "um papo muito legal", que "você tem de sentar num bar pra tomar uma cerveja junto" e "vocês super combinam"... O de sempre, quem nunca ouviu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez uma dessas pessoas de minha lista (que também não me lê) veio conversar. On-line, moramos em cidades diferentes. Provavelmente também eu estava na lista do lado de lá. Três minutos e acabou o assunto e ficou aquele silêncio de quem não sabe mais o que digitar para engatar o gancho de continuar conversa. Serviu, sim: para eu perder medo e preconceito e parar de achar que a criatura era por demais ensimesmada. Mas foi assim, por uma ação do outro lado, que realizei (de novo) que o tudo-a-ver dos outros não tem a ver com o meu. Ou talvez que o meu tudo-a-ver tenha de partir de mim antes de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu não acredite mais em amizades que poderiam vir a acontecer. Ou em afinidades. Penso que deixei de crer nos arranjamentos, sob qualquer aspecto. Não creio mais em amores ideais, em amigos ideais, no trabalho idealizado. Não acredito nem professo o cotidiano ideal, e me abstenho totalmente do conceito de se ser comum. Sempre serei do avesso e já fui trabalhar de pijama. O que não me faz nem mais nem menos medíocre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo tenho noção de que também sei ser pessoa difícil, principalmente no começo. Parte grande dos amigos me tomaram por antipático à primeira vista. Depois, com o tempo, amoleço. Parte da falta de empatia é com certeza responsabilidade minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-7513963726017492599?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/7513963726017492599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=7513963726017492599&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7513963726017492599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7513963726017492599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/07/os-desconhecidos.html' title='Os desconhecidos'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-4868229756922356624</id><published>2010-06-29T17:03:00.001-03:00</published><updated>2010-06-29T17:06:55.348-03:00</updated><title type='text'>Sabático</title><content type='html'>Estava lendo a revista &lt;a href="http://vidasimples.abril.com.br/" target="blank"&gt;Vida Simples&lt;/a&gt; desse mês, uma matéria sobre &lt;a href="http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/094/pe_no_chao/conteudo_572172.shtml" target="blank"&gt;ano sabático&lt;/a&gt;. Para o desavisado de plantão, por mim a matéria teria começado desse jeito: ano sabático não é um ano em que a pessoa se dedica ao estudo e aperfeiçoamento da bruxaria. Muito menos aquele tempo que o iniciante do candomblé passa na &lt;a href="http://paipedrodeogum.blogs.sapo.pt/16153.html" target="blank"&gt;camarinha&lt;/a&gt;. É simplesmente uma época em que o indivíduo dedica a si próprio, a um projeto de vida, a uma viagem longa ou até mesmo ao ócio. Um espaço de tempo para se voltar a novos projetos que não o trabalho cotidiano seria, talvez, a melhor definição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria diz que "um período sabático faz parte dos planos de muita gente, mas poucos são aqueles que o colocam em prática". Talvez porque, complemento, trocar o emprego fixo por um tempo para pensar em algo não necessariamente rentável esteja um pouco abaixo da capacidade financeira do cidadão médio brasileiro. Eu mesmo, 32 anos, brasileiro, sem filhos, retrógrado e reacionário, não me vejo "dando um tempo" no emprego para escrever um romance, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais interessante foi ver justamente livros dedicados ao período sabático. &lt;em&gt;Fuja por um ano&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Um tempo para crescer&lt;/em&gt; e deve haver mais literatura específica. Livro para tudo nunca falta. Só assusta um pouco pensar alguém que tira um período sabático para escrever sobre... sabático. Afinal, se o sabático não é dedicado ao ofício (também conhecido pela expressão trabalho), e se a escrita é um ofício, por vezes duro, inclusive, seria isso paradoxo ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse blog não está em período sabático, quem o escreve muito menos. Vivo o famoso período pré-férias, o que significa que de sabática a vida não tem é nada. Trabalho sobra e parece que não deve faltar pelos próximos dias, meses, anos. Segundo a revista, férias não são período sabático. Férias, segundo o autor, também conhecido pelos pronomes "eu" ou "mim" (que procuro evitar ao máximo) são para descanso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a ausência (daqui) fiz o de sempre: comi, dormi, trabalhei, fui ao teatro e ao cinema, vi séries na tv. De novidade estreei em óperas e venho lendo um livro para o vestibular. Não sei se vou fazer a prova ainda e nem quero comentar muito, justo para evitar grandes expectativas. Na minha ausência andei tocando meu bonde e observando pessoas e inventando histórias. Para, inclusive, ter o que escrever nessas bandas de cá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-4868229756922356624?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/4868229756922356624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=4868229756922356624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4868229756922356624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4868229756922356624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/06/sabatico.html' title='Sabático'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-3238277314007872039</id><published>2010-05-04T14:43:00.003-03:00</published><updated>2010-05-04T14:51:47.757-03:00</updated><title type='text'>Orientações políticas</title><content type='html'>Uma das promessas que fiz para 2010 foi não comentar sobre o Big Brother e muito menos sobre política. O que em ano eleitoral é praticamente impossível, mas permaneço tentando. Até porque é máxima que religião, futebol e política não se discutem. E fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém quero abrir uma pequena exceção para dizer algumas coisas sobre política. Não para me posicionar sobre tal candidato, dizer que alguém é melhor ou pior, tampouco para contar em quem vou votar. Por sorte, no Brasil, declarado Estado Democrático de Direito desde 1988, o voto é secreto e podemos mudar de opinião até no dia da eleição. A única opinião formada que tenho a respeito das eleições de 2010 é de que o próximo presidente do Brasil, homem ou mulher, será alguém feio. E meus comentários sobre política vão um pouco além do feijão com arroz no qual diversos blogs e redes sociais devem se transformar a partir do fim da Copa do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008, aqui em Belo Horizonte, tivemos uma campanha "desigual". Entre aspas. O candidato da situação, apoiado publicamente pela máquina estatal (prefeitura e governo), versus um "azarão" (entre aspas) com tendências populistas. Resumindo a ópera para quem não mora pelas bandas de cá, as eleições foram uma bela troca de ofensas de ambas as partes, uma disputa deselegante na qual as propostas dos candidatos importavam menos do que quem tinha o cacique (ou pinto) maior. Ganhou o candidato da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parágrafo acima é contestável até certo ponto. Dizer que a máquina administrativa não foi usada nas eleições de BH em 2008 é a mesma coisa que dizer que o céu é flicts. Não quero abrir precedentes para contra-argumentações, ou defesa de tal ou tal pessoa. Principalmente porque as eleições passaram e o prefeito eleito vem conseguindo, dia após dia, mostrar o que ele realmente é: um bosta (fosse 1970 eu seria investigado pelo DOPS). Para quem duvida, sugiro dar uma lida &lt;a href="http://pracalivrebh.wordpress.com/" target="blank"&gt;nesse blog&lt;/a&gt;. Detalhe: nem vou comentar (ainda) sobre o tanto de casa que passou a ser demolida após a posse do prefeito da união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao fio da meada. Baseado na campanha que vivenciei por aqui, na cidade em que moro, percebi que falta uma coisa à grande maioria dos candidatos: etiqueta. Não estou dizendo que todo mundo para ser candidato deveria frequentar a &lt;a href="http://www.socila.com.br/" target="blank"&gt;Socila&lt;/a&gt;, e a minha postura de que deveria ter "teste de admissão" para candidato é altamente questionável, uma vez que excluiria os analfabetos e pessoas que não soubessem a tabuada. Porém eu acho (mesmo) que eleição se disputa com elegância, e que a vitória nas urnas deveria ser a celebração do bom combate entre ideias e ideais. Foi pensando nisso que resolvi propor, até porque não achei no Google, um pequeno &lt;em&gt;Guia de boas maneiras para o candidato&lt;/em&gt;. Algo mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezado Candidato, seja muito bem-vindo às eleições deste ano! Torcemos por seu sucesso e confiamos em seu potencial! É a sua participação no pleito que torna possível o exercício da democracia e da cidadania no nosso país. Gostaríamos de lembrar que, para assegurarmos o direito pleno de todos os envolvidos na corrida eleitoral, é preciso que você obedeça a algumas pequenas regras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Seja educado. Ideias brigam, pessoas não. Não esmurre, não bata, não chute a bunda do seu adversário. Nem de brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Tome banho todos os dias, escove os dentes, use desodorante. Lembre-se: o corpo a corpo é fundamental na campanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Contrate um marqueteiro. Contrate também um fonoaudiólogo. Se tiver um pouco mais de dinheiro, um &lt;em&gt;stylist&lt;/em&gt; também ajuda muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Economize nos santinhos, nos cartazes com a sua linda foto no poste, nos muros pichados. Se isso funcionasse, Santo Expedito e os skatistas da Praça Sete não perdiam uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Lembre-se: você tem (ou teve) mãe. Provavelmente tem família. Antes de dizer que o seu adversário é isso ou aquilo, pense se você ficaria confortável se alguém dissesse o mesmo da sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Não prometa o que não tem condição de cumprir. Faça uma pesquisa e descubra as funções do cargo que você está disputando. Lembre-se: deputado não constrói estrada nem acaba com a fome no Vale do Jequitinhonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Não faça spam, não faça corrente, não entupa o e-mail do eleitor com as suas propostas e projetos. Existem métodos mais inteligentes do que isso. Volte ao item 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Não subestime seu adversário. Não o transforme em um bobo só para vencer a eleição. Seja íntegro e saiba ressaltar os seus pontos fortes. Se o marqueteiro insistir em fazer faixas dizendo que o adversário usa fraldão de velho, demita o marqueteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Se eleito, você vai representar uma grande parcela da população que confiou em você. Lembre-se disso quando estiver por lá, e não apenas nas próximas eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Em caso de derrota, aceite. Daqui a dois anos você pode concorrer de novo. Volte ao trabalho de cabeça erguida e pare de se lamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, não se esqueça: você está disputando um cargo de prestador de serviços à comunidade, com a pretensão de defender o interesse coletivo. A sua casa de praia não é interesse coletivo, mesmo que a sua família seja imensa. Lembramos que roubar, desviar dinheiro, fazer ato secreto, esconder dinheiro em meia, são desvios de decoro e podem vir a ser investigados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, boa sorte! Esperamos ter você conosco no ano que vem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-3238277314007872039?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/3238277314007872039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=3238277314007872039&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3238277314007872039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3238277314007872039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/05/orientacoes-politicas.html' title='Orientações políticas'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-3203901348823646645</id><published>2010-05-03T14:34:00.003-03:00</published><updated>2010-05-03T14:44:17.843-03:00</updated><title type='text'>Dez coisas</title><content type='html'>Quando comecei o texto anterior pensei fazer apenas uma introdução ao que realmente interessava. Porém o texto fluiu além da conta, e tive de dividir meu pensamento em partes. Então, prezado leitor, considere esse escrito como uma sequência da postagem logo abaixo, ok? Agradecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado ganhei um livro de listas: &lt;a href="http://www.os10maisnaweb.com.br/default.asp" target="blank"&gt;Os 10 mais&lt;/a&gt;. No site dá para o interessado ler algumas páginas da obra. Não vou entrar no mérito de quem tem prazer em fazer listas. Alguém que arruma a bagagem em meia hora (e leva metade da casa sempre, porque pode fazer frio) não faz listas quase nunca. Na verdade as listas que faço são quase sempre de metas a cumprir: anual (que, como disse em &lt;a href="http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/45-notas-pouco-hipocritas-todo-mundo.html" target="blank"&gt;um texto anterior&lt;/a&gt;, funcionam) e, quando o trabalho aperta, de trabalho a ser feito durante o dia. Só. Lista de supermercado? Se em 2009 fiz três foi muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, é muito interessante ver o grande mercado das listagens. Veja que troquei o termo aqui, porque não me interessam, como disse, as listas. E sim o seu conteúdo. Uma procura básica no &lt;a href="http://compare.buscape.com.br/proc_unico?id=3482&amp;kw=livro+antes+morrer" target="blank"&gt;Buscapé&lt;/a&gt; mandou a lista de 37 (!) livros. Clique no link para ver tudo, aqui copio (e comento) o título de alguns: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1001 maravilhas naturais para ver antes de morrer (&lt;em&gt;de tédio?&lt;/em&gt;); 1001 vinhos para beber antes de morrer (&lt;em&gt;de cirrose?&lt;/em&gt;); 101 bares para beber antes de morrer (&lt;em&gt;eu já fui a mais de 101 bares&lt;/em&gt;); 1000 lugares para conhecer antes de morrer (&lt;em&gt;vem com um passaporte de companhia aérea?&lt;/em&gt;); 1001 comidas para provar antes de morrer (&lt;em&gt;precisa mesmo?&lt;/em&gt;); 1001 filmes para ver antes de morrer (&lt;em&gt;eu sei quem tem&lt;/em&gt;); 1001 discos para ouvir antes de morrer (&lt;em&gt;procurando tem site para baixar todos&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Coisa para fazer antes de morrer é literalmente o que não falta. O que pergunto, na verdade é: para quê? Qual vai ser a minha diferença no além-túmulo se eu tiver ido ou não a 1001 lugares, provado 1001 tipos diferentes de comida, fumado 1001 charutos e morrido de enfizema? Se eu for, talvez, a 980 dos lugares que o livro sugere, a minha vida não terá sido perfeita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Listas de coisas a se fazer são meros reflexos da pressão que a sociedade atual exerce sobre o indivíduo. Um ser humano ordinário, classe média, trabalhando 40h por semana com um salário razoável, a menos que ganhe na Mega Sena e mude de classe social, nunca iria dar conta de viajar para 1001 lugares diferentes (1002 se contarmos aquela fazenda maravilhosa que só você conhece e, claro, não está na lista). Pelo simples fato de se ser "humano" e de ter "contas a pagar". As listas então são apenas elementos de um desejo decorativo. Existem não para ser feitas, e sim para alimentar uma imensa sensação de frustração e incompletude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferível ater-me a metas mais significativas, e plausíveis, e guardar para o planejamento algo mais interessante que viajar a 1001 lugares em clima de excursão. Por exemplo: passar, como fez uma amiga, seis meses na França. Morar lá, viver um tempo. Sou da turma dos que não fizeram intercâmbio no colégio. Vou voltar tendo conhecido um só lugar, porém com certeza mais feliz do que se tivesse pego a excursão CVC Europa completa em 15 dias. Se é para sonhar, que eu sonhe com algo confortável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando assim resolvi, paradoxalmente, elaborar a segunda lista desse blog. Duas listas em um ano, para quem não faz listas, amedrontam. Segue então, a minha lista de 10 coisas que não quero fazer na vida (com comentários):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;em&gt;Viajar para a Índia&lt;/em&gt;. Ok, todo mundo tem um amigo que foi à Índia e achou lindo. Deve ser, não duvido. Para os outros. Eu sou muito pró-conforto e antissocial para me meter em um passeio desses. O mesmo se aplica a lugares como Machu Picchu, Marrocos, Serra Pelada e congêneres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;em&gt;Comer cérebro de macaco&lt;/em&gt; (ou qualquer iguaria exótica do nível, como gafanhoto, olho de cabra, carne de cachorro etc.). A menos que eu esteja ilhado e que seja a única opção de comida, graças à globalização sempre haverá um Mc Donald’s. Em tempo: já comi escargot e carne de tatu. Bons, os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;em&gt;Fumar ópio&lt;/em&gt;. Parei de fumar toda e qualquer coisa. O mesmo se aplica a orégano, sálvia, haxixe, vinho de garrafão e qualquer droga que não tenha experimentado na faculdade. Foi-se o tempo, meu barato agora é fluoxetina e diazepan. Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;em&gt;Comer baiacu&lt;/em&gt;. Está em classe separada das comidas exóticas porque teoricamente é um peixe como outro qualquer. Com o diferencial de que um pedaço pode matar. E quer maneira mais boba de morrer do que comendo um peixe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;em&gt;Brincar de roleta russa&lt;/em&gt;. Pelos mesmos motivos acima, apesar de eu achar bala na cabeça uma morte mais digna que envenenamento de peixe. Mais suja também, mas isso é problema para a Sunshine Cleaning.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. &lt;em&gt;Ir pescar no Pantanal&lt;/em&gt;. Qualquer atividade que envolva as palavras "acampamento", "céu aberto" e "mosquito" não foi pensada para mim. Incluo na lista aqueles acampamentos de treinamento de guerra e o falecido programa &lt;em&gt;No limite&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. &lt;em&gt;Zorbing&lt;/em&gt;. Não sabe o que é? &lt;a href="http://www.zorb.com/" target="blank"&gt;Vá descobrir&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;em&gt;Comprar um trailer&lt;/em&gt;. Eu nunca compraria um trailer, eu nunca viajaria em um trailer, eu nunca dormiria em um trailer, eu nunca moraria em um trailer. A menos que esteja passando necessidade. Mas acho que prefiro morar embaixo de uma ponte. Pelo menos é mais Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. &lt;em&gt;Abrir uma empresa&lt;/em&gt;. Não nasci para administrar o meu dinheiro, que dirá cuidar de funcionário. Meu sonho sempre foi receber, entregar a grana na mão de alguém e dizer "tome conta". Desde que eu tenha um cartão de crédito ilimitado e nenhuma conta a pagar, perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. &lt;em&gt;Ter uma fazenda&lt;/em&gt;. Apesar de estar no sangue, virei urbano demais para me ver no interior, umas vaquinhas, umas galinhas, uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais. Prefiro guardar meus (poucos) amigos, meus (muitos) discos e livros aqui por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria ter sido incluído o item 11: &lt;em&gt;parir&lt;/em&gt;. Mas isso é inerente a todo indivíduo do sexo masculino, e só iria consumir espaço em um texto que acabou ficando grande demais e que deveria também ter sido cortado em duas partes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-3203901348823646645?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/3203901348823646645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=3203901348823646645&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3203901348823646645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3203901348823646645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/05/dez-coisas.html' title='Dez coisas'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1455693401424612395</id><published>2010-04-28T14:54:00.002-03:00</published><updated>2010-04-28T15:06:33.172-03:00</updated><title type='text'>Consumerismo</title><content type='html'>Parodiando os versos de uma quadrinha infantil, "ainda não comprei mas hei de comprar" um livro chamado &lt;a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1571765?franq=147083" target="blank"&gt;Como fazíamos sem...&lt;/a&gt; Não está tão caro assim, porém no momento existem outras prioridades. Principalmente porque a fila de livros aumentou em cinco novos volumes. O livro, de acordo com a sinopse, mostra como era a vida antes de algumas invenções úteis, como telefone, geladeira, luz elétrica. Parte do trabalho da autora, Bárbara Soalheiro, dá para ser lido em uma matéria da revista Aventuras na história, simplesmente &lt;a href="http://historia.abril.com.br/cotidiano/invencoes-como-faziamos-433682.shtml" target="blank"&gt;clicando aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo nasci no tempo da Barsa. Aquela enciclopédia, que o vendedor passava de porta em porta apresentando como a maior novidade para a pesquisa escolar. E era. Agora a &lt;a href="http://brasil.planetasaber.com/default.asp" target="blank"&gt;Barsa&lt;/a&gt; é um website de pesquisa; e a Barsa enquanto enciclopédia de papel já deve estar morta e enterrada, sem direito a exumação. Aparentemente o &lt;a href="http://almanaque.abril.com.br/hotsite/index.html" target="blank"&gt;Almanaque Abril&lt;/a&gt; continua firme e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não é preciso voltar 30 anos no tempo para pensar como fazíamos sem determinada coisa. Celulares, por exemplo. Mesmo achando que é uma invenção similar à coleira de cachorro, e insistentemente me forçando a esquecer o aparelho em casa, desligado, ou no silencioso a maior parte do tempo, não há como não admitir que seja algo útil. Principalmente para chamar a seguradora de noite quando o pneu do carro fura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela economia gerada, as câmeras fotográficas digitais também podem ser tidas por úteis. Apesar de alguns fotógrafos discordarem e de o uso indiscriminado das tais máquinas terem popularizado a superexposição constrangedora desnecessária, também conhecida como "as fotos do churrasco na laje da minha tia quando eu bebi demais e fiz bundalelê em cima da mesa". Mas o aparelho, em si, não tem culpa. Assim como não se pode responsabilizar o inventor do carro por um atropelamento, não tem como culpar a câmera digital pelo uso indiscriminado que fazem dela. Computadores pessoais, novas tecnologias de comunicação, a lista de invenções úteis é grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, seguindo a tendência de que tudo o que é bom precisa de uma contrapartida, existem as deliciosas invenções inúteis. E vou começar barbarizando e dizer que &lt;a href="http://www.apple.com/br/ipodnano/" target="blank"&gt;iPod&lt;/a&gt; é algo desnecessário. Lamento, mas é. Confortável para ouvir as suas músicas? Sim. Eu tenho um iPod. Ajuda a aliviar o estresse na fila do supermercado, é meu companheiro de esteira na academia e no ônibus. Ajuda a trabalhar. Porém, convenhamos, dá para fazer tudo isso sem ele. Dá para chamar de prazer supérfluo, nunca de aparelho indispensável. Não o é nem para um DJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O iPod só não é mais desnecessário (inútil?) que o secador de alface, aquele da cordinha que vendia no &lt;a href="http://www.shoptime.com.br/" target="blank"&gt;Shoptime&lt;/a&gt;. Ou que todos os produtos fantásticos vendidos através do 011-1406, como as facas Ginsu, as meias Vivarina e aqueles elásticos de plástica instantânea que espichavam o rosto das velhas e deixaram toda uma geração, por meses, com a cara da Elza Soares. Também dá para incluir na listagem um mundo de produtos que todo mundo que já foi a uma feira de produtos para casa (aqui em Belo Horizonte se chama &lt;a href="http://unilar.com.br/blog/" target="blank"&gt;Unilar&lt;/a&gt; e estou combinando de ir com uma amiga para ver as últimas novidades do mercado de tranqueiras): filtro para liquidificador, processador manual, descascador de pepino, boleador de melão e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo das invenções interessantes talvez nunca passe. Mas nunca uma safra de invenções é tão marcante quanto aquela que você tem tempo de ficar em casa assistindo à demonstração de tudo isso nos canais de merchandising. Já tive manhãs hilárias assistindo a demonstrações de vaporeto, da flat hose, do invisible bra e um monte de apetrecho para emagrecer e esticar o cabelo. Em uma época em que a coisa era mais amadora, não tão profissional como a &lt;a href="http://www.polishop.com.br/a" target="blank"&gt;Polishop&lt;/a&gt; de hoje, e que dava tempo para fazer algo simples, que eu não sei como as pessoas faziam sem: assistir tevê. Com direito à memorável propaganda da &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NWf5dstxDjo" target="blank"&gt;loção do Vicentino de Moeda&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1455693401424612395?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1455693401424612395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1455693401424612395&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1455693401424612395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1455693401424612395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/consumerismo.html' title='Consumerismo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-843546096030530243</id><published>2010-04-23T15:54:00.000-03:00</published><updated>2010-04-23T15:55:30.907-03:00</updated><title type='text'>Perdendo dentes</title><content type='html'>Fazem alguns dias sinto-me um tanto oco. Como se um pedaço faltasse nalgum lugar, algo meio que orobórico, como se eu estivesse a perseguir meu próprio rabo. Como um cão o faz, dando voltas em torno de si próprio para morder a cauda. Filosoficamente falando, o homem é um animal em busca da sua incompletude. Sempre quer aquilo que falta, e quando encontra dá-se por insatisfeito. Quer algo além. Esse algo além foi o que fez o homem andar e construir prédios. Também o levou a fazer guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior guerra que uma pessoa trava é consigo própria. Encarar um campo de batalha não deve ser tão terrível quanto levantar da cama todos os dias. Achar motivo para dar o passo primeiro e iniciar a jornada é guerra, guerra interna dura e sofrida. Guerras são feitas de batalhas e já diz o ditado quem não se pode ganhar todas. Portanto reservo-me dias de derrota e de recolhimento. Eles são poucos se comparados à alegria descomunal de chegar em casa e descansar com a sensação de batalha justa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, assim como a todos, também me é dura a sensação da perda. Perder não é bom, ganhar é bom, aprendemos assim. Ainda que, e citando letra de música de um grupo que não gosto muito (mas se chama Pato Fu): "As brigas que ganhei / Nem um troféu / Como lembrança / Pra casa eu levei // As brigas que perdi / Estas sim / Eu nunca esqueci / Eu nunca esqueci".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perder é também aprendizado. É treino para morte, sem a inexorável inevitabilidade desta outra. Perde-se hoje e vivencia-se um pouco a sensação do “estar-sem”. Estar sem algo, sem alguém, é ruim, é triste, é por vezes necessário. Meu oco faz-se em função do vislumbre da possibilidade de grandes perdas. Presenciais e intelectuais. Que se ampliaram para além de meus limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas perdas reversíveis e outras irremediáveis. Todas com a mesma sensação de "eu aproveitei menos do que poderia". Mas perdas, anyway. Sem retorno. Os caminhos são sem retorno, não se involui naturalmente. O que há, quando há, é recomeço. Podemos, quando quisermos recomeçar. A menos que estejamos mortos de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A dois: a você e ao meu avô.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-843546096030530243?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/843546096030530243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=843546096030530243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/843546096030530243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/843546096030530243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/perdendo-dentes.html' title='Perdendo dentes'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8750577336180317191</id><published>2010-04-12T14:48:00.002-03:00</published><updated>2010-04-12T14:53:01.792-03:00</updated><title type='text'>Postagem 26</title><content type='html'>Este é um blog outonal, autoral, que, parece, enfim está com o layout pronto. A gente não esperou "o verão passar" de propósito. Muito menos fique achando que vá haver qualquer mudança quando o inverno chegar. Permanecerá assim. No máximo ponho de fundo a música &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Fmy5Lue8jFo" target="blank"&gt;Primavera&lt;/a&gt;, aquela do Tim Maia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justificativa está no céu azul e nos tempos amenos do outono. Esse é um blog de amenidades, de crônicas sobre o tempo e de outros escritos esparsos. Sem objetivo maior que agradar o próprio autor. Eu, no caso. Quando a &lt;a href="http://enquantoda.blogspot.com/" target="blank"&gt;Rosi&lt;/a&gt; chegou com essa proposta outonal gostei de cara. Porque se tem uma coisa que a &lt;a href="http://enquantoda.blogspot.com/" target="blank"&gt;Rosi&lt;/a&gt; sabe fazer, e bem, é deixar algo com a cara da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais é ir chutando a bola, aproveitar os dias sem pressa e comer morangos. Outros outonos virão, porém esse está apenas começando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8750577336180317191?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8750577336180317191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8750577336180317191&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8750577336180317191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8750577336180317191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/postagem-26.html' title='Postagem 26'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-328342016486422957</id><published>2010-04-09T14:53:00.003-03:00</published><updated>2010-04-09T15:02:01.602-03:00</updated><title type='text'>Brasileia</title><content type='html'>Estou verborrágico. O que vem a ser um problema quando eu deveria estar trabalhando e não pensando algum texto. Mas o fato é que o escrito sai a hora que ele quer. Eu praticamente psicografo tem certas horas. Para em outras ficar suando uma linha medíocre qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que estou atormentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque fui chamado de nacionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira defesa é que não, eu não saio por aí de cocar e tambor defendendo o Juca Pirama, o pau-brasil e o Macunaíma. Até porque a Semana de Arte Moderna passou tem quase oitenta anos. Muito menos visto camisa pró qualquer tipo de purismo ou puritanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém preciso assumir que me acabei tornando um tanto nacionalista mesmo. Ou pelo menos falando mais sobre o produto interno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tipo. O melhor livro que li esse ano de 2010 foi mesmo o &lt;em&gt;Galiléia&lt;/em&gt;. Recomendo a qualquer um. Ouço Angela Maria, Ney Matogrosso, Dolores Duran, Elis Regina, Rita Lee, Klébi Nóri, Teresa Cristina, Rita Ribeiro, Maria Bethânia. Gilberto Gil. Chico Buarque. Fui em um dos últimos shows do Chico Science e adorei quando assisti a um show vazio da Paula Lima. Acho ponto de macumba coisa de uma musicalidade fantástica. Mais da metade das músicas que tenho em casa é mesmo cantada em português brasileiro. Já gostei mais de Jorge Amado e acho as novelas do Sílvio de Abreu, junto com as do Gilberto Braga, quase sempre excelentes. Queria ser amigo da Danuza Leão e uma vez perguntei à Fernanda Young se fumar sálvia dá mesmo barato (o que me rendeu uma dedicatória "É verdade, mas não espalha" em um livro que perdi). Adoro a Denise Stoklos, admiro demais o trabalho dos meninos do Luna Lunera. Gosto de feijoada e fui criado com goiabada cascão da minha avó. Quando escolhi o buffet de um coquetel, preferi purê de mandioquinha em vez de &lt;em&gt;vols-au-vent&lt;/em&gt;. Amo cachaça e frango com ora-pro-nóbis, que na minha cidade é conhecido como lobrobrô. Coleciono música brega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista não teria final hoje, e eu poderia terminar fazendo um manifesto &lt;em&gt;Brasil-te-amo&lt;/em&gt;, com chapéu de cangaceiro e defendendo o artesanato do Vale do Jequitinhonha. O que não vai acontecer. Porque não gosto do artesanato do Vale, isso é público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém não é só isso. Olha a contrapartida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fã de literatura descartável: crepúsculo, Harry Potter, Percy Jackson, diários de vampiro, Meg Cabot. Livros de faroeste e detetive, daqueles de bolso (alguns escritos por brasileiros, mas tudo com nome estrangeiro). Leio (ou li) Maurice Druon, Joseph Campbell, Fritjof Capra, Kafka, Garcia Márquez. Amo Bergman, escrito e filmado, e para mim &lt;em&gt;Fanny &amp; Alexander&lt;/em&gt; é o melhor filme de todos os tempos. Mais que Cidadão Kane. Queria ter sido amigo da Audrey Hepburn e adoraria contracenar com Meryl Streep. Milk-shake é uma invenção perfeita, eu tomaria um por dia se isso não me transformasse em um barril ambulante maior do que já sou. Adoro cinema francês e Edith Piaf, já comi escargot e gostei. Provavelmente viveria muito bem em Paris, Londres ou Praga. Gosto de Beatles, fui no show da Madonna, no dos Rolling Stones e me carregaram certa vez para o Deep Purple (mas desse não gostei). Chorei quando vi a Diamanda Galás. Arrependo até hoje de não ter ido ao show do Rufus Wainwright praticamente na porta da minha casa só porque estaria cheio demais e não foi quase ninguém. Ouço ABBA, Donna Summer e adoro disco music, principalmente para dançar. Coleciono dvds de séries americanas e amo desenho animado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não gosto de metal pesado, não gosto do Iron Maiden e acho Oasis e Sigur Rós um porre. Também não gosto de house, ou sei lá o que toca nessas festas que a gente entra, sai, e parece que não mudou a música hora nenhuma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que, para encerrar, eu me lembrei de uma conversa com uma historiadora amiga minha, a Adalgisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá bom, Adalgisa. Ouro Preto é barroco. Mas e Ponte Nova, onde nasci, é o quê?&lt;br /&gt;– Aquilo lá é &lt;em&gt;ecletismo&lt;/em&gt;, uai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficamos assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-328342016486422957?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/328342016486422957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=328342016486422957&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/328342016486422957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/328342016486422957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/brasileia.html' title='Brasileia'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-5850056935865706946</id><published>2010-04-09T11:28:00.001-03:00</published><updated>2010-04-09T11:32:19.895-03:00</updated><title type='text'>Perfil astral</title><content type='html'>Conforme a data do meu nascimento (21/07) sou do signo de câncer, ou caranguejo. Assim como os caranguejos tenho a casca dura, com o corpo totalmente protegido por uma carapaça e cinco pares de patas, o primeiro dos quais transformado em fortes pinças. A couraça do caranguejo serve, principalmente, para a defesa. O caranguejo, assim como o canceriano, é mole por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Wikipedia, cancerianos são tímidos, misteriosos, e muito ligados às tradições. O humor do canceriano é extremamente mutável e em ocasiões tende a ser rabugento e agressivo, uma vez que sua necessidade de autodefesa (às vezes antes mesmo de ser atacado) é uma de suas características fundamentais. Oscila entre o júbilo e a depressão. Os cancerianos são muito fechados e costumam ser muito capacitados intelectualmente, extremamente ligados às artes, à música e à poesia. Na verdade, o canceriano é um chato que adora um drama. E tem uma tendência natural à alternância de personalidades. A &lt;a href="http://www.sho.com/site/tara/home.do" target="blank"&gt;Tara&lt;/a&gt; deve ser canceriana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exercício interessante é o da desconstrução do canceriano. A do caranguejo, o bicho, costuma ser feita a marteladas. Só na base do porrete se chega ao interior mole e são poucos os que não gostam. Os mais preguiçosos já compram o caranguejo "catado" no mercado de peixes. Para se desconstruir um canceriano não precisa martelo. Até porque se você chegar com um martelo perto de um canceriano ele vai sair correndo. Qualquer pessoa com instinto de sobrevivência tende a fugir quando vê um martelo se aproximando, acredito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de fragmentação do canceriano é mais sutil, e se dá em etapas. À primeira vista um nativo de câncer (principalmente aqueles que, como eu, têm o signo de touro por ascendente) aparentam ser indóceis, agressivos e arredios. Com o verbo afiado. É tudo mentira. É tudo defesa. Mas o canceriano não pode saber disso. Para ele, armadura vestida é sinal de proteção. Tente tirar a armadura de uma vez só e você ganha um beliscão. Ele tem pinças, lembra? Cancerianos se desconstroem em etapas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja inteligente, aprenda a trabalhar em um editor de imagens e descubra o que são layers. Canceriano funciona em layers, muitas vezes com várias camadas ocultas. Desnude-o devagar, sem pressa. A pressa é inimiga do canceriano, ser que gosta de culinária e que entende que todos os pratos têm um tempo ideal de cozimento. Mas que sabe que se cozinhar demais passa do ponto, queima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe-o achar que consegue controlar tudo. Canceriano detesta quando algo ocorre fora do programado, foge do padrão ideal que ele tem na cabeça e você, lógico, não sabe qual é. Problema seu, compre uma bola de cristal. Cancerianos são geniosos e difícieis de domar. E nada garante que, uma vez nos trilhos, ele não vá ficar novamente indócil. Canceriano é um animal de fases. Que vira e mexe adora subverter todas as regras do jogo, só para ficar mais divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, perca o medo. Cancerianos acreditam em horóscopo mas não o seguem. E costumam ser mais simpáticos do que aparentam ser. Eu mesmo já ouvi de hoje grandes amigos que, quando me conheceram, me achavam totalmente insuportável. Na verdade eu o sou, mas me tornei um chato socialmente aceitável. Em tempo: de todos os caranguejos, o meu preferido é o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guaiamu" target="blank"&gt;guaiamum&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-5850056935865706946?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/5850056935865706946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=5850056935865706946&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/5850056935865706946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/5850056935865706946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/perfil-astral.html' title='Perfil astral'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6437491591037406105</id><published>2010-04-07T14:38:00.002-03:00</published><updated>2010-04-07T14:57:22.223-03:00</updated><title type='text'>Antipatia</title><content type='html'>Li outro dia em um livro da Fernanda Young (&lt;a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21206003/?franq=102414&amp;utm_source=buscape&amp;utm_medium=cpc&amp;utm_campaign=bp" target="blank"&gt;Tudo que você não soube&lt;/a&gt;, Ediouro, 2007) que a personagem, o livro é uma narrativa em primeira pessoa, não fuma por questões estéticas. Porque não suporta a voz rouca pré-câncer das mulheres que fumam há não-sei-quantos anos. E que são, quase sempre, louras. Porque mulher não fica velha, fica loura. Resolvi exercitar (mais) o meu lado antipático de ser, e fazer uma pequena lista das minhas insuportabilidades. Esse texto deveria se chamar "Da insuportabilidade das coisas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens de bigode, não suporto. Homens de bigode me lembram velhos e década de 1970, quando nasci. Eu tolero os velhos que usam bigode, como o meu avô. Fumantes com bigode amarelado por cigarro acho insuportáveis. Assim como esse povo da minha idade (ou menos) que insiste em usar bigode e aqueles óculos do tempo do onça e achar que estão ótimos, cools e cults. Não, não estão. Não para mim, pelo menos. Então você, magrelo, que usa bigode e óculos retrô parecendo tirados de um filme do Chevy Chase, saiba: eu não te suporto e não faço questão nenhuma em achar que o seu enfeiamento social seja algo útil. Porque, sério, bonita essa moda não é. Bonito no sentido estético, agradável aos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas tatuadas que se acham. Pessoas que se acham, no geral, mas principalmente as tatuadas mais antipáticas que eu. Ah sim eu tenho tatuagem, por isso tem dias que não me suporto – o que me levaria direto ao consultório psiquiátrico. Como não tenho dinheiro para pagar o médico, escrevo... E por pura antipatia (ou cortesia) você me lê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que escreve errado. O errado básico, entendam: exceção, chato, lagartixa, iogurte. A brochada mais fenomenal da minha vida foi quando vi um chato com xis – "xato". A pessoa ficou feia de repente, eu chegava perto e aquele xis parecia brotar na testa, pulsando. E sim, eu já fiz parte da comunidade &lt;em&gt;Good writing is sexy&lt;/em&gt;, do tempo em que existia Orkut. Mas perdoo berinjelas e jilós, porque para essas palavras precisei consultar o dicionário. Até erros de concordância passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensagens edificantes em powerpoint e vídeos engraçados e piadas fantásticas e correntes de qualquer santo ou anjo que chegar no meu email. Xis delete. Vou passar a usar essa expressão "xis delete", gostei. Pus o meu tio na lista de pessoas que o e-mail vai direto pro lixo, e não abro 99% das mensagens da minha mãe. Pois é. Insuportável e intolerante, eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.itatiaia.com.br/site/" target="blank"&gt;FM Itatiaia&lt;/a&gt;, depois que passou a transmitir a mesma programação da Itatiaia AM. Vulgo &lt;em&gt;a rádio favorita dos taxistas&lt;/em&gt;. Porque me lembra trânsito e me lembra morrinha. Detesto engarrafamento, detesto buzina, detesto motoboy, detesto sinal fechado, detesto malabarista de sinal, detesto flanelinha. E não tenho carro. Carro em minha mão provavelmente deve virar arma. Entendo demais aquele jogo &lt;a href="http://www.gamespot.com/pc/driving/carmageddon/index.html" target="blank"&gt;Carmageddon&lt;/a&gt;, que o cara sai atropelando deus e o mundo. Por isso nunca joguei. Medo de viciar naquilo e ir parar numa clínica de tratamento para dependentes de videogame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra. Detesto obra, construção. Não quebro uma parede da minha casa para melhorar o sinal da tv a cabo porque sei que quando uma obra começa não acaba. Não gosto de pedreiros por associação. Pelo barulho que fazem, pelo transtorno que causam. Lugar em obra devia ser isolado do convívio social até ficar pronto. Meu sonho é comprar apartamento na planta e só mudar quando tudo estiver no lugar. Mentira. Meu sonho é comprar uma casa velha no centro da cidade e mandar reformar. Antes de me mudar, claro, e preferencialmente entregando o dinheiro na mão de algum arquiteto amigo meu. Porque eu e a obra somos como a lua e o sol: quando encontra dá eclipse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfume vagabundo é outra coisa insuportável para mim, sou alérgico. No meu corpo só algo fraquinho ou &lt;a href="http://www.chanel.com/en_US/fragrance-beauty/Fragrance-Allure-Homme-88359" target="blank"&gt;Allure Homme&lt;/a&gt;, Chanel. Que é o que assenta bem e me dá o "meu cheiro tradicional". Pena que é caro demais para eu comprar aos litros. Não ter dinheiro é algo que não me agrada também, só que, convenhamos, tenho de agradecer muito por conseguir levar as coisas mais ou menos equilibradas. Não sei – mesmo – como alguém consegue viver com um salário mínimo e criar quatro filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar por hoje a lista de minhas insuportabilidades: pais permissivos, aqueles que acham natural o seu filho subir na cadeira do ônibus e puxar o cabelo do passageiro da frente (eu, no caso). Não, não é. Nada contra a criança puxar o seu cabelo uma vez. Acontece. Mas nesse ponto, e me perdoem pais, é igual treinar cachorro: viu fazendo errado tem de corrigir na hora. Preferencialmente fazendo a criança passar a vergonha de ir pedir desculpas à pessoa. Acho que nesse ponto minha mãe acertou: respeito demais as pessoas principalmente para não ter de ir pedir desculpas pelo transtorno causado. Porque sim, é algo que me deixa muito embaraçado. Sou tímido, apesar de sempre dizerem o contrário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6437491591037406105?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6437491591037406105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6437491591037406105&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6437491591037406105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6437491591037406105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/antipatia.html' title='Antipatia'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6466484456720096014</id><published>2010-04-05T16:02:00.002-03:00</published><updated>2010-04-05T16:05:50.574-03:00</updated><title type='text'>Mistérios</title><content type='html'>Meu primeiro texto de abril deveria ter sido uma homenagem que eu e meus irmãos fizemos a nossa mãe pelo seu 60 aniversário, ocorrido dia 1º. Não o é. O texto virá, mas não vai mais ser o primeiro de abril. Fica pra depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero pensar um mistério. Não um mistério de Agatha Christie, porque nunca li nenhum. Para quem demorou 21 anos para assistir &lt;em&gt;ET&lt;/em&gt; não é exatamente surpresa. Porque um mistério cabe bem para esse começo de segunda-parte de ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mistério é simples, não é um &lt;em&gt;koan&lt;/em&gt;: "o que eu realmente quero?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não quero é fácil: não quero prazos curtos para nada, não quero pessoas doentes, não quero dias cinzas e tristes, não quero morrer sozinho, não quero tomar vacina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero é simples também: quero fazer vestibular, quero emagrecer o suficiente para sair da linha do infarto e diminuir o colesterol, quero uma filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas "o que eu &lt;em&gt;realmente&lt;/em&gt; quero"? O que daria sentido ao fato de eu me levantar da cama e agradecer por estar vivo e por fazer diferença na vida de pelo menos uma pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Os dias têm ficado chatos e cansativos. O trabalho não me dá mais o prazer que dava. O desafio virou excesso de carga, e isso nunca me é bom. Talvez esteja na hora de parar no espelho e me perguntar se estou em busca do que &lt;em&gt;realmente&lt;/em&gt; quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, porém, é preciso saber o que é. Aceito respostas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6466484456720096014?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6466484456720096014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6466484456720096014&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6466484456720096014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6466484456720096014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/04/misterios.html' title='Mistérios'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-782555338116611864</id><published>2010-03-25T14:45:00.002-03:00</published><updated>2010-03-25T14:49:54.101-03:00</updated><title type='text'>Da honestidade</title><content type='html'>As pessoas que nasceram no fim da década de 1970 no Brasil pegaram, em sua infância, o movimento Diretas Já, eleição e morte de Tancredo Neves e mais uma grande crise econômica que levou a certa perda de poder aquisitivo da então classe média. Quem não se lembra dos preços tabelados, ou ainda das corridas aos supermercados em busca de preço baixo, com direito a estocagem doméstica de produtos? Eu lembro muito bem de, na casa da minha tia, ter uma parte do maleiro do armário cheia de papel higiênico e latas de leite condensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, as crianças dessa época foram as primeiras "vítimas" de uma revolução nas propagandas, com um alto investimento em produtos e seus respectivos anúncios voltados ao público infantil. Não esqueça a minha Caloi, chicletes Ploc, Clube do Bocão da gelatina Royal, concurso da maionese Hellman's para dar um robô que era a cara do C3PO (e até hoje lembro o nome que venceu: Jecanauta). Não sei se havia alguma regulamentação na época, sei que eu via muita tevê e que sim, a mídia levava os filhos a infernizarem seus pais atrás de porcarias definitivamente indispensáveis. A coisa foi evoluindo e com o tempo, já com a entrada do Conar, comerciais como os da &lt;a href="http://videolog.uol.com.br/video.php?id=239274" target="blank"&gt;tesourinha do Mickey&lt;/a&gt; saíram de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um bom nascido em 1977, e com 33 anos prematuramente assumidos (na verdade só faço 33 em julho), fui uma dessas "vítimas". E como toda boa criança infernal (e mimada), tive acesso, quando possível, a um monte de besteiras. Como aquele estojo paraguaio horrível que a gente apertava botões e os compartimentos abriam. Quem nunca viu a monstruosidade de perto? Eu tive um, e era rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente esse introito não é justificativo para um delito que cometi na infância: &lt;em&gt;eu roubei um ovo de páscoa&lt;/em&gt;. Não me perguntem a razão, talvez pela crise econômica, ou talvez por ter sido uma criança gorda, o fato é que nunca ganhei, de criança, um ovo de páscoa. Entendam como ovo de páscoa aquilo que fica dependurado no teto das Lojas Americanas, o pequenininho não vale. Foi exato assim: entrei no supermercado, peguei o ovo e saí. Claro que todo mundo viu, só que na minha cabeça eu estava fazendo algo erradíssimo (continua sendo erradíssimo), mas que ninguém teria como descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondi o ovo por alguns dias na casa da minha tia, disse que tinha sido presente de alguém, só o comi no domingo de páscoa. Passei uns bons tempos sem me confessar, para não contar ao padre que tinha roubado um ovo de páscoa, e acho que o perdão desse crime veio em alguma confissão comunitária, aliás o meu tipo preferido até hoje. Eu e Deus resolvemos o assunto sem precisar dizer ao padre, geralmente amigo da minha mãe, os muitos pecados cometidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter roubado aquele ovo de páscoa, ao contrário do que pode parecer, não me transformou em marginal. A "culpa" daquele ovo ainda é tão grande que antes eu tivesse tomado uma surra naquele tempo. Simplesmente ninguém disse nada. Nada. Até hoje não sei, aliás, mãe, você que está aí me lendo agora, sabia que eu já roubei um ovo de páscoa? Enfim. Depois que mudei para Belo Horizonte, descobri que praticamente todos os meus colegas de colégio já tinham roubado bombom nas Lojas Americanas e o peso da culpa diminuiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém o castigo do ovo existiu e não foi uma grande dor de barriga (o ovo, acho, até que era gostoso): eu virei uma pessoa automaticamente honesta. Como se houvesse algo superior me vigiando e esperando a minha próxima escorregadela. Exemplo: na semana passada fui buscar um pedido de radiografia para uma amiga e o porteiro do prédio me entregou um envelope, daqueles de depósito em banco, com dinheiro dentro. Eu não raciocinei quanto à possibilidade de ir embora com o envelope. Foi instantâneo: "Não, moço, eu vim buscar o envelope da Dra. Alessandra, sala 319, não é esse". Mesma coisa outro dia no restaurante: o dono digitou errado o valor, R$10 a menos, avisei o erro. Virei um chato. Devolvo troco a mais, corro atrás de gente que esquece a bolsa no ônibus, e nunca achei dinheiro na rua para ter a oportunidade de pensar se devolvo ou não ao dono. Provavelmente devolvo, se souber quem é o dono, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma não sou afeito a injustiças, em todos os níveis e seja com quem for. Alguns trâmites da vida, que alguns encaram como "simples" ou "normais", podem virar extremo sofrimento para mim, quase como psicopatia. O errado ganha extrema relevância, grita como sirene de polícia em meu ouvido. O que me levou a afirmar que não trabalho para o Edir Macedo, nem por um milhão de dólares ao mês. Vai contra a minha índole. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do ovo também levou a outra válvula de escape. Agora que posso, todo ano passo nas Lojas Americanas e compro ovos de páscoa. Aliás esse ano vou fazer diferente, não vou comprar. Minha irmã vai ficar mais triste, mas paciência. Vou usar o dinheiro do ovo para outra coisa qualquer, e terá provavelmente o mesmo efeito. É uma tentativa de superar um lugar-comum da minha geração nos dias de hoje. Se você tem por volta dos 30 anos, dê uma conferida no que tem comprado que com certeza vai achar coisas idênticas, com os mesmos personagens, ou muito parecidas com aquelas que você não podia ter na infância. Ou você acha mesmo que lançaram os dvds do He-Man para as crianças de hoje poderem assistir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-782555338116611864?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/782555338116611864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=782555338116611864&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/782555338116611864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/782555338116611864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/da-honestidade.html' title='Da honestidade'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8514806872915477231</id><published>2010-03-18T16:41:00.001-03:00</published><updated>2010-03-18T16:43:26.510-03:00</updated><title type='text'>Macabéa</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por enquanto Macabéa não passava de um vago sentimento nos paralelepípedos sujos. (...)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo meu momento Macabéa. Não que eu tenha saído do Nordeste para trabalhar no Rio, nem que eu tenha conseguido um emprego como datilógrafo em uma firma de representantes de roldanas. Não. Eu vivo de metáforas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se assustem se amanhã ou depois virem no jornal de R$0,25 que um homem foi atropelado por um Mercedes-Benz e esse blog parar de receber meus escritos. Estarei morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo meu momento Macabéa em fim de livro. Para quem não leu &lt;em&gt;A hora da estrela&lt;/em&gt;, saiba que Macabéa é atropelada, e morre, saindo da cartomante. Pronto contei o final. Mas é como o final de &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt;, todo mundo sabia que o Leonardo Di Caprio ia morrer e foi ao cinema assim mesmo. Filas para verem navio afundar. Importante é o percurso, nunca o fim. Até porque o fim, no fim, é mesmo a morte. Menos para Elvis Presley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo meu momento Macabéa engravidado de futuro. Encantado com a possibilidade de um futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tanto estava viva que se mexeu devagar e acomodou o corpo em posição fetal. Grotesca como sempre fora. Aquela relutância em ceder, mas aquela vontade do grande abraço. Ela se abraçava a si mesma com vontade do doce nada. Era uma maldita e não sabia. (...)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macabéa precisava morrer porque para ela a ilusão de futuro já bastava. A promessa de felicidade bastava. Quanto a mim dirá o destino. Mas sim, depois dos dias cinza o céu já está entre nuvens em Belo Horizonte, e um pouco de azul aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine um jogo de ligar os pontos. Você, criança, abre a página do livro de colorir e lá está aquele tanto de ponto incompreensível numerado. Quando se ligam os pontos aparece o desenho: um cachorrinho, um gatinho, a Branca de Neve. Isso quando você não faz como eu, que ligava os números em vez dos pontos e me dava por satisfeito. Porque importante era ligar, não era ter uma figura bonita depois. Isso diz mais que o suficiente de mim, tanto que pensei duas vezes antes de publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metaforicamente falando, a vida é um jogo de pontos. A gente vê um panorama e pensa o que fazer com aquilo. Porque, para dificultar, o jogo de pontos chega sem números e sem o lápis. Então a gente passa pelos pontos, e demora um tempo enorme para entender o que fazer com aquilo. De repente, no susto, tudo começa a fazer sentido. E o lápis apareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de ligar pontos pode ou não acontecer. E, claro, como os pontos não são numerados, a gente sempre pode fazer o desenho errado. Mas o importante, sempre, é o processo. E por ter percebido, tão cedo, tão cedo mesmo, qual o meu processo, eu hoje estou feliz e com medo. Feliz por enfim conseguir enxergar algo lá na frente. Com medo de um caminhão fenemê me atropelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(...) O instante é aquele átimo de tempo em que o pneu do carro correndo em alta velocidade toca no chão e depois não toca mais e depois toca de novo. Etc., etc., etc. No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada.&lt;br /&gt;Eu vos pergunto:&lt;br /&gt;- Qual é o peso da luz?&lt;br /&gt;E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - mas eu também?!&lt;br /&gt;Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos.&lt;br /&gt;Sim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, e por enquanto, é tempo de morangos. As citações são de &lt;em&gt;A Hora da Estrela&lt;/em&gt;, da Clarice Lispector. E esse layout novo, ainda em fase de adaptações, é da Rosi. A quem dedico esse texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8514806872915477231?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8514806872915477231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8514806872915477231&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8514806872915477231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8514806872915477231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/macabea.html' title='Macabéa'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6510942707617445720</id><published>2010-03-16T14:35:00.002-03:00</published><updated>2010-03-16T14:39:11.209-03:00</updated><title type='text'>Verbi gratia</title><content type='html'>Cecília Meireles já disse ter fases, como a lua. Depois disso não há como qualquer canceriano se apropriar da constante mutação do satélite para justificar suas oscilações de humor sem soar no mínimo clichê. Mas como todo bom canceriano — Cecília era escorpiana de sete de novembro, a contrário de mim — eu tenho sim fases. Fases de muito mau humor como os dias de agora. Dias em que tudo se transforma em objeto de irritação, e que uma pessoa normal, se fosse sua amiga, diria: procure o analista. Dias em que a voz dos outros incomoda. Dias em que você quer estar apenas com você mesmo, preferencialmente isolado do mundo, metido em alguma caixa branca. Assim estou: insuportável. Até para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, e muito provavelmente, eu esteja assim porque a realidade anda insistindo demais em aparecer escancarada em minha frente. Estúpida. Justo eu que prefiro metáforas, mais inteligentes e mais intrigantes. Nunca menos doloridas. Vivo aqueles dias em que o espelho teima em avisar para ficar em casa ou desaparecer sem aviso prévio. Mas o barulho do martelo dos pedreiros no andar de cima (isso &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; é uma metáfora) me persegue tanto no trabalho quanto em casa, impossível fugir. Ponho o pé na rua e logo vem o gosto amargo de se estar em um dia cinza e nublado e com chuva. Pessoas como eu de mau humor são uma festa para as confeitarias. Desconto tudo no açúcar, com 4.5% de culpa devidamente queimada em uma esteira por 30 minutos suados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O açúcar me alivia da serra elétrica, dos clientes ansiosos, dos limites estourados e dos prazos curtos. Mas não alivia de às vezes a vida cuspir na sua cara que você é um bosta. Com o perdão do termo. Hoje estou, ou quem sabe sempre tenha sido, um bosta. Paradoxalmente eu sei que não o sou, dispenso isso da caixa de comentários. Porém nada alivia o azedume de me sentir assim nesse momento. Claro que, como sempre, por coisinhas estúpidas como um telefonema. Provavelmente a minha mãe me educou bem demais para ser grosseiro, ou provavelmente a minha índole me impeça, por vezes, de ser indelicado. Só sei ser grosseiro e rude, só sei dar patadas entre aqueles que amo. Para todos os outros sempre serei no mínimo gentil e cortês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, a minha mãe também sabe que eu não tolero falta de justiça por muito tempo. Por isso preciso expurgar meus traumas de infância, nem que seja por aqui, e rasgar um mundo de verbos estrangulados por mais de trinta anos. Fiquem todos então sabendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou, &lt;em&gt;nunca&lt;/em&gt; serei, não pretendo ser &lt;em&gt;igual&lt;/em&gt; a ninguém. Não tenho vontade de ser nada além de eu mesmo: nunca quis ser médico. Não quero ser químico da Fiat e ter uma família perfeita com dois filhos perfeitos. Não sou perfeito, me orgulho muito disso. A vida não me educou para o sonho de consumo americano. Larguei a faculdade porque quis, não me formei porque não quis. Da mesma forma que parei de fumar porque quis, e não porque "alguém disse que faz mal". Mas emagreci porque a médica não deu opção. Não sei dirigir. Nunca tive vontade de dirigir. Não quero ter um carro para me dar despesas, já bastam as minhas cachorras. Se eu puder optar por uma despesa fixa, escolho ter uma filha. Quero uma filha. Talvez eu volte a estudar Direito um dia. Gosto muito do meu trabalho, mesmo acontecendo horas em que tenho vontade de largar tudo, de parar com tudo. Como agora, quando eu devia estar cuidando de coisas mais urgentes do que fazer um texto insano que ninguém vai entender. Mas no fim, mesmo, sabe por que eu não sou um bosta? Porque, ao contrário de tanta gente, são poucos os que dão opinião na minha vida. Porque, no fim, mais que muitos, eu consigo ser reconhecido por aquilo que deveria ser inerente a todos: a &lt;em&gt;minha individualidade&lt;/em&gt;. E em ser eu mesmo eu sou melhor que todo mundo. Portanto, por favor, respeito a mim, e aos meus. Senão vou esquecer os princípios da boa educação e partir pra briga, seja com quem for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora copiar isso e colar na porta do armário do quarto, fazer de papel de parede no desktop, gravar em mp3 e ouvir até internalizar, na mais pura programação neurolinguística. E lembrar que as coisas vêm e vão. E, principalmente, mau humor engorda. Vamos cuidar então da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: em mais uma coisa sou contrário a Cecília Meireles. Dizem que ela adorava pedreiros. Eu não os suporto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6510942707617445720?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6510942707617445720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6510942707617445720&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6510942707617445720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6510942707617445720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/verbi-gratia.html' title='Verbi gratia'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6384247889102116740</id><published>2010-03-10T16:09:00.003-03:00</published><updated>2010-03-10T16:18:48.648-03:00</updated><title type='text'>Cardisplicente</title><content type='html'>Esse fim de semana fui rever, devidamente acompanhado, a montagem belorizontina da peça &lt;em&gt;Brasileiro, profissão esperança&lt;/em&gt;, do Paulo Pontes. Que fala sobre Dolores Duran, a quem tenho aprendido a amar, e sobre Antônio Maria, de quem nunca tinha lido nada até o momento. O que é um erro. Antônio Maria devia ser lido e republicado frequentemente. Devia estar naquela série "Para gostar de ler" que tem na biblioteca da escola. Como eu tinha gostado da peça o bastante para ir ver de novo, logicamente eu já tinha baixado a trilha do espetáculo original, com Clara Nunes e Paulo Gracindo, encenada em um tempo em que eu não era ainda vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, depois de muito tentar o &lt;em&gt;rapidshare&lt;/em&gt; (ele não é mais meu amigo), enfim peguei para ouvir a versão mais recente, não sei exato a data, com Gracindo Jr. e Bibi Ferreira. Logicamente esperava por um texto semelhante, mesmo sabendo que haveria alterações. O próprio Paulo Pontes teria dito que o texto, para ser reencenado, precisaria sempre de ajustes. Recomendo ouvir tanto a versão inicial quanto a mais atual. Basta procurar no &lt;a href="http://umquetenha.org/uqt/" target="blank"&gt;Um que tenha&lt;/a&gt;. Lá tem as duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que o texto é outro. Quer dizer, é o mesmo, mas aumentado, e com uma picardia de humor do excelente entrosamento entre o Gracindo Jr. e a Bibi. Como foi gravado ao vivo, existem alguns cacos que deixam a própria Bibi Ferreira desconcentrada em cena. Se a versão de Paulo e Clara é irretocável, a de Bibi com Gracindo Jr. fica marcada por um traço de improvisação e um quase deboche delicioso. Mas com todo o respeito, claro. Até porque pedir a Bibi Ferreira para cantar como Clara Nunes seria, no mínimo, idiotice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo da peça, Gracindo Jr. diz uma crônica do Antônio Maria – ele era cronista, compositor, humorista, amava com a vida toda e escrevia à máquina com dois dedos – que não fez parte nem do disco original e nem da peça que assisti no domingo passado. O texto, que não achei na internet e gastei um tempo bom digitando, segundo o áudio, teria sido publicado em 1960, no jornal &lt;em&gt;Última Hora&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tem coisas que eu não entendo. Por que "Brasil"? Sabem os senhores porque esse país se chama Brasil? Por causa do primeiro pau que Cabral avistou ao desembarcar aqui. O pau-brasil. Agora, e se esse primeiro não tivesse sido o brasil? Se tivesse sido um pé de mandioca, por exemplo? A nossa virilidade estaria irremediavelmente comprometida! O cidadão, para dizer que gosta da sua terra, teria que falar: "Eu sou vidrado na mandioca!" As senhoras, todas interessadas nos destinos da nação, teriam todo o direito em dizer: "É por isso que essa mandioca não levanta!" E, para fortuna nossa, Cabral não viu de cara a mexerica, porque hoje teríamos uma nação de mexeriqueiros. Por esse critério, o do primeiro pau, o nosso país hoje poderia de chamar pindoba, mangaba, aroeira, jaqueira, coqueiro. Ou simplesmente coco. Aliás, bonito nome para um país: Coco. Só que relações diplomáticas com a França jamais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E se Cabral tivesse visto, de saída, um pé de abacaxi? Brasília, 1º de janeiro de um ano qualquer. O presidente que sai, ao passar o governo ao presidente que entra, pronuncia as seguintes palavras: "Excelência, tenho a honra de passar o abacaxi para vossas mãos." Nós temos sorte, nós temos muita sorte. Hoje nós poderíamos ser os goiabas, os abacates, os bananas... Nós poderíamos ter o nome de uma fruta qualquer. Vocês já imaginaram, na copa do mundo, um placar como esse: "Escócia dois, Carambola zero"? E pra fortuna nossa, Cabral não viu, de saída, um pau desconhecido, que ele só soubesse identificar por sinônimo. Porque hoje seríamos a República dos Estados Unidos do Cacete!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria tudo bem se eu não tivesse escutado a fala acima dependurado no Grávitron (para quem não sabe o que é, &lt;a href="http://cabecadegordo.blogspot.com/2009/06/160-1.html" target="blank"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;, vá no meu blog do ano passado e descubra). Pois viver é pagar mico, e eu perdi a concentração, comecei a rir igual a um boboca, e quase despenquei de cima da máquina, estabacando no solo em plena hora de pico da malhação. Mas ainda não foi dessa vez que dei show por lá. Porque sim, já caí da esteira alguns anos atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6384247889102116740?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6384247889102116740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6384247889102116740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6384247889102116740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6384247889102116740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/cardisplicente.html' title='Cardisplicente'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6912599725074623995</id><published>2010-03-04T11:10:00.001-03:00</published><updated>2010-03-04T11:53:00.375-03:00</updated><title type='text'>45 notas pouco hipócritas (todo mundo sabe mas esqueceu)</title><content type='html'>1. Vai chover justo no dia em que você esquece o guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Existe um mundo encantado para onde vão guarda-chuvas, meias e canetas bic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Sim, existem pessoas privilegiadas nesse mundo. Você, provavelmente, não é uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Também existe um mundo melhor no qual as pessoas compram chaveiros por 700 dólares e tomam cerveja com a Hebe Camargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. A coisa mais imbecil do mundo é não escutar os seus pais. Você só vai aprender isso depois de velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Portanto, se a sua mãe mandar levar uma blusa de frio, leve uma blusa de frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. É mais fácil tomar um choque no banheiro que ganhar na mega-sena, nem por isso deixe de tomar banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. É mais fácil ganhar na mega-sena que morrer num acidente de avião, nem por isso deixe de ter medo de voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Já joguei na mega-sena, hoje em dia esqueci. Quando lembro, ainda jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Se deu certo da primeira vez foi por pura sorte. Portanto, vai dar errado a qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. Principalmente se for tentativa de assalto, sequestro ou algo ilícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Quando der muita vontade de comprar, o certo é não comprar. Espere 3 dias para ver se a vontade continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. Eu não professo a verdade acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. Aos 20 anos você pode tudo, mas não tem dinheiro para nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. Aos 30 anos você acha que pode, mas é tanta conta para pagar que o trabalho esgota toda a sua energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. Todo mundo já fez mais de uma loucura na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. 99% das pessoas adultas que você encontra na rua já fizeram sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. Mulheres grávidas fazem sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. Mais da metade dos adolescentes que você encontra na rua também já fez sexo. 100% pensam em sexo, o que explica as notas baixas na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. Santa só a minha mãe, e olhe lá (Rita Lee).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. O sistema de ensino brasileiro não leva em conta que criança e adolescente precisa dormir mais que os adultos. Por isso as torturantes aulas de sete da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22. Você não vai mudar o mundo. Você não vai mudar o modo como o mundo pensa. Mas você pode fazer a diferença para aqueles que quer bem, e isso é o mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. Case-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24. Se não deu certo, separe-se o mais rápido que puder. E não tenha medo de casar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25. Nada que você não tente umas duzentas vezes é impossível. Pode dar certo na primeira tentativa, mas é pura sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26. Tenha um amor de cada vez, mas não dedique 100% do afeto à pessoa amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27. Existem família, filhos, amigos, cachorro, gato, papagaio precisando de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28. Importante é fazer café e fritar ovo. Para o resto existe delivery.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29. Os desenhos animados de antigamente eram muito melhores que os de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30. O que não significa que bebês sejam burros. Eles provavelmente já sabem programar o vídeo-cassete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31. Faça um plano de metas anual e guarde numa gaveta. Volte um ano depois para ler, e você vai tomar um choque. Eu faço. E tomo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32. Nunca releia os seus diários antes de passados 20 anos, para não se achar um completo imbecil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33. Elogie em público, repreenda pessoalmente num canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34. Pessoas não mordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35. Se você tiver muito medo de alguém, imagine essa pessoa no banheiro fazendo o número dois. (Rosiane Pacheco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36. Imagine a Gisele Bündchen no banheiro fazendo o número dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37. Dê quatro ou cinco boas risadas por dia, mas chore quando tiver vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38. Saiba pedir perdão, e dê o braço a torcer o quanto precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39. Seja flexível, pratique yoga se for o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40. Todo mundo vai morrer um dia. Torça para seus pais morrerem primeiro que você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41. Pelo menos 2% dos seus colegas de colégio ou de faculdade já morreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42. Independente da idade, o seu pai ou a sua mãe vão te matar de vergonha enquanto viverem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43. É mais fácil aprender na base do amor, mas são os traumas que marcam a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44. Lembra de quando te passaram a mão na cabeça? Pois é. Mas aquela surra merecida você não esquece nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45. Duas últimas lições importantes: "do chão não passa" e "viver é pagar mico".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6912599725074623995?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6912599725074623995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6912599725074623995&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6912599725074623995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6912599725074623995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/45-notas-pouco-hipocritas-todo-mundo.html' title='45 notas pouco hipócritas (todo mundo sabe mas esqueceu)'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1507845084529251149</id><published>2010-03-03T17:11:00.002-03:00</published><updated>2010-03-03T17:18:21.730-03:00</updated><title type='text'>Tabu tatoo</title><content type='html'>Para começar não, não sou jornalista. Não tenho comprometimento com verdade, com verossimilhança nem com coerência. Muito menos com imparcialidade. Não procuro ter. Gesto meus textos com pressa depois de ruminar dois ou três dias o escrito na minha cabeça. Sim, este parágrafo que você lê aqui, agora, foi pensado por mim no domingo. Só chegou até aqui porque "vingou" e acabou tomando forma de expressão fora do pensamento. Depois de escrever reviso, corto todos os "eus" que insistem em aparecer e me deixar com cara de narcisista antipático. Não, eu não sou antipático, apesar de parecer a maior parte vezes. E não, eu não quero nem pretendo fazer você acreditar nisso. Até porque para as pessoas me acharem simpático é preciso uma ou duas garrafas de cerveja, e eu não posso mais beber. Também corto o excesso de adjetivos. Sou um escrevente medíocre condenado à sobriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em vez me lançam perguntas que tenho vontade de responder de imediato. Como no texto de ontem (misteriosamente até agora não taxado de preconceituoso ou excludente por vivalma), no qual o &lt;a href="http://kenjiria.blogspot.com/" target="blank"&gt;Leo&lt;/a&gt; me questionou por que não comentei nada sobre tatuagens. Talvez ele se lembre, talvez não, tatuagens não fazem parte de meu repertório. O que não me impede de tentar, até porque tenho uma tatuagem, nas costas. Quem quiser ver é só &lt;a href="http://www.twitpic.com/16f4c0" target="blank"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;. Um Sagrado Coração de Jesus, a única ilustração que eu tinha certeza na época de que não me arrependeria em fazer. E que me diria algo. Vivo esquecendo dela, coitada. Perdida em um ponto estratégico (e cego), só a vejo no espelho, e tem hora que me assusto "nossa, uma tatuagem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatuagens são, para mim, roupas definitivas. Doem para serem vestidas, doem também para serem retiradas, a um preço alto. Tatuagem deve ser a única roupa que o preço é maior para tirar. Assim como roupas, as tatuagens passam alguma informação (frase completamente dispensável). E assim como as roupas, tatuagens foram feitas para serem vistas. Não concordo com quem diga o contrário. Exemplo: você tem o braço coberto de desenho, mais algumas frases escritas no ombro, taca um vestido vermelho floral de alcinha e vai dizer que não quer aparecer e está assim só para si própria? Fique em casa e feche as cortinas. Ponha uma burca para ir ao supermercado. Na rua o povo vai olhar. Mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admiro quem tenha a coragem de revestir o ombro com um dragão ou o que o valha e expor. Atitude que não tenho, meu coração só aparece em público nas praias ou piscinas, assim mesmo quando estou com o corpo mais ou menos em dia. Sou da tribo dos tatuados enrustidos, o desenho sempre debaixo de algum pano. Admiro quem tenha a paciência para responder sempre às mesmas perguntas, quem tatuou, quanto foi etc. O que não deixa, por outro lado, de ser pretexto para cantada. Vai dizer que um "posso pôr a mão?", dependendo que quem disser, não acaba por ser bem-vindo? Mas admiro muito mais, mesmo, aquele que encara suas tatuagens (e a vida) com bom humor. Tatuagem é prerrogativa individual, pessoal, intransferível. Que aplicada sobre a pele, uma "coisa pública" (entre aspas para nenhum jurista vir defender a coisa pública), faz aumentar a visibilidade de quem sabe se impor e tem personalidade. Aí não tem jeito, todo mundo vai mesmo perguntar, nem que seja só para puxar papo. E receber uma resposta bem-humorada é muito melhor que ouvir palavrão ou tomar tapa na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era para eu ter uma segunda tatuagem, uma cobra na perna que me prometi faz um ano. Nem tenho medo da dor. Nem da situação de permanência da ilustração na canela. O que me falta, no momento, é tempo. Em suas várias acepções. Por enquanto a cobra na perna vai ficando para os meus 35 anos. Se o mundo durar até lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1507845084529251149?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1507845084529251149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1507845084529251149&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1507845084529251149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1507845084529251149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/tabu-tatoo.html' title='Tabu tatoo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-285007860393191012</id><published>2010-03-02T11:24:00.002-03:00</published><updated>2010-03-02T11:33:42.793-03:00</updated><title type='text'>O que não vestir</title><content type='html'>Outro dia no twitter fui um dos que reencaminharam a mensagem: "A &lt;a href="http://www.crocs.com.br/" target="blank"&gt;crocs&lt;/a&gt; vai doar milhares de pares de calçados aos haitianos. Já não basta os caras estarem na merda, precisa usar crocs?" Brincadeiras à parte, a iniciativa da empresa é boa, politicamente correta etc. Mas não importa. Nem se eu estivesse no Haiti, descalço, com os pés sangrado, usaria crocs. Pode ser confortável, pode ser bom, tenho amigo que usa, mas em mim não. Porque são muito feias, caramba. E também porque não ficam bem em mim. Penso que, num futuro próximo, os crocs serão vistos assim como as ombreiras da década de 1980. Algo como "gente, mas usavam isso mesmo?" ou algo do gênero. Tinha até sutiã com ombreira, lembram disso meninas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem convive comigo consegue facilmente identificar meu estilo de todo dia: jeans, camiseta básica com alguma estampa (ou não), e atualmente, em função da academia, tênis de corrida. Quando não vou malhar troco os tênis por algum calçado do qual eu goste e que não me dê a sensação que daqui cinco minutos vou subir na esteira. E, apesar de manter o armário lotado, possuo a péssima mania de achar que estou com pouca roupa. Tenho pensamento feminino para roupas. Nunca entendi tão bem uma propaganda quanto aquela em que a mulher está parada em frente um armário; o namorado vê um guarda-roupa lotado, e ela olhando o móvel vazio, aquele monte de cabides sem nada para vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem encontra comigo frequentemente também já reparou que não uso várias coisas, além de crocs (e pantufas). Camisetas regatas, ou ainda aquelas conhecidas como "machão", ou qualquer tipo de camisa que não cubra parte do meu braço. Nem é porque não tenho nada para mostrar, e sim porque me dá uma horrorosa sensação de vergonha, igual aqueles pesadelos em que a gente está sem roupa em público. Algo a ser analisado em terapia daqui dez, vinte anos. Calças xadrez jamais. Também não uso chapéu, boné, presilha, arco, tiara, touca, nada na cabeça além de cabelo. Provavelmente porque tenho cabeça grande, em um tamanho acima do padrão Brasil, e tudo fica apertado para mim. Nunca pus um chapéu ou similar que não me incomodasse o suficiente para eu querer tirar agora por favor. O mesmo se aplica a anéis e pulseiras. Invejo quem consegue usar um anel qualquer por horas a fio sem sentir um peso enorme nas mãos e coceira no dedo. Nunca tentei algemas, nem quero. Minha tolerância máxima continua sendo um único brinco, pequeno, na orelha esquerda. Hábito cada vez mais raro agora que trabalho com advogados. Mas pelo menos não preciso usar terno ou roupa "social".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como viver é pagar mico, até chegar ao meu senso individual de vestir, passei por ridículos e afins. O maior erro da minha vida, até hoje, foi uma calça de Bali comprada em Guarapari que a vendedora jurou que estava bonito. Para um palhaço talvez. Até hoje não entendo que entidade incorporou em mim para eu dar dinheiro naquela coisa de seda estampada em todas as cores possíveis e mais algumas fora do espectro de visão humana. Usei duas vezes, paguei o mico e passei adiante, não sei onde foi parar. Provavelmente virou pano de chão. Serviu para eu parar de confiar em vendedor. Fora isso, as vergonhas de sempre que todo mundo da minha idade passou: calça baggy, mochila e carteira "da Company", "camiseta de terceiro ano do colégio" com gola canoa, tênis All-Star de cano longo, bota de sete léguas (nunca vou chamar isso de galocha) amarela, relógio de trocar pulseira, camisões estampados (Fido Dido, lembra Cris?), uma jardineira verde-exército que eu amava, roupas rasgadas em geral. E, para terminar, o famoso corte de cabelo em cuia, daqueles que pareciam que o cabeleireiro colocou uma tigela na cabeça da gente e passou máquina no resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente daqui uns anos muito do que visto hoje vai ser vergonha alheia, e vamos ver as fotos dessa época rindo igual quando pegamos retratos da nossa tia de legging e polainas, em plena época da novela Baila Comigo e da Jane Fonda em vídeo de aeróbica. Até lá, vamos vestindo. Meu sonho de consumo atualmente é uma camiseta escrita &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_n-r2dbyohPA/RleazHYUsJI/AAAAAAAABDY/kOf3owKhZO0/s400/camisetas-bancadecamisetas.jpg" target="blank"&gt;não fui eu&lt;/a&gt;, inspirado por uma parecida que vi em um clipe da Adriana Calcanhotto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-285007860393191012?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/285007860393191012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=285007860393191012&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/285007860393191012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/285007860393191012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/03/o-que-nao-vestir.html' title='O que não vestir'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-7419614635286369118</id><published>2010-02-24T15:55:00.003-03:00</published><updated>2010-02-24T16:00:36.310-03:00</updated><title type='text'>Pelos ares</title><content type='html'>Minha última viagem, agora no carnaval, foi útil para diversas coisas. Em primeiro lugar, como sempre, para ajudar a perder o medo de avião. São Pedro resolveu cooperar, e providenciou céus de brigadeiro tanto na ida quanto na volta. O voo só não foi mais tranquilo por falta de tempo. De Belo Horizonte ao Rio de Janeiro são, em uma aeronave Tam A320, 45 minutos no ar. Daí que não dá nem para comer a comidinha direito. Mal o comissário de bordo chegou no meio da fileira o comandante avisa que estamos em processo de descida. Uma coisa que notei, agora que voltei a voar, é que o piloto parou de avisar que estamos em velocidade de cruzeiro, a nove mil pés, com a temperatura de 26 graus negativos. Muita gente deve ter reclamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também reparei que preciso urgente trocar as minhas malas. Não que eu não goste delas, pelo contrário. Sempre viajei com bagagens peculiares: uma bolsa amarela e uma mala vermelha de rodinhas. Dessa vez, como ficaria apenas para o carnaval, levei "só" 14 quilos de bagagem, apenas a mala vermelha. Não usei nem metade, o que é perfeitamente compreensível. Mas eu preciso trocar de malas pelo simples motivo de que o mundo todo resolveu copiar a ideia. Antes, quando desembarcava, vinham aquela fileira de malas pretas ou azul-marinho, uma ou outra marrom, e as minhas bolsinhas coloridas lá na esteira. Quando desci no Rio vi que a coisa mudou, o carnaval tinha começado já no desembarque. Nunca tinha visto tanta mala vermelha, laranja, e até mesmo uma lilás com estampa branca. Todas com fitinhas coloridas "para não misturar". Daí que vou na contramão e quero uma mala preta quadrada. Para não perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, vi o quanto o ser humano, seja ele rico ou pobre, é agarrado a suas posses. Tirando liquidação de loja, esteira de bagagem em aeroporto está concorrendo a top falta de educação no mundinho contemporâneo. O princípio de entrega das bagagens é simples e óbvio: uma esteira onde a sua mala é posta e fica dando volta até ser resgatada. Ou seja, se ela desfilou na esteira a primeira vez e entrou de volta na portinha, ela retorna tal como foi colocada. Sabiam? Pois meus colegas de voo não tinham noção disso. Quem olhasse de fora iria dizer que estavam dando comida a flagelados da seca. A bolsa despontava lá na entrada e era um furor uterino para resgatar a mala como se a sobrevivência da pessoa dependesse exclusivamente daquilo. E dá-lhe empurrão, carrinho em cima do vizinho, e eu juro que ouvi um grito. Se antes eu dizia que só se conhece de verdade uma pessoa no fórum, agora acho que dá para ter uma breve noção também na hora de pegar as malas de viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-7419614635286369118?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/7419614635286369118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=7419614635286369118&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7419614635286369118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/7419614635286369118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/pelos-ares.html' title='Pelos ares'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2618101658683706331</id><published>2010-02-22T11:40:00.003-03:00</published><updated>2010-02-22T11:45:37.415-03:00</updated><title type='text'>Boundaries</title><content type='html'>Em um episódio de &lt;em&gt;Grey's Anatomy&lt;/em&gt; é mostrado o corredor de entrada para o bloco cirúrgico, em destaque uma linha vermelha no chão. A linha indica até onde o acompanhante do paciente pode ir: após aquele risco apenas médicos, enfermeiras e, claro, a vítima da vez. O capítulo em si trata de tema recorrente – para não dizer clichê – da dramaturgia norte-americana: &lt;em&gt;to cross the line&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi depois desse episódio que passei a reparar mais no quanto a expressão – "cruzar a linha" em português tupiniquim – é utilizada pela galera da &lt;em&gt;gringoland&lt;/em&gt; nas suas séries. Quando alguém "faz arte" (expressão que tenho adorado por agora e que deviam ressuscitar), bebe além da conta, enfia o pé na jaca, enche o saco, tira foto sem roupa dependurado no poste, tudo em geral, lá vem aquela personagem completamente histérica dizer &lt;em&gt;you crossed the line, you crossed the line!&lt;/em&gt;, quase caricaturalmente (nesse momento você pode imaginar a Bree, ou a Meredith, dizendo isso), em alguma cena lição de moral que dá vontade de desligar a tevê e ler &lt;em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ulisses_(James_Joyce)" target="blank"&gt;Ulisses&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisto a muitos enlatados, alguns por vezes dão nos nervos. Veja o péssimo hábito de as pessoas temerem a expressão &lt;em&gt;I love you&lt;/em&gt;, quase como se fosse uma condenação irrevogável à morte, ao degredo ou, pior, ao casamento inevitável (prisão perpétua?). Mas compreendo. Em uma sociedade sensível ao toque, que se surpreende com a capacidade brasileira de abraços e beijos, nada mais normal que o termo "amor" ser elevado à sexta potência e ao status de definitivo. Agora, no entanto, não quero focar no amor americano. Qualquer dia isso volta a ser tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero pensar o clichê de se cruzar a linha, passar os limites. Não pela convenção social. Todo mundo acima dos 25 anos, &lt;em&gt;sorry teens&lt;/em&gt;, sabe que não é legal beber e dar vexame sempre, tocar a campainha e correr, passar trote no telefone para o 190, telefonar para a melhor amiga às três da manhã. O que não quer dizer que ninguém nunca tenha feito nada disso. Pagar mico é parte dos rituais de passagem brasileiros. Faz bem para a personalidade e para o caráter, principalmente quando dá errado. Ninguém esquece o porre de vodka na sétima série, a vizinha com o rolo de pastel na mão, a viatura na porta de casa "minha senhora, estão passando trote desse número", muito menos a amiga dizer "agora não, estou no motel".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem outros limites, ditos &lt;em&gt;invasivos&lt;/em&gt;. Acredito que ninguém duvide, até porque se esses não existissem todo mundo iria ao banheiro de porta aberta. Vamos além. Na atual crise de invasão de privacidade já vi artista trocar de roupa na praia (como qualquer mortal) e lá vir a câmera apontada para lugar estratégico, programa de tevê montar guarda em porta de famoso, tudo que venda o escândalo do dia. E famoso que vive disso, não sejamos hipócritas. Por minha vez, penso preservar um elegante anonimato escrevendo para poucos e não me imagino agente/passível desse tipo de escândalo. Isso está fora de minha fronteira. Só uma vez, anos atrás, fui reconhecido por um rapaz que acabou virando amigo. Nada além.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E existem, por fim, os piores limites, os &lt;em&gt;individuais&lt;/em&gt;. Tênues linhas, completamente variáveis e subjetivas, fluindo e se moldando como água em potes diferentes. Hoje estou assim, não me encostem. Por que você não vem cá e me abraça? Agora não, preciso de espaço, você está me sufocando. Mas é claro que vou dormir aí. Eu, pendurar a roupa? Tenho pavor de pia suja, por isso é que estou lavando. Morro de preguiça de passar uma camisa que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem leu e entendeu, obrigado por me suportar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2618101658683706331?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2618101658683706331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2618101658683706331&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2618101658683706331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2618101658683706331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/boundaries.html' title='Boundaries'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6956241564394988079</id><published>2010-02-16T18:20:00.003-02:00</published><updated>2010-02-16T18:26:44.941-02:00</updated><title type='text'>Na Sapucaí</title><content type='html'>Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu. A União da Ilha voltou ao grupo especial das escolas de samba, e abriu o desfile cantando o samba-enredo "É hoje" como aquecimento. A avenida Sapucaí toda cantou junto, eu inclusive. Foi a minha primeira vez na passarela do samba aqui no Rio de Janeiro. Vim para o carnaval, volto para Minas nessa quarta-feira de cinzas. Fui assistir a uma das noites dos desfiles, ingressos comprados na sorte, por telefone, dentro da cota dos 20% de bilhetes separados para moradores de outros estados. A cota dos cariocas se esgotou em 30 minutos na época. Mais rápido que show artista pop. Eu não entendia o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explicar desfile de escola de samba é algo inútil. Acho que a melhor definição seria o que um colega de arquibancada disse: "isso aqui é um Maracanã mais organizado!" Nunca fui em uma partida no Maracanã, mas deve ser isso mesmo. Uma multidão aglomerada para o maior show da terra, do qual ela é, além espectador, parte fundamental. Porque o desfile, que é (ou deveria ser) feito para o público, só vai funcionar se o público responder. Pode ter o melhor samba, e as fantasias mais bonitas que, se o público não abraça a causa da escola naquele momento e se a arquibancada não pulsa junto, o desfile soa frio e distante. Deve ter sido triste para a Beija-Flor, por exemplo, ver o sambódromo se esvaziando com a passagem da escola. Torcedores partindo antes do fim do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistir às escolas de samba desfilar é algo que todo mundo deveria fazer uma vez na vida, pelo menos. Preferencialmente antes da terceira idade, e fora do dia das campeãs. Claro que dá para ver da tevê, mas a televisão faz algo muito ruim para o espetáculo: retira das escolas a grande democracia que a gente sentada ali assistindo, percebe. Não sou capaz de dizer que tal artista estava ali, e não fosse o Samuel do meu lado me chamando a atenção – "olha o Zico", "ali é o Eri Johnson com a presidente do Salgueiro", "aquela é a Viviane Araújo" –, eu não ia ser capaz de falar sobre nenhuma celebridade. O que é maravilhoso. Ver aquele mundo de gente defendendo a camisa de sua escola, cada um consciente de sua importância, ver cada um se sentindo fundamental naqueles 20 e poucos minutos na avenida, brigando pela sua bandeira, é encantador. E ter a consciência de seu papel enquanto espectador é glorioso. O carnaval democratiza a alegria e isso, e só por isso, já é muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também existe ainda, no meu caso, a realização de uma vontade pessoal. Quando a Ilha começou a cantar o refrão lá de cima os meus olhos se encheram de água e eu me senti parte de algo grandioso. Chorei umas duas ou três vezes de alegria. Se deus quiser e quando eu puder farei de novo. Preferencialmente trazendo mãe, irmã, gato, cachorro e papagaio comigo. Aumentando o congestionamento das linhas telefônicas da liga das escolas de samba. Vale a pena. Vale muito a pena. Experimente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6956241564394988079?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6956241564394988079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6956241564394988079&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6956241564394988079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6956241564394988079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/na-sapucai.html' title='Na Sapucaí'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8587087381025875820</id><published>2010-02-13T13:37:00.002-02:00</published><updated>2010-02-13T13:40:49.270-02:00</updated><title type='text'>Sobre o medo</title><content type='html'>Quando perguntado de que tenho medo, quase sempre dou a mesma resposta: rato, avião e panela de pressão. Tenho medo de rato, vivo ou morto. Desde as ratazanas de jardim da minha infância, enormes, mostrando os dentes e ameaçando avançar, até os ratos mortos nas rua de agora. Invariavelmente atravesso a rua se tem um rato no caminho, tanto faz se vivo ou morto. É instintivo. Já tive medo de lagartixas, até ver o quanto elas são úteis no combate a pernilongos e mosquitos em geral. Baratas sempre resolvi na base da chinela. Rato é outro departamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo tem uma história de uma panela de pressão que explodiu. Quase todo mundo; a experiência de desastre com panela de pressão mais próxima que tive aconteceu em uma festa de casamento, e não vi nada. Somente soube do acidente quando dei fé que as comidas nunca mais chegavam. E por quê o medo de algo que nunca vi de perto? Oras, justo por isso! Medo do desconhecido, do que nunca vi. E do que virá. A cada dia que passa, a panela de pressão se torna uma arma mais poderosa; ela é capaz de coisas terríveis. Por isso fujo, evito sempre que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente os aviões. Avião é inevitável hoje em dia, e venho tentando treinar os voos curtos, até internaliar o quanto eles são práticos e encarar uma viagem longa. Provavelmente nessa encarnação eu não conseguirei relaxar dentro de um avião, mas aceitar a ideia de que aquilo economiza tempo me deixa mais conformado. Para mim, bípede, voar é algo não natural. Posso ter a cabeça nas nuvens, mas um pezinho em solo firme não faz mal. Sei que tem quem ame e quem considere esse medo algo caipira e irracional. Mas eu nasci caipira. E o que é o medo, senão uma descarga irracional e pouco controlada de sentimentos frente a algo supostamente ameaçador?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8587087381025875820?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8587087381025875820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8587087381025875820&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8587087381025875820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8587087381025875820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/sobre-o-medo.html' title='Sobre o medo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-8858929119438794183</id><published>2010-02-12T15:04:00.003-02:00</published><updated>2010-02-12T15:14:41.242-02:00</updated><title type='text'>Por que não estudo russo</title><content type='html'>No filme &lt;em&gt;Bonecas Russas&lt;/em&gt;, uma das cenas que mais me marcaram acontece nas ruas de São Petersburgo. É praticamente um trecho documental, onde a cidade é vista: com suas placas de sinalização, propagandas, estação de trem. Uma cidade como outra qualquer, só que com todas as coisas escritas, como era de se esperar, em russo. Essa cena me remete à frase que ouvi de uma amiga: "estar sozinho em um lugar desconhecido, no qual ninguém sabe quem é você, é algo extremamente libertador". E, confesso, tenho muita vontade de me perder em um lugar desses, no qual se entende apenas o sinal de trânsito, aquele que vem na linguagem universal das cores. Pare, siga, atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(In)felizmente, desde criança me vejo impedido de ligar para alguém caso estiver perdido na esquina de &lt;em&gt;Walk&lt;/em&gt; com &lt;em&gt;Don't walk&lt;/em&gt;, em Nova Iorque. O máximo que vou ouvir em resposta é um palavrão. Por opção, não passo mais fome em Paris, já sei pedir uma &lt;em&gt;baguette&lt;/em&gt; na &lt;em&gt;boulangerie&lt;/em&gt;. Por semelhanças gráficas, devo conseguir me safar convenientemente bem tanto em Madrid quanto em Berlim, apesar de não entender uma palavra nem de espanhol ou de alemão. Em Tóquio, pelo que imagino, tudo deve vir com legenda em inglês. Dos trechos conhecidos para a minha utópica imersão cultural (porque sempre terei a opção Papua Nova Guiné, ou qualquer outro destino exótico em que línguas milenares passam de pai para filho, como o Alto Xingu) sobram a China, o Oriente Médico, a Grécia e, logicamente, a Rússia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me aventuraria no Oriente Médio por, juro, amor à vida. À minha vida, claro. Obviamente a Faixa de Gaza não deve ser só o que é mostrado na televisão, deve haver algum tipo de vida humana por lá, e os bebês provavelmente não nascem com o corpo coberto de bombas. Apesar de, convenhamos, o fato de uma cidade se chamar Cabul, praticamente a onomatopeia universal para o som de uma explosão, já soar assustador. É, para mim, uma vivência com baixa prioridade. Dubai não é meu roteiro dos sonhos de novo-rico wannabe. Assim como dispenso os passeios de bugre "com emoção" nas dunas do Nordeste (perdi um primo em um acidente "emocionante"), também dispenso a possibilidade de estar em um lugar em que se come carne de cachorro. Ou, como diz o ditado chinês, onde come-se tudo que tem quatro pernas e não é mesa, tudo que voa e não é avião e tudo que se move na água e não é navio. Se posso dispensar ser alvo de mísseis, declino tranquilamente da possibilidade de ter de experimentar olho de peixe, escorpião, bicho-da-seda, gafanhotos e, claro, cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobram então a Grécia, que me parece mais um roteiro para se fazer sem pressa, de forma agradável e, paradoxalmente, entendendo tudo – entendendo que cada pedrinha ali tem a sua contribuição na formação do nosso pensamento contemporâneo –, e a Rússia. Ou seja, só sobrou a Rússia para me perder (fora aquele país que você pensou, caro leitor, onde falam aquela língua estranhíssima que você vai dizer na caixa de comentários só para mostrar o quanto é inteligente). Um lugar com um alfabeto completamente diferente do meu, impossível de se decifrar sem algum estudo prévio. E ao mesmo tempo urbano. Penso que um dia em uma cidade grande da Rússia (Moscou também deve ter placas com legenda, vamos nos ater a São Petersburgo mesmo) deve ser exatamente como um dia em qualquer cidade do mundo, porém com todas as placas dizendo coisa alguma. Uma vivência possível e tangível de surrealismo. Um sonho acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, ainda, um reencontro com o analfabetismo. Quantas vezes você já se pegou pensando "... e se eu não soubesse tal coisa?"; "... e se eu simplesmente não soubesse para onde ir, o que faria?". São Petersburgo está aí para esclarecer a todas essas dúvidas. Para permitir a vivência da ignorância em estado bruto. Basta um avião para Moscou, e algum tempo de trem. Talvez depois você e eu queiramos estudar russo. Dizem que é fácil, parece ser mesmo. Só que aprender russo, agora, para mim, é fechar de vez a porta mais provável para uma viagem idealizada. É matar um sonho possível. É entender que aquela placa significa "vire à direita", e não "seja feliz aqui". Por isso, e só por isso, não estudo russo. Não pra já.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-8858929119438794183?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/8858929119438794183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=8858929119438794183&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8858929119438794183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/8858929119438794183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/por-que-nao-estudo-russo.html' title='Por que não estudo russo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-6183366111936753331</id><published>2010-02-10T15:09:00.001-02:00</published><updated>2010-02-10T15:11:50.066-02:00</updated><title type='text'>Bullying</title><content type='html'>Fui alfabetizado por uma babá. Digo, não exatamente alfabetizado, porque o processo de alfabetização envolve mais processos do que aprender a ler. Então, melhor seria anotar que a minha babá me ensinou a ler quando eu tinha três anos e meio. Talvez seja normal hoje, porém, se voltamos 30 anos no tempo, as crianças de três anos e meio em 1980 não viviam exatamente ocupadas com cartilhas. Havia coisas muito mais interessantes para se fazer. Como colocar blocos quadrados em caixas, por exemplo, e desenhar. Eu, por outro lado, ficava vendo figuras de letras e repetindo as palavrinhas. Aquela coisa de abacaxi, escola, igreja, ovo e uva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe, em um acesso de sobriedade e de bom senso (juro que estou falando sério, sou imensamente grato a ela por ter tentado me dar um mínimo de normalidade), achou por bem que eu tivesse educação formal continuada igual a todos os alunos. À exceção de que me mandaram para o colégio um ano mais cedo. Sou nascido em julho e, portanto, conforme as regras escolares que já vigiam à época e valem até hoje, só deveria ter começado a frequentar escola um ano depois de quando fui efetivamente matriculado. O que resultou, claro, em ser sempre o primeiro da fila "por ordem de tamanho", sistematicamente condenado a sentar nas cadeiras da frente. Não só pela altura, até porque nunca fui alto, como também pela miopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imagine um menino que já sabe ler dentro de uma classe de alfabetização. Menor que os outros, sentado na carteira da frente, óculos de fundo de garrafa com um dos olhos tapado (para melhorar a visão do olho fraco, disse algum oftalmologista), respondendo às perguntas unicamente porque já sabia todas as respostas e completamente intolerante com a estupidez de quem (como assim?) não sabia que aquilo era uma letra A. Insuportável desde criança. Caxias desde os quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente meu relacionamento com os colegas não podia dar em algo que preste. Vejamos algumas pequenas consequências da alfabetização precoce. Já colaram um rabo de papel em mim, salvo engano mais de uma vez, e já desfilei pelo colégio todo com o bendito rabo. Sempre era o último escolhido para o time de futebol na educação física. Não que me importasse, as aulas de educação física eram sessões de tortura mesmo. Em compensação, todos queriam ser do meu grupo de trabalho. Até porque eu fazia sempre o trabalho todo, ou pelo menos boa parte. Baixinho, gordinho, caxias e chato, obviamente colecionei, nos tempos de colégio, mais apelidos que genitália feminina. Baleia, bolinha, quatro-olhos, pintor de rodapé, toquinho de amarrar jegue, cabeção, capacete (por conta de um corte de cabelo horroroso que fizeram em mim) e mais outros que, realmente, não lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois episódios específicos me marcam até agora. O primeiro por inocência da minha mãe, que achou por bem colocar meu nome em todo material escolar que eu tinha, mochila inclusive, quando me mudei para estudar em BH. Eu era o único aluno do colégio a ter uma mochila com o nome pintado. Perfeitamente plausível em se tratando de minha mãe, inconcebível para um adolescente de 14 anos recém-chegado do interior. Foi a primeira vez em que bati o pé para ter uma mochila nova, "da Company", que era o que todo mundo usava na época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra lembrança vem um tanto quanto piorada. Meu professor de educação física, em um acesso de tentar que eu fizesse algo na aula, disse que eu podia fazer natação no horário. Agradeci, nadar é algo que sempre fiz muito bem, e toda aula ia nadar, mesmo com frio. Até o dia em que um colega, durante o intervalo (ou "recreio"), abriu minha mochila e pendurou minha cueca no basculante da sala. Foi o bastante para, uma semana depois, eu chegar com um atestado médico de um primo, me dispensando das aulas de educação física até o fim do ano. Nunca mais nadei naquele colégio depois disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo passa, com a faculdade veio uma certa mudança de comportamento e temperamento. Amadureci, encontrei amigos (sobreviventes dos tempos de colégio foram poucos, não enchem uma mão), deixei de ser o melhor da turma graças a deus, e passei a ser apenas eu mesmo em busca de identidade, o que já é complicado. Os traumas de escola ficam para esse texto e para um pequeno prazer pessoal. Hoje eu trabalho no prédio ao lado de onde aquele colega que pendurou a minha cueca tem um escritório. Vez por outra o vejo na rua. Careca, barrigudo, velho. Até hoje viro a cara quando passo perto. Sem dar nem bom dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-6183366111936753331?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/6183366111936753331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=6183366111936753331&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6183366111936753331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/6183366111936753331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/bullying.html' title='Bullying'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-4678857971573915644</id><published>2010-02-08T14:01:00.001-02:00</published><updated>2010-02-08T14:02:41.096-02:00</updated><title type='text'>A cada tempo</title><content type='html'>Quero pedir a licença de você, caro leitor, para uma breve citação. Ela resume um pouco de minha proposta para esse novo amontoado de escritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz." (Ecl., 3:1-8)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto da Bíblia pode ser encontrado em diferentes versões, porém sempre falando sobre o tempo das coisas. O que muda são alguns termos, muito em função do politicamente incorreto "atirar pedras" que o Eclesiastes fala. Nos dias de hoje a prática de atirar pedras não é muito recomendada, e na verdade não deveria ter sido nem nos tempos que escreveram a bíblia. Porque deve doer, e muito, levar pedrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando não me desviar do assunto, estou em minha cidade: Ponte Nova. Para quem ainda não sabe, ou seja, para você que nunca leu nada meu antes desse blog, é onde nasci, onde mora a minha mãe e parte da minha família. Volto a Belo Horizonte hoje ainda. Vim para um funeral. Há quatro meses um tio meu entrou em um hospital e por lá ficou até ontem. Era algo esperado, só que o susto de um telefonema de morte, esperada ou não, é algo que sempre tira a gente do chão. Em menos de uma hora meti-me dentro de um ônibus, e cá estou. Quebrado de cansaço o suficiente para faltar o trabalho justo quando não deveria. Era esse o tempo de que eu precisava, infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã volto à rotina que será interrompida pelo carnaval. Com a sensação estranha de que a semana será tudo, menos típica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-4678857971573915644?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/4678857971573915644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=4678857971573915644&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4678857971573915644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4678857971573915644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/cada-tempo.html' title='A cada tempo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-2499593700311817704</id><published>2010-02-04T17:32:00.002-02:00</published><updated>2010-02-04T17:36:49.915-02:00</updated><title type='text'>A cozinha e o tempo</title><content type='html'>Entre meus herdados está o caderno de culinária que foi de minha bisavó. Muito provavelmente devo ter escrito algo sobre esse caderno em outro lugar, usando a seguinte descrição: velho, páginas amarelas, capa marrom e receitas incompreensíveis. Praticamente um livro de bruxaria familiar. Nunca fiz nem vou fazer metade das receitas de lá, mas sei exatamente como preparar praticamente todas elas. Até mesmo a que se resume em uma lista de três ingredientes, nada mais. Minha bisavó não escrevia o modo de fazer as receitas. Seria óbvio demais. Qualquer dia publico alguma receita que funcione por aqui, hoje não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje importa, mais que o velho caderno de receitas, uma reflexão sobre o tempo de preparo dos alimentos. Considero de essencial importância que todo mundo, pelo menos uma vez, experimente algo na cozinha. Ferver o leite, que seja, ou cozinhar um ovo. Algo simples. Com o único objetivo de perceber que tudo demora um tempo específico para chegar ao ponto correto. Se uma peça de carne fica por pouco tempo no forno vai chegar crua à mesa. E vai queimar se ficou tempo demais. Parece claro e simples, e é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O difícil, por vezes, é transcender o conceito simplista da bancada de cozinha e entender que o tempo de preparo vai para além dos alimentos. Que a espera deixa a fruta mais madura e com mais polpa. Que o tempo, em si, é extremamente necessário: para assar carnes, amadurecer laranjas, curar feridas e estiar enchentes. Mas que a espera em demasia deixa a carne ressecada, a laranja passada, a ferida apodrecida e as lagoas secas. Saber o tempo exato das coisas é um dom. Que pode ser &lt;em&gt;apreendido&lt;/em&gt; na beira do fogão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-2499593700311817704?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/2499593700311817704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=2499593700311817704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2499593700311817704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/2499593700311817704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/cozinha-e-o-tempo.html' title='A cozinha e o tempo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-3536025515035272625</id><published>2010-02-03T16:09:00.002-02:00</published><updated>2010-02-03T16:12:33.724-02:00</updated><title type='text'>Filas e faixas</title><content type='html'>Na fila do restaurante, um homem espera a namorada ou colega de trabalho pagar a conta do almoço dos dois. Enquanto isso ele confere e manda mensagens no celular. A cena causa algum estranhamento? A mim causou. Não pelo fato de a moça estar pagando a conta do companheiro. Já passamos da época em que isso faz diferença. E sim pelo rapaz em pé, no meio da fila, sem tomar conhecimento do resto do mundo. Veio minha vez de pagar a conta e um sujeito maior que eu barrando o caminho, cheio de gente atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é exemplo típico do que passei a chamar de &lt;em&gt;autismo social&lt;/em&gt;, ou excesso de individualismo. Pessoas que simplesmente pararam de se importar com a convivência em sociedade, e desfilam seus micro-universos independentes pelo planeta Terra. Não tenho interesse em qualquer dissertação sobre o tema, para isso existe a faculdade que nunca vou terminar. Porém, ou a minha rabugice aumentou ou está cada vez maior o número de pessoas mal-educadas soltas pela cidade. Ou os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se pensa em "falta de educação" a associação mais comum, para muita gente que mora aqui em BH, é "trânsito". Fizeram até matéria no jornal local sobre isso. Qualquer um tem uma história para contar, dos já manjados motoboys arrancando quando atravessamos a rua na faixa de pedestres até casos como a vez em que eu e uma amiga grávida quase fomos atropelados por uma mulher que dirigia falando ao celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dá para elencar uma série de pequenas grosserias muito menos agressivas que um atropelamento. Aquele que fura fila. Que põe a bolsa para almoçar no restaurante para marcar lugar (ainda vou criar coragem e sentar na mesa com a bolsa, só para testar a reação da pessoa). Que grita no meio da rua às quatro da manhã. Que toca o interfone e sai correndo (sim, isso existe até hoje. O espírito da roça não abandona a cidade, e todo mundo parece que ama apertar um botão). Que isso. Que aquilo. E que incomodam sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão que fica é a de um esvaziamento constante da delicadeza. Da diminuição do sentido de cortesia, da individualidade suprema exercida em detrimento do respeito ao próximo. Muito provavelmente as professoras dessas criaturas devem ter se esquecido de passar no quadro aquela frase clichê dos meus tempos de escola: "a liberdade de um termina quando começa a do outro". E os pais? Deviam estar ocupados demais para lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-3536025515035272625?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/3536025515035272625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=3536025515035272625&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3536025515035272625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/3536025515035272625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/filas-e-faixas.html' title='Filas e faixas'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1583044116321714467</id><published>2010-02-02T15:56:00.002-02:00</published><updated>2010-02-02T16:02:30.541-02:00</updated><title type='text'>O teste que ninguém faz</title><content type='html'>Na coluna do lado existe uma caixa de perguntas que posso ou não vir a responder. Como sou uma pessoa solicitadíssima em meu anonimato, as duas questões que recebi até agora foram respondidas. A terceira pergunta é automática do &lt;a href="http://www.formspring.me/mbelico" target="blank"&gt;formspring&lt;/a&gt;; respondi porque achei interessante. Existem duas outras lá: "Se a sua casa se incendiasse e você pudesse salvar apenas três coisas, quais seriam?", e "Qual é a coisa mais bonita que alguém já fez para você?"; as quais ainda não pensei uma resposta convincente, mas salvaria minhas cachorras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, na caixa, um anônimo quis saber de quem era a cama de que gostei. Disse que continua sendo a minha, gosto bastante da cama em que durmo. Inclusive lembrei de que preciso trocar o colchão. E também me perguntei se alguém troca mesmo o colchão periodicamente. Procurando pela internet vi que devemos mudar o colchão, dependendo da marca, em um intervalo de cinco a doze anos. O meu já passa disso, tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando da série &lt;a href="http://www.minhaserie.com.br/serie/240-os-normais/" target="blank"&gt;Os Normais&lt;/a&gt;, existe um episódio em que a Fernanda Torres resolve pintar o cabelo de louro. Ela pega a bula da tinta, começa a ler e, se você pinta o cabelo sabe, está lá o que ela chama de "teste que ninguém faz". Para ver se a tinta dá alergia. Obviamente a Vani (eu ia contextualizar que era a personagem da Fernanda, mas é dispensável) é daquelas mulheres alérgicas a amônia e fica toda queimada por não ter feito o teste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nisso, ajeitei uma pequena lista de coisas que a gente não faz, mas deveria. A gente, no caso, fica sendo eu mesmo. Protetor solar é o primeiro item. Eu não assisti o vídeo do Pedro Bial, portanto nunca lembro de passar. O mesmo para hidratantes, antirrugas (a nova ortografia deixou a palavra péssima) e quaisquer outros cosméticos que não sejam sabonete, creme dental, xampu e condicionador. Como parei de pintar o cabelo, o teste da tinta não se aplica. Mas, shame on me again, fio dental confesso que tenho preguiça da rotina religiosa. Podem gongar e dizer que sou nojento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocar não só o colchão, também o travesseiro. Levar sacola retornável para o supermercado é mais complexo. Eu teria de planejar as compras, e normalmente faço supermercado quando já estou na rua e lembro de algo. Parar de roer as unhas. Fazer a barba mais de uma vez por semana. Cortar o cabelo todo mês. Doar as roupas velhas confortáveis, tirar do armário tudo o que não uso mais. E, principalmente, não ir parecendo um mendigo para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você, também tem uma lista do que não faz?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1583044116321714467?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1583044116321714467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1583044116321714467&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1583044116321714467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1583044116321714467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/o-teste-que-ninguem-faz.html' title='O teste que ninguém faz'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-9206571506988831307</id><published>2010-02-02T11:15:00.001-02:00</published><updated>2010-02-02T11:16:36.710-02:00</updated><title type='text'>Balaio</title><content type='html'>Uma coisa que nunca aprendi foi dirigir. Na verdade nunca tentei com vontade. Não consigo afirmar que um carro faz ou não falta em minha vida, porque tudo que preciso, hoje, resolvo pelos meios de transporte convencionais: táxi, ônibus, avião e, preferencialmente, a pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã venho para o trabalho de ônibus, e tenho de vivenciar a maravilhosa experiência coletiva de integração social em uma lata de sardinha. Por poucos e intensos minutos, sou um rapaz de sorte. Ônibus coletivos são úteis, mas nunca consigo desassociar duas cenas. A primeira de quando eu morava no interior e via passar na estrada aqueles caminhões com porcos para o abate. A outra de uma colega de faculdade, dizendo que a coisa mais deprimente é quando o coletivo arranca e todos balançam a cabeça no mesmo ritmo. Reparem: acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a chegada da contemporaneidade em BH, surgiram os ônibus com portas no meio. A novidade é tão grande que o povo consegue se acumular perto da porta central, admirados com a possibilidade de descer por ali, fazendo lembrar a época em que eu ia para a rua, lá no interior, quando passava um avião. Aí o que era para se tornar facilidade vira desafio. Para se chegar na parte de trás (entra-se pela porta da frente nos ônibus em BH), é preciso desbravar praticamente a facão uma multidão aglomerada no meio do coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, seguindo para o trabalho, reparei outra "novidade". Para mim foi a primeira vez. A porta traseira estava protegida por duas divisórias, criando um corredor, uma pequena baia (na falta de melhor termo), que permite que apenas um passageiro desça por vez. Não sei a finalidade daquilo, talvez evitar que alguém empurre o outro no chão, algo que já quis fazer várias vezes, mas sei que me senti ainda mais animalizado por conta daquela divisória. Fora que ela é extremamente restritiva, alguém com circunferência acima de 100cm (a minha – shame on me) não passa ali sem algum esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não ser que a prefeitura esteja começando uma campanha contra a obesidade, o sentido principal da divisória na parte de trás deve mesmo ser tornar a viagem cada vez mais emocionante. Afinal, nós, gordinhos, vamos agora preferir ficar pela frente, tornando a barreira humana da porta do meio ainda mais encorpada. E os magrelos que aprendam salto com obstáculos para poder passar. Afinal, para que facilitar, não é verdade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-9206571506988831307?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/9206571506988831307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=9206571506988831307&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/9206571506988831307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/9206571506988831307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/balaio.html' title='Balaio'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-4298686548960532582</id><published>2010-02-01T18:21:00.001-02:00</published><updated>2010-02-01T18:21:47.620-02:00</updated><title type='text'>Tabagismo</title><content type='html'>Uma das coisas mais interessantes que se acham nas ruas é a exata contraposição de sentido àquilo que se vivencia no presente momento. Por exemplo quando decidimos parar de fumar. Parar de fumar é inerente ao ser humano; todo mundo vai parar um dia. Ou pelo menos tentar uma, duas ou mais vezes. Até quem nunca fumou vai abandonar o cigarro de alguma forma, em um ato destemido de rompimento com a fase oral. De eliminação da muleta, do "tripé estável". Aliás o ato de fumar está para a humanidade assim como cortar a franja/deixar inteirar está para as mulheres. Quando jovem a gente experimenta de um tudo. Depois, passada a onda, chega-se a um ponto comum, seja ele qual for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao péssimo hábito do cigarro, ou da falta dele. A perspectiva é a mesma. Se você, um dia que seja, resolveu abandonar o cigarro, deve ter reparado como o mundo resolveu fumar exato aquele dia. Até a velhinha da janela, aquela que te olha toda manhã tomando café, parece estar com um cigarrinho na boca. Por outro lado, o dia em que você resolve consumir uma carteira inteira, não aparece uma alma viva com isqueiro ou fósforo, muito menos carregando um cigarro aceso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu parei de fumar e não devo voltar. Tive duas ou três recaídas, a maioria com álcool associado, e vi que não me serve mais aquilo. Peguei chocolate amargo para substituir. Mais calórico que cigarro, mais gostoso que chocolate ao leite. Gosto de aromas e gostos fortes como o bom e velho Marlboro vermelho. Agora aposentados: o cigarro e o caubói da propaganda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-4298686548960532582?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/4298686548960532582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=4298686548960532582&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4298686548960532582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/4298686548960532582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/tabagismo.html' title='Tabagismo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-1382317304906259217</id><published>2010-02-01T11:10:00.000-02:00</published><updated>2010-02-01T11:12:48.155-02:00</updated><title type='text'>Shades</title><content type='html'>Eu uso óculos escuros. De grau. Se você tivesse acesso à mala de fotos que guardo embaixo da cama, veria que eu praticamente nasci de óculos. Desde os quatro anos eles estão lá: uma hora com tapa-olho, outra com esparadrapo na lente, e depois só eles, os óculos. Em diversas formas e modelos, porque acho que uma das coisas que mais fiz na vida foi quebrar óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, quando eu era criança, não podia usar óculos escuros. Porque, logicamente, todo mundo tinha óculos de plástico, e eu não enxergava nada com aquela coisa. Então não usava. Daí que fiquei velho e, em algum surto de tirania com a minha tia-avó, pedi para ganhar óculos de grau, como outros quaisquer, mas também uma armação com lentes escuras. E assim é até hoje. A diferença é que agora pago por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Óculos escuros são absurdamente úteis para nos livrar de situações constrangedoras. Quando, por exemplo, o vendedor de balas entra no ônibus. Basta encostar a cabeça no vidro da janela e fim. Não precisa fingir que está dormindo e ele não te incomoda. Ou quando aparece alguma vista interessante no horizonte (entenda como quiser). Óculos escuros, cara de paisagem e fim: estamos todos livres de bolsadas, safanões, "que é que você está olhando?" e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus óculos são o meu escudo na jornada de observação das ruas de todo dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-1382317304906259217?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/1382317304906259217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=1382317304906259217&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1382317304906259217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/1382317304906259217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/shades.html' title='Shades'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6754495737767889308.post-5326635996335906041</id><published>2010-02-01T09:46:00.001-02:00</published><updated>2010-02-01T10:57:15.875-02:00</updated><title type='text'>Sobre o tempo e qualquer tempo</title><content type='html'>Normalmente quando um ano se inicia a gente pensa em fazer coisas novas. Reviver, recomeçar. Eu, por exemplo, fico mais falante em janeiro e vou-me tornando cada vez mais introspectivo até o fim do ano. É cíclico: um começo de ano é sempre mais produtivo que o fim. Algo completamente psicológico, porque, afinal, a mudança de ano é tão somente um abrir e fechar de olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como alguém já disse, é absolutamente maravilhosa essa capacidade de se condensar um ciclo, e de, de repente, se ter um novo ano, uma página em branco zero quilômetro para dela fazermos o que bem quisermos. Um blog novo sobre o tempo e a qualquer tempo. Um tempo qualquer. Duas, três vezes ao dia... seguido por semanas de mudez. Porque, no fim, eu sou assim. Inconstante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um blog com títulos no lugar de números (novidade para mim, pensar um título). Para eu não me perder mais nas contas, e para não ter ritmo algum. Um blog de hiatos, alternando silêncios e profunda e extrema gritaria. Sem compromissos de escrita, de metas a bater (que continuam), de coerência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que escrever? E por que não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez me disseram que tenho a capacidade de transformar assuntos cotidianos em acontecimentos. Também já disseram que sou uma companhia agradável. Talvez por isso. E, muito e, principalmente, para exercitar a minha escrita. Mas sem laços duros, porque, também, amarras esse ano não são muito bem-vindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao trabalho!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6754495737767889308-5326635996335906041?l=qualquertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://qualquertempo.blogspot.com/feeds/5326635996335906041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6754495737767889308&amp;postID=5326635996335906041&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/5326635996335906041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6754495737767889308/posts/default/5326635996335906041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://qualquertempo.blogspot.com/2010/02/sobre-o-tempo-e-qualquer-tempo.html' title='Sobre o tempo e qualquer tempo'/><author><name>Marcelo Belico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00400678426638732789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-R6BJd3_n1Ug/TfA0HJ3f3GI/AAAAAAAABcQ/ZJ392Y9wgak/s220/mbelico.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
